Diabetes gestacional: diagnóstico, riscos e cuidados

Diabetes gestacional é a glicose alta que aparece pela primeira vez na gravidez. No Brasil, o rastreamento começa com a glicemia de jejum na primeira consulta de pré-natal: valores de 92 a 125 mg/dL já indicam o diagnóstico. Quem tem resultado normal faz a curva glicêmica com 75 g de glicose entre 24 e 28 semanas. O tratamento começa com alimentação e atividade física, e a insulina é o remédio de primeira escolha quando necessário.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

O diabetes gestacional é a elevação da glicose que surge durante a gravidez em mulheres sem diagnóstico anterior de diabetes. É uma alteração frequente: segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), cerca de 16% dos nascidos vivos vêm de gestações com alguma forma de glicose alta. O consenso brasileiro de 2016 estima a prevalência de diabetes gestacional no SUS em torno de 18%, com os critérios atuais.

O diagnóstico depende de exames simples do pré-natal, e o tratamento reduz as complicações para a mãe e para o bebê. O cuidado também continua depois do parto, porque o risco de diabetes no futuro aumenta.

Como é feito o rastreamento do diabetes gestacional?

No Brasil, o rastreamento segue o consenso da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), da Febrasgo, da SBD e do Ministério da Saúde, publicado em 2016 e adotado pela diretriz atual da SBD. Ele acontece em dois momentos.

Na primeira consulta de pré-natal

Todas as gestantes fazem glicemia de jejum. Segundo a SBD:

A SBD considera que a hemoglobina glicada também pode ser pedida nessa primeira consulta. Valores de 6,5% ou mais indicam diabetes.

Entre 24 e 28 semanas

A gestante faz o teste oral de tolerância à glicose (TOTG), conhecido como curva glicêmica. Ela colhe sangue em jejum, toma 75 g de glicose e colhe de novo depois de 1 e 2 horas. Segundo a SBD, basta um valor alterado para o diagnóstico:

Momento da coleta Valor que indica diabetes gestacional
Jejum De 92 a 125 mg/dL
1 hora 180 mg/dL ou mais
2 horas De 153 a 199 mg/dL

Se o jejum der 126 mg/dL ou mais ou o valor de 2 horas der 200 mg/dL ou mais, a SBD e o consenso brasileiro orientam considerar diabetes diagnosticado na gestação, e não diabetes gestacional.

Onde a curva não está disponível, o consenso de 2016 prevê repetir a glicemia de jejum entre 24 e 28 semanas. O documento estima que essa estratégia detecta 86% dos casos.

Quais são os riscos para a mãe e o bebê?

O estudo HAPO, descrito no consenso brasileiro, mostrou que quanto maior a glicose da mãe, maior a frequência de:

A Associação Americana de Diabetes (ADA) acrescenta que a exposição à glicose alta no útero aumenta o risco de obesidade, pressão alta e diabetes tipo 2 no filho ao longo da vida.

Tratar faz diferença. A SBD cita um estudo randomizado com gestantes com diabetes gestacional leve em que o tratamento reduziu os bebês macrossômicos de 14,3% para 5,9%, a distocia de ombro (quando o ombro do bebê fica preso no parto) de 4,0% para 1,5% e as cesáreas de 33,8% para 26,9%.

Como é o tratamento do diabetes gestacional?

Alimentação e atividade física

Segundo a ADA, o tratamento começa com orientação nutricional, atividade física e controle do ganho de peso. Com essas medidas, de 70% a 85% das gestantes com diabetes gestacional atingem o controle, dependendo do critério de diagnóstico usado. Para gestantes saudáveis, a ADA recomenda pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, distribuídos ao longo da semana.

Monitorização da glicose

A gestante mede a glicose em casa, em jejum e depois das refeições. As metas da SBD são:

Quando a insulina entra

A SBD recomenda a insulina como primeira escolha de remédio para o diabetes gestacional. O início pode ser considerado quando duas ou mais medidas ficam acima da meta após 7 a 14 dias de dieta e atividade física. O crescimento do bebê no ultrassom também pode pesar na decisão.

