Hipoglicemia: sintomas, causas e o que fazer

Hipoglicemia é a glicose no sangue abaixo de 70 mg/dL. Os sinais mais comuns são tremor, suor, fome, coração acelerado e confusão. Quem está acordado e consegue engolir deve seguir a regra dos 15: ingerir 15 g de açúcar de absorção rápida, esperar 15 minutos e medir de novo, repetindo se continuar baixa. Se a pessoa estiver sonolenta, desmaiada, em convulsão ou sem conseguir engolir, não dê nada pela boca: chame o SAMU (192) e aplique glucagon, se houver.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

Hipoglicemia é o nome dado à glicose baixa no sangue. Ela aparece com mais frequência em quem trata o diabetes com insulina ou com alguns comprimidos que estimulam o pâncreas, mas também pode acontecer, raramente, em pessoas sem diabetes.

Quem tem risco, e quem convive com essa pessoa, precisa saber reconhecer os sinais cedo, corrigir a glicose e perceber a hora de pedir ajuda.

O que é hipoglicemia e quais são os níveis?

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Americana de Diabetes (ADA) usam a mesma classificação, em três níveis:

Nível Glicose no sangue O que significa
1 De 54 a 69 mg/dL Já é relevante, mesmo sem sintomas, e pede correção
2 Abaixo de 54 mg/dL Mais grave. É quando começam os sintomas de falta de glicose no cérebro, e a correção precisa ser imediata
3 Qualquer valor Alteração mental ou física em que a pessoa precisa da ajuda de outra para se recuperar

Para quem usa sensor de glicose, a SBD recomenda que o tempo abaixo de 70 mg/dL fique em menos de 4% do dia (cerca de 1 hora) e o tempo abaixo de 54 mg/dL, em menos de 1% (cerca de 15 minutos).

Quais são os sintomas de hipoglicemia?

Segundo a SBD, os sinais mais comuns são tremor, irritabilidade, confusão, coração acelerado (taquicardia), suor e fome. Uma revisão publicada em 2025 no Journal of Clinical Medicine separa os sintomas em dois grupos:

Algumas pessoas deixam de sentir os primeiros sinais. É a chamada percepção reduzida da hipoglicemia. Segundo o material do Departamento de Enfermagem da SBD, ela está associada a um risco seis vezes maior de hipoglicemia grave.

O que fazer na hipoglicemia? A regra dos 15

Para quem está acordado e consegue engolir, a SBD e a ADA orientam a regra dos 15:

  1. Confirme, se puder. Meça a glicose no glicosímetro. Sem aparelho por perto, o material de enfermagem da SBD orienta não adiar o tratamento.
  2. Ingira 15 g de carboidrato de absorção rápida. Exemplos citados pela SBD: uma colher de sopa de açúcar em meio copo de água, 3 balas moles, uma colher de sopa de mel, 150 mL de refrigerante comum, um copo de suco de laranja integral ou um sachê de glicose.
  3. Espere 15 minutos e meça de novo. Segundo o mesmo material, essa quantidade costuma elevar a glicose em 30 a 40 mg/dL nesse intervalo.
  4. Repita se continuar baixa. A ADA recomenda repetir o tratamento se a hipoglicemia persistir 15 minutos depois.
  5. Evite uma nova queda. Com a glicose normalizada, a SBD sugere um lanche com fibras, proteína e gordura boa se a próxima refeição ainda for demorar mais de uma hora.

Na hipoglicemia de nível 2, a SBD orienta dobrar a quantidade, para 30 g de carboidrato. A ADA mantém 15 g para a maioria das pessoas.

O que não usar para corrigir

Chocolate, leite, doce de leite, biscoito recheado e alimentos integrais não servem para a correção. Gordura, proteína e fibra atrasam o esvaziamento do estômago e, com isso, a subida da glicose. A SBD e a ADA orientam usar carboidrato simples, de preferência glicose, sem misturar com outros alimentos nesse primeiro momento.

O plano de correção de cada pessoa, principalmente de crianças e de quem usa bomba de insulina, é definido em consulta.

Por que a hipoglicemia acontece em quem trata diabetes?

A ADA considera em risco quem usa insulina, sulfonilureias (comprimidos que estimulam o pâncreas a liberar insulina, como glibenclamida e gliclazida) ou meglitinidas. Com as outras classes de remédio para diabetes, hipoglicemia importante é rara.

A SBD cita como situações de risco o jejum, o exercício intenso e o atraso nas refeições. O material de enfermagem da SBD acrescenta:

A ADA aponta como fatores de maior peso um episódio de nível 2 ou 3 nos últimos 3 a 6 meses, o tratamento intensivo com insulina, a percepção reduzida da hipoglicemia, a doença renal em estágio terminal e a demência. Um episódio grave no passado é o que mais prevê o próximo.

