A osteoporose raramente dá sinal antes de um osso quebrar. Muita gente só descobre o problema ao fraturar o punho numa queda da própria altura. O risco pode ser medido antes disso, e existe tratamento para diminuí-lo. Segundo a International Osteoporosis Foundation (IOF), a doença atinge uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos no mundo.
O que é osteoporose e o que é osteopenia?
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Osteoporose, do Ministério da Saúde, descreve a doença como perda de massa óssea com deterioração da estrutura interna do osso. O esqueleto fica frágil e quebra com traumas pequenos.
O diagnóstico usa a densitometria óssea, que compara a densidade do seu osso com a de um adulto jovem saudável. O resultado sai como T-score, em desvios-padrão. A classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), reproduzida pela IOF, é esta:
| T-score na densitometria | Classificação |
|---|---|
| -1,0 ou acima | Normal |
| Entre -1,0 e -2,5 | Osteopenia (baixa massa óssea) |
| -2,5 ou abaixo | Osteoporose |
| -2,5 ou abaixo, com fratura por fragilidade | Osteoporose grave |
Na leitura do laudo:
- Segundo o PCDT, o T-score vale para mulheres após a menopausa e homens acima de 50 anos.
- Uma fratura por fragilidade, num trauma que não quebraria um osso normal, já caracteriza osteoporose, qualquer que seja o T-score.
- O PCDT lembra que a maior parte das fraturas acontece em pessoas com osteopenia, porque há muito mais gente nessa faixa.
Por que a osteoporose não dói até a fratura?
A IOF resume: a osteoporose não tem sintomas evidentes. Muitas vezes, o primeiro sinal é a própria fratura.
Pelo PCDT, fraturas de vértebra muitas vezes são assintomáticas; os indícios são dor nas costas persistente e perda de altura maior que 4 cm. No estudo brasileiro BRAZOS, citado no protocolo, a maioria das pessoas que já tinham tido fratura por osteoporose não sabia da fragilidade dos ossos.
A primeira fratura pede atenção porque, segundo a IOF, é um fator de risco importante para a próxima. A de quadril é a mais grave: o PCDT registra aumento de 12% a 20% na mortalidade nos dois anos seguintes.
Quem tem mais risco de osteoporose?
Os fatores abaixo aparecem na diretriz brasileira de 2017 (Radominski e colaboradores, Revista Brasileira de Reumatologia) e no PCDT:
- Menopausa, sobretudo antes dos 40 anos. Veja menopausa e reposição hormonal.
- Idade, em mulheres e homens.
- Corticoide oral: 5 mg ou mais de prednisona por dia, por mais de três meses, segundo a diretriz.
- Baixo peso.
- Tabagismo, atual ou passado.
- Álcool: três doses ou mais por dia, pela diretriz.
- Histórico familiar, em especial pai ou mãe com fratura de quadril.
- Fratura anterior em trauma leve.
- Doenças endócrinas: hiperparatireoidismo, hipertireoidismo, síndrome de Cushing, hipogonadismo e diabetes. Problemas de tireoide entram aqui.
- Remédios como inibidores de aromatase, análogos de GnRH e anticonvulsivantes.
- Sedentarismo e pouco cálcio na alimentação.
Quando fazer a densitometria óssea?
Pelo PCDT, o exame é indicado para:
- mulheres a partir dos 65 anos;
- homens a partir dos 70 anos;
- pessoas mais jovens com fatores de risco, como baixo peso, fratura prévia, uso de medicamentos ou doenças que afetam o osso.
O exame avalia coluna lombar e fêmur; no hiperparatireoidismo, o PCDT cita o antebraço como opção.
O que é o FRAX e para que ele serve?
A densitometria mostra quanto osso você tem, mas idade, fraturas e hábitos também pesam. O FRAX junta essas peças. É uma calculadora online que estima a probabilidade de fratura em 10 anos, com dois resultados: fratura osteoporótica maior (quadril, coluna, úmero ou punho) e fratura de quadril. Segundo o PCDT, vale para pessoas de 40 a 90 anos e combina idade, sexo e peso com fatores de risco como os da lista acima. A densidade do colo do fêmur é opcional.
O Brasil tem modelo próprio, lançado em 2013 e recalculado com dados mais recentes, conforme artigo de Albergaria e colaboradores publicado em 2023. A calculadora brasileira está no site da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO).
