No diabetes, a glicose do sangue fica alta porque o corpo produz pouca insulina, usa mal a que produz, ou as duas coisas. O tipo 2 começa sem sintomas. O protocolo do Ministério da Saúde para diabetes tipo 2 (2026) cita o Atlas da Federação Internacional de Diabetes de 2025: o Brasil é o sexto país com mais pessoas com diabetes, e 31,9% delas não têm diagnóstico.
Quais são os tipos de diabetes?
A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) classifica o diabetes pela causa:
- Tipo 2. É o mais comum. Junta resistência à insulina e produção insuficiente do hormônio e costuma se associar ao excesso de peso e ao envelhecimento. O controle do peso é tema da página de emagrecimento e obesidade.
- Tipo 1. Vem da destruição, em geral autoimune, das células do pâncreas que fabricam insulina. Surge em qualquer idade.
- Gestacional. É diagnosticado na gravidez. O Ministério da Saúde indica rastreio em todas as gestantes a partir da 24ª semana.
Como é feito o diagnóstico de diabetes?
Com exames de sangue. Os pontos de corte abaixo são da diretriz da SBD (2024), adotados também pelo Ministério da Saúde. O TOTG mede a glicemia 1 ou 2 horas depois de tomar 75 g de glicose.
| Exame | Normal | Pré-diabetes | Diabetes |
|---|---|---|---|
| Glicemia de jejum (mg/dL) | abaixo de 100 | 100 a 125 | 126 ou mais |
| TOTG 1 hora (mg/dL) | abaixo de 155 | 155 a 208 | 209 ou mais |
| TOTG 2 horas (mg/dL) | abaixo de 140 | 140 a 199 | 200 ou mais |
| Hemoglobina glicada, HbA1c (%) | abaixo de 5,7 | 5,7 a 6,4 | 6,5 ou mais |
Se só um exame vier alterado, a SBD orienta repetir para confirmar. Com sintomas como sede excessiva, muita urina e perda de peso, uma glicemia a qualquer hora de 200 mg/dL ou mais já basta.
Quem deve fazer o rastreio?
O Ministério da Saúde recomenda investigar o tipo 2 a partir dos 35 anos. Antes disso, o rastreio vale para quem tem sobrepeso ou obesidade e algum fator de risco: parente de primeiro grau com diabetes, pressão alta, sedentarismo, ovários policísticos, gordura no fígado ou diabetes gestacional anterior. Com exames normais, o rastreio se repete a cada três anos.
O que é pré-diabetes e como prevenir o diabetes tipo 2?
É a faixa do meio da tabela. O Ministério da Saúde trata essa fase como condição de risco para o tipo 2 e orienta:
- Mudar hábitos. Com excesso de peso, perder de 3% a 7% do peso inicial já reduz a glicemia e outros fatores de risco cardiovascular.
- Repetir os exames todo ano, rotina que vale também para quem tem três ou mais fatores de risco e exames normais.
Qual é a meta de hemoglobina glicada?
Segundo a diretriz de metas da SBD (2026), a HbA1c reflete a média da glicose dos últimos meses. Para a maioria dos adultos, a meta é HbA1c abaixo de 7%, sem hipoglicemias graves ou frequentes, para prevenir complicações nos olhos, nos rins, nos nervos e, a longo prazo, no coração. Em jejum, a glicemia deve ficar entre 80 e 130 mg/dL. Duas horas após a refeição, abaixo de 180 mg/dL.
Por que a meta muda de uma pessoa para outra?
Nos grandes estudos, o controle muito rígido em pessoas com doença cardiovascular ou vários fatores de risco aumentou as hipoglicemias e os eventos cardiovasculares. Por isso a SBD individualiza. Idosos com boa saúde física e mental podem ter meta entre 7,0% e 7,5%. Com fragilidade, perda cognitiva ou doenças que limitam a expectativa de vida, a meta passa a ser abaixo de 8,5%. A sua meta é definida na consulta.
Como é o tratamento do diabetes?
Pela diretriz de tratamento da SBD (2024), cuidar do tipo 2 vai além da glicose: inclui proteger coração e rins e controlar o peso. A combinação é decidida na consulta, e nenhum remédio deve ser iniciado, trocado ou suspenso por conta própria.