A ADA lembra que a metformina e a glibenclamida atravessam a placenta e não devem ser a primeira opção. A SBD admite a metformina como alternativa quando a insulina não é viável, desde que não haja contraindicação. Tipo de remédio e dose são decisões individuais da equipe que acompanha a gestação.

O que muda depois do parto?

O diabetes gestacional pode esconder um pré-diabetes ou diabetes que já existia, segundo a ADA. Por isso, a reavaliação depois do parto é parte do tratamento.

O consenso brasileiro recomenda refazer a curva glicêmica com 75 g cerca de 6 semanas após o parto:

Resultado Classificação
Jejum abaixo de 100 mg/dL e 2 horas abaixo de 140 mg/dL Normal
Jejum de 100 a 125 mg/dL Glicemia de jejum alterada
2 horas de 140 a 199 mg/dL Intolerância à glicose
Jejum de 126 mg/dL ou mais, ou 2 horas de 200 mg/dL ou mais Diabetes

Glicemia de jejum alterada e intolerância à glicose são as duas formas de pré-diabetes. A ADA indica a mesma curva entre 4 e 12 semanas após o parto. O consenso orienta não usar a hemoglobina glicada nessa fase, porque ela não é validada para o diagnóstico no pós-parto. Se o resultado for normal, a avaliação passa a ser anual. A ADA recomenda acompanhamento por toda a vida, a cada 1 a 3 anos.

O cuidado se justifica pelos números. Segundo a ADA, o risco de diabetes tipo 2 após o diabetes gestacional cresce ao longo da vida e chega a cerca de 20% em 10 anos e 60% em 50 anos. A mesma entidade informa que a amamentação reduz esse risco.

Quando procurar um endocrinologista?

Vale buscar um endocrinologista se você teve diabetes gestacional e não refez os exames depois do parto, se planeja uma nova gravidez ou se o controle da glicose está difícil durante a gestação, sempre em conjunto com o obstetra. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende presencialmente e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o tratamento de diabetes e a consulta.

Perguntas frequentes

Diabetes gestacional passa depois do parto?

O diagnóstico é revisto depois do parto, mas o risco não desaparece. Segundo a ADA, quem teve diabetes gestacional tem risco cerca de 10 vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2. Por isso, o consenso brasileiro recomenda refazer a curva glicêmica cerca de 6 semanas após o parto e manter avaliações anuais.

Quem tem diabetes gestacional precisa usar insulina?

Nem sempre. Segundo a ADA, de 70% a 85% das gestantes conseguem controlar a glicose só com alimentação e atividade física, dependendo do critério de diagnóstico usado. Quando as metas não são atingidas, a SBD recomenda a insulina como primeira escolha de remédio.

Diabetes gestacional faz mal ao bebê?

A glicose alta na gravidez se associa a bebê grande, cesárea, hipoglicemia no recém-nascido e pré-eclâmpsia, segundo o estudo HAPO descrito no consenso brasileiro. O tratamento reduz esses riscos. A SBD cita um estudo em que os bebês macrossômicos caíram de 14,3% para 5,9% com o tratamento.

Posso usar metformina em vez de insulina na gravidez?

A SBD e a ADA colocam a insulina como primeira escolha. A metformina atravessa a placenta e, segundo a SBD, é uma alternativa quando a insulina não é viável e não há contraindicação. Qualquer decisão sobre remédios na gestação é tomada pela equipe que acompanha o pré-natal.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026).
  2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Tratamento farmacológico do diabetes na gestação. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026).
  3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Planejamento, metas e monitorização do diabetes durante a gestação. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026).
  4. OPAS, Febrasgo, Sociedade Brasileira de Diabetes e Ministério da Saúde. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil (2016).
  5. American Diabetes Association (Diabetes Care). 15. Management of Diabetes in Pregnancy: Standards of Care in Diabetes 2026 (2026).