O FRAX muda decisões. Pelo PCDT, osteopenia com FRAX acima do limiar de intervenção já conta como risco alto e pode justificar remédio. Osteopenia com FRAX baixo e sem fraturas fica na faixa de risco baixo a moderado, com foco em prevenção.
Como a osteoporose é tratada?
O objetivo é reduzir fraturas. Pelo PCDT, cálcio, vitamina D e medidas sem remédio valem para todos os casos.
Cálcio e vitamina D
O cálcio vem primeiro da comida, como leite, iogurte e queijo. O PCDT recomenda, em geral, de 1.000 a 1.200 mg de cálcio elementar por dia e alerta para o excesso de suplemento, acima de 1.400 mg por dia. O comprimido entra quando a dieta não basta.
A vitamina D ajuda o intestino a absorver o cálcio. O ideal é dosar a 25-hidroxivitamina D antes de repor; a dose é definida na consulta.
Exercício
Segundo o PCDT, exercícios com carga, como caminhar e fortalecer os músculos, podem ajudar a ganhar e preservar massa óssea. A diretriz brasileira acrescenta que a atividade física supervisionada aumenta força e equilíbrio e reduz quedas.
Medicamentos
Com risco alto de fratura, o tratamento costuma incluir remédio:
- Bisfosfonatos: pelo PCDT, a classe mais usada; os orais são a primeira escolha. Freiam a reabsorção do osso. Após cinco anos de uso oral, o protocolo admite pausa de um a dois anos em alguns casos.
- Denosumabe: anticorpo que bloqueia o RANK-L, proteína que estimula a reabsorção óssea. É aplicado a cada seis meses. Pela diretriz brasileira, parar sem outro tratamento pode reverter o ganho, e ele não admite "férias".
- Teriparatida: agente anabólico derivado do paratormônio, que estimula a formação de osso novo. Segundo a diretriz, é aprovada para alto risco de fratura ou falha de outros tratamentos e deve ser seguida de outro remédio para manter o ganho.
Há ainda raloxifeno, terapia hormonal e romosozumabe, com indicações específicas. A escolha depende do risco, da função renal e de outras doenças, e é feita na consulta.
Como prevenir quedas em casa?
O PCDT destaca a forte relação entre quedas e fraturas. O protocolo e a diretriz brasileira recomendam:
- tapetes antiderrapantes e barras de apoio no banheiro;
- tirar tapetes soltos e evitar pisos escorregadios;
- boa iluminação e cuidado com escadas;
- revisar remédios que dão sono ou tontura;
- corrigir problemas de visão e audição;
- manter exercícios de força e equilíbrio.
O que a endocrinologista investiga na osteoporose?
Nem toda osteoporose vem só da idade. O PCDT estima que causas secundárias (outra doença ou um medicamento) respondem por cerca de 30% dos casos em mulheres após a menopausa e por 50% a 55% em homens.
A endocrinologia cuida do sistema que regula o cálcio: vitamina D, paratormônio (PTH), tireoide e hormônios sexuais. Entre os exames listados no PCDT estão cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, creatinina, PTH, TSH, T4 livre, 25-hidroxivitamina D e cálcio na urina de 24 horas.
Vitamina D e paratireoide
Com pouca vitamina D, o intestino absorve menos cálcio. As paratireoides respondem com mais PTH, que retira cálcio do osso para manter o nível no sangue: é o hiperparatireoidismo secundário. Em mulheres com osteoporose, a diretriz brasileira recomenda vitamina D acima de 30 ng/mL, entre outros motivos, para preveni-lo.
No hiperparatireoidismo primário, a própria glândula produz PTH em excesso, e a perda óssea pede investigação e tratamento próprios.
Como funciona o atendimento em Teresina?
A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista, com título de especialista pela SBEM, e professora de Endocrinologia na UniFacid. Atende mulheres e homens adultos no Instituto Essência, no Jóquei, em Teresina.
A consulta é particular e dura cerca de 1 hora. A médica revisa fraturas, remédios, histórico familiar e exames, calcula o FRAX quando cabe e investiga causas secundárias. O retorno está incluso, assim como a bioimpedância, feita no atendimento presencial.
Para quem mora em outras cidades, há teleconsulta. Tenha em mãos as densitometrias anteriores para comparação.