A tireoide é uma glândula pequena, na frente do pescoço, que produz os hormônios T4 e T3. Eles ajudam a regular batimentos, temperatura, intestino, disposição e peso. Quem comanda essa produção é o TSH, liberado pela hipófise: quando a tireoide produz pouco, o TSH sobe; quando produz demais, ele cai.
Quais sintomas sugerem hipotireoidismo ou hipertireoidismo?
Os sintomas são pouco específicos, e a diretriz latino-americana de hipotireoidismo lembra que nenhum sinal isolado confirma o diagnóstico. Quem decide é o exame de sangue. A tabela reúne sinais descritos nessa diretriz e no consenso brasileiro de hipertireoidismo da SBEM.
| Aspecto | Hipotireoidismo | Hipertireoidismo |
|---|---|---|
| Sintomas comuns | Cansaço, frio, pele seca, intestino preso, ganho de peso, queda de cabelo, rouquidão, esquecimento, inchaço no rosto | Coração acelerado, tremor, ansiedade, oscilação de humor, perda de peso (às vezes ganho, pelo apetite maior), mãos úmidas |
| TSH | Alto | Baixo, em geral abaixo de 0,1 mUI/L (SBEM) |
| T4 livre | Baixo, ou normal na forma subclínica | Alto; no início, às vezes só o T3 sobe |
| Causa mais comum | Tireoidite de Hashimoto | Doença de Graves |
| Exames para achar a causa | Anti-TPO e ultrassom | Captação de iodo e, em casos selecionados, TRAb |
Em idosos, o hipertireoidismo pode aparecer mais como arritmia, falta de ar e fraqueza, segundo a SBEM. Cansaço e mudança de humor também se confundem com queixas da menopausa, e o TSH ajuda a separar as causas.
Quais exames avaliam a tireoide?
- TSH: é o primeiro exame, segundo a diretriz latino-americana. O consenso brasileiro da SBEM considera normal, em adultos, o TSH entre 0,4 e 4,5 mU/L. Cada laboratório informa a própria faixa, e idosos e gestantes têm valores diferentes.
- T4 livre: completa a avaliação e separa as formas clínicas das subclínicas.
- Anticorpo anti-TPO: mostra autoimunidade contra a tireoide e aparece em quase todas as pessoas com Hashimoto (diretriz latino-americana). Positivo com TSH normal indica mais chance de hipotireoidismo no futuro, não doença instalada.
- Ultrassom: mostra tamanho, textura e nódulos. Não é exame de rotina para todos. Nos nódulos, é a base da decisão sobre a punção.
- Punção aspirativa por agulha fina (PAAF): retira células do nódulo com uma agulha fina, muitas vezes guiada por ultrassom. O laudo usa o Sistema Bethesda, com seis categorias, segundo a American Thyroid Association (ATA).
- Cintilografia: a ATA indica quando há nódulo e TSH baixo. Nódulos hiperfuncionantes, os chamados quentes, raramente são malignos e dispensam punção.
O que é hipotireoidismo e qual a relação com Hashimoto?
Hipotireoidismo é a falta de hormônio tireoidiano. A causa mais frequente é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune crônica em que o sistema imune agride a tireoide aos poucos (diretriz latino-americana). Cirurgia, iodo radioativo e tireoidites passageiras, como a do pós-parto, também podem causar o problema.
Na forma clínica, o TSH está alto e o T4 livre, baixo. Na subclínica, o TSH sobe com T4 livre normal. Essa segunda forma é comum: o consenso brasileiro estima que atinja de 4% a 10% da população geral, com mais casos em mulheres e idosos. Se o peso é sua maior queixa, veja também a página de emagrecimento e obesidade.
Como tomar a levotiroxina do jeito certo?
A levotiroxina repõe o hormônio que falta e é o medicamento de escolha no hipotireoidismo (diretriz latino-americana). A dose é individual e definida na consulta. O modo de tomar também conta, porque comida, bebida e outros remédios mudam a absorção.
- Em jejum, com água. A diretriz latino-americana recomenda pelo menos 2 horas de jejum antes e 30 minutos de espera para comer. A ATA considera ideal tomar 60 minutos antes do café da manhã, ou ao deitar, 3 horas ou mais após o jantar.
- Café só depois. A ATA cita estudos em que o café tomado junto com o comprimido reduziu a absorção.
- Cálcio e ferro em outro horário. Carbonato de cálcio e sulfato ferroso atrapalham a absorção. A ATA recomenda separar os horários; o intervalo tradicional é de 4 horas, embora pouco testado.