A mesma diretriz recomenda glucagon prescrito para todas as pessoas que usam insulina. O glucagon é um hormônio que eleva a glicose e pode ser aplicado por familiares treinados. Para quem tem risco alto, a ADA recomenda que o médico reduza ou troque os remédios que causam hipoglicemia. Não mude doses por conta própria.

Hipoglicemia em quem não tem diabetes: como investigar?

Em adultos sem diabetes, a hipoglicemia verdadeira é rara, segundo a revisão de 2025 do Journal of Clinical Medicine. Nessas pessoas, os sintomas costumam surgir com a glicose em torno de 55 mg/dL.

O ponto de partida é confirmar a chamada tríade de Whipple:

  1. sintomas compatíveis com hipoglicemia;
  2. glicose baixa medida por um método confiável;
  3. melhora dos sintomas quando a glicose volta ao normal.

A mesma revisão lembra que glicosímetros domésticos perdem precisão na faixa baixa e que sensores podem mostrar valores falsamente baixos quando ficam comprimidos, por exemplo, ao dormir sobre eles.

Confirmada a hipoglicemia, os autores dividem as causas em dois grupos:

A conversa vem primeiro: remédios, suplementos, álcool, horário dos sintomas e relação com as refeições. Exames colhidos durante o episódio, como glicose, insulina e peptídeo C, ajudam a separar os dois grupos. Quando há suspeita de insulinoma, a revisão cita o jejum supervisionado de até 72 horas como etapa padrão.

Quando a hipoglicemia é uma emergência?

É emergência quando a pessoa precisa da ajuda de outra para se recuperar, a hipoglicemia de nível 3. Segundo a ADA, esse episódio pode evoluir para perda de consciência, convulsão, coma e morte.

Se a pessoa está confusa ou estranha, mas acordada e consegue engolir, ajude-a a tomar o açúcar da regra dos 15, como orienta o material de enfermagem da SBD. Se ela não melhorar, piorar ou ficar sonolenta, siga os passos abaixo.

Se a pessoa está sonolenta, desmaiada, em convulsão ou não consegue engolir:

  1. Ligue na hora para o SAMU (192). É o que a ADA orienta para quem não está alerta.
  2. Deite a pessoa de lado, como recomenda o material da SBD.
  3. Não ofereça comida nem bebida pela boca, pelo risco de engasgo, como orienta a SBD.
  4. Aplique o glucagon, se houver um prescrito e alguém treinado, sem esperar a ambulância.
  5. Quando ela acordar e conseguir engolir, ofereça açúcar e, depois, um lanche.

Depois de um episódio grave, o tratamento precisa ser revisto com o médico.

Quando procurar um endocrinologista?

Marque uma avaliação com endocrinologista se você tem hipoglicemias frequentes, já teve um episódio grave, deixou de sentir os sinais de alerta ou não tem diabetes e apresenta sintomas repetidos de glicose baixa. A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674) e atende no Instituto Essência, em Teresina, e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o tratamento de diabetes e a consulta.

Perguntas frequentes

Qual valor de glicose é considerado hipoglicemia?

Segundo a SBD e a ADA, glicose abaixo de 70 mg/dL já é hipoglicemia de nível 1. Abaixo de 54 mg/dL é nível 2, mais grave. O nível 3 é definido pela necessidade de ajuda de outra pessoa para se recuperar, seja qual for o número no glicosímetro.

Chocolate serve para corrigir hipoglicemia?

Não é o mais indicado. A SBD orienta usar carboidrato simples, sem gordura, proteína ou fibra, porque esses nutrientes atrasam a subida da glicose. Chocolate, leite, biscoito recheado e alimentos integrais ficam para depois, no lanche que ajuda a evitar uma nova queda.

Quem não tem diabetes pode ter hipoglicemia?

Pode, mas é raro. O primeiro passo é confirmar a tríade de Whipple: sintomas, glicose baixa medida por método confiável e melhora quando a glicose sobe. Confirmado o quadro, o médico investiga causas como remédios, álcool, doenças graves, falta de cortisol e excesso de insulina.

O que fazer se a pessoa com hipoglicemia desmaiar?

Ligue na hora para o SAMU (192) e deite a pessoa de lado. Não ofereça comida nem bebida pela boca, pelo risco de engasgo. Se houver glucagon prescrito e alguém treinado, aplique enquanto a ajuda chega. Quando ela acordar e conseguir engolir, ofereça açúcar e, depois, um lanche, como orientam a SBD e a ADA.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. Sociedade Brasileira de Diabetes. Metas de controle glicêmico. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026).
  2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Hipoglicemia: como tratar e evitar? (2023).
  3. Sociedade Brasileira de Diabetes, Departamento de Enfermagem. Orientações sobre hipoglicemia para profissionais de saúde (2023).
  4. American Diabetes Association (Diabetes Care). 6. Glycemic Goals, Hypoglycemia, and Hyperglycemic Crises: Standards of Care in Diabetes 2026 (2026).
  5. Journal of Clinical Medicine. Non-Diabetic Hypoglycemia: Evaluation and Management in Adults (2025).