Estilo de vida
É a base em todas as fases: alimentação com foco no peso, exercício, menos tempo sentado, sono adequado, parar de fumar e controlar o estresse. No tipo 2, o Ministério da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos semanais de caminhada moderada ou intensa e exercícios de força duas a três vezes por semana. Com excesso de peso, a meta mínima é perder 5% do peso.
Classes de medicamentos
- Metformina. É a primeira opção medicamentosa na maioria das pessoas com tipo 2, pelo protocolo do Ministério da Saúde. Reduz a produção de glicose pelo fígado, com baixo risco de hipoglicemia.
- Inibidores de SGLT2. Aumentam a eliminação de glicose pela urina. Em quem tem doença cardiovascular, reduzem eventos cardíacos e internações por insuficiência cardíaca e ajudam a preservar os rins, segundo o mesmo protocolo.
- Agonistas do receptor de GLP-1. Aumentam a liberação de insulina conforme a glicose sobe e ajudam a perder peso. A SBD recomenda essa classe no tipo 2 com obesidade.
- Insulina. No tipo 1, é necessária desde o diagnóstico ou pouco depois (SBD, 2023). No tipo 2, entra, por exemplo, com HbA1c acima de 9% e sintomas de glicose alta (SBD, 2024).
No risco cardiovascular alto ou muito alto, a SBD recomenda um inibidor de SGLT2 ou um agonista de GLP-1, qualquer que seja a HbA1c. Nesses pacientes, essas classes reduziram eventos cardiovasculares em 10% e 14%, respectivamente.
Como prevenir e rastrear as complicações?
Com o tempo, a glicose alta lesa vasos pequenos (retina, rins e nervos) e grandes (coração, cérebro e pernas). Para o tipo 2, o protocolo do Ministério da Saúde prevê:
| O que avaliar | Como | Quando |
|---|---|---|
| Retina | Fundo de olho com pupila dilatada | Ao diagnóstico e todo ano |
| Rins | Creatinina no sangue e albumina na urina | Ao diagnóstico e todo ano |
| Pés | Pele, pulsos, reflexos e sensibilidade | Ao diagnóstico e todo ano |
| Colesterol e triglicérides | Exame de sangue | Ao diagnóstico e todo ano |
Outros pontos do protocolo:
- Rins. No tipo 1, o rastreio renal começa cinco anos após o diagnóstico.
- Pés. O pé diabético responde por 40% a 70% das amputações não traumáticas de pernas e pés. Olhar os pés e os calçados todo dia e não andar descalço fazem parte do autocuidado.
- Coração. A doença cardiovascular aterosclerótica é a principal causa de adoecimento e morte no tipo 2, e o risco deve ser reavaliado todo ano. Segundo a SBD (2023), o tipo 2 aumenta de duas a quatro vezes a incidência de doença cardiovascular e de AVC isquêmico.
Por que colesterol e triglicérides importam no diabetes?
O controle das gorduras do sangue faz parte das metas do tratamento, segundo o Ministério da Saúde. No tipo 2, a alteração mais comum é o aumento dos triglicérides. O LDL costuma ficar parecido com o de quem não tem diabetes (SBD, 2023).
A meta de LDL segue o risco cardiovascular, que a SBD estima pela idade e por outros fatores:
- risco baixo ou intermediário: abaixo de 100 mg/dL;
- risco alto: abaixo de 70 mg/dL;
- risco muito alto: abaixo de 50 mg/dL.
Pela mesma diretriz, as estatinas têm a maior evidência de benefício cardiovascular e costumam ser o primeiro passo. Com triglicérides acima de 200 mg/dL, a meta passa a ser o colesterol não-HDL. Entre 150 e 880 mg/dL, a recomendação é ajustar alimentação e estilo de vida para baixar os triglicérides e prevenir pancreatite.
Como é a consulta de diabetes em Teresina?
A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), com título de especialista pela SBEM, e professora de Endocrinologia na UniFacid. Atende mulheres e homens adultos com diabetes tipo 1, tipo 2 e pré-diabetes.
A consulta é particular e dura cerca de uma hora, com revisão da história, dos exames e dos remédios, definição das metas e do calendário de rastreio. O retorno está incluso. No presencial, a bioimpedância também faz parte da consulta.
O consultório fica em Teresina, no Instituto Essência, no Jóquei (Edifício Prof. Carlos Daniel). Para quem mora em outras cidades, há teleconsulta.