- TSH de controle. A diretriz latino-americana recomenda novo exame 6 a 8 semanas após cada mudança de dose e, depois de estável, uma vez por ano. Trocar de fabricante ou de formulação também pede novo TSH, segundo a ATA.
Não mude a dose nem suspenda o remédio por conta própria.
Como é tratado o hipertireoidismo?
A causa mais comum é a doença de Graves, segundo o consenso brasileiro da SBEM. Nela, anticorpos chamados TRAb estimulam a tireoide a trabalhar sem parar, às vezes com bócio e alterações nos olhos. Nódulos autônomos e tireoidites também causam hipertireoidismo, e o tratamento muda conforme a causa. Enquanto o quadro é investigado, betabloqueadores aliviam palpitação e tremor. Para a doença de Graves, o consenso descreve três caminhos.
Medicamentos antitireoidianos
O metimazol é a opção habitual. O propiltiouracil fica para casos como hipertireoidismo grave e primeiro trimestre da gestação. O uso dura de 12 a 24 meses, com remissão em 30% a 50% dos casos, segundo a SBEM. Febre ou dor de garganta durante o tratamento pedem contato imediato com a médica, porque podem sinalizar queda dos glóbulos brancos, um efeito raro.
Iodo radioativo
É tomado por via oral. O consenso da SBEM relata resposta satisfatória em cerca de 80% a 90% dos casos, muitas vezes com hipotireoidismo depois, tratado com levotiroxina. É contraindicado na gestação e na amamentação e deve ser evitado por quem planeja engravidar nos 4 a 6 meses seguintes.
Cirurgia
A retirada total da tireoide controla o quadro de forma rápida. É indicada, por exemplo, em bócio grande com compressão, nódulo suspeito ou intolerância aos medicamentos. A reposição de levotiroxina começa no dia seguinte.
A escolha leva em conta as características de cada pessoa e a preferência de médica e paciente, como orienta o consenso.
Nódulo na tireoide é câncer?
Na grande maioria das vezes, não. Segundo a ATA, cerca de 5% das mulheres e 1% dos homens têm nódulo palpável, e o ultrassom encontra nódulos em 19% a 68% das pessoas. O câncer aparece em 7% a 15% dos casos, conforme idade, sexo, exposição à radiação e histórico familiar.
Quando a punção é indicada?
A ATA classifica o nódulo no ultrassom em padrões de suspeita: alta, intermediária, baixa, muito baixa e benigno. Nódulo sólido hipoecoico, margens irregulares, microcalcificações e formato mais alto que largo elevam a suspeita. Alguns laudos usam sistemas de pontos, como o TI-RADS, com lógica parecida. Pela ATA, a punção é recomendada para:
- nódulos de 1 cm ou mais com suspeita alta ou intermediária;
- nódulos de 1,5 cm ou mais com baixa suspeita;
- nódulos de 2 cm ou mais com muito baixa suspeita, como os espongiformes. Nesse grupo, apenas observar também é uma opção.
Cistos puros não precisam de punção. Os demais nódulos seguem com ultrassom periódico.
Como fica a tireoide na gestação?
Na gravidez, o TSH considerado normal fica mais baixo, sobretudo no primeiro trimestre, como descreve o consenso brasileiro de hipotireoidismo subclínico. Em 2026, SBEM e Febrasgo atualizaram as orientações brasileiras com base na nova diretriz da ATA, publicada em junho. Os pontos principais, segundo a Agência Brasil:
- o Brasil mantém o rastreamento de todas as gestantes desde o início da gravidez;
- com TSH entre 4,0 e 10 mUI/L, o tratamento se concentra no primeiro trimestre. Depois dele, a conduta é acompanhar, salvo TSH acima de 10 mUI/L;
- anti-TPO positivo com tireoide funcionando normalmente não justifica levotiroxina preventiva, mas pede acompanhamento;
- quem já tinha hipotireoidismo costuma precisar de dose cerca de 30% maior assim que engravida.
Se você trata a tireoide e pensa em engravidar, converse antes com sua endocrinologista.
Como é a consulta de tireoide em Teresina?
A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista, com título de especialista pela SBEM, e professora de Endocrinologia na UniFacid. A consulta particular dura cerca de 1 hora. Ela revisa sintomas, histórico, remédios e exames anteriores, examina o pescoço e pede o que faltar. O retorno está incluso.
Em Teresina, o atendimento presencial é no Instituto Essência, no Jóquei, com bioimpedância inclusa. Para quem mora em outras cidades, há teleconsulta. Veja como funciona a consulta.