Síndrome dos ovários policísticos (SOP): sintomas, diagnóstico e tratamento

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um distúrbio hormonal comum em mulheres em idade reprodutiva. O diagnóstico exige dois de três achados: ciclos irregulares, excesso de hormônios masculinos (no exame de sangue ou em sinais como pelos e acne) e ovários com aspecto policístico no ultrassom, depois de excluir outras causas. O tratamento depende do objetivo: regular o ciclo, cuidar da pele, engravidar ou reduzir riscos metabólicos.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

Ciclo que atrasa semanas, pelos que surgem no rosto, acne que não passa depois da adolescência. Esses sinais levam muitas mulheres ao consultório e, com frequência, a resposta é a síndrome dos ovários policísticos, conhecida pela sigla SOP.

A diretriz internacional publicada em 2023 estima que a SOP atinge de 10% a 13% das mulheres em idade reprodutiva, com números parecidos em todas as regiões do mundo. Apesar de comum, a SOP se apresenta de formas bem diferentes de uma mulher para outra, como descreve o protocolo do Ministério da Saúde.

O que é a síndrome dos ovários policísticos?

A SOP é um distúrbio hormonal. O ovário e outras glândulas produzem mais androgênios, os hormônios chamados de “masculinos”, e a ovulação fica irregular ou deixa de acontecer. O protocolo do Ministério da Saúde descreve a SOP como uma doença de causa multifatorial, com influência genética e ambiental.

O nome engana. Os “cistos” vistos no ultrassom são folículos, pequenas bolsas que guardam os óvulos e que pararam de crescer, e algumas mulheres com SOP nem têm esse aspecto nos ovários.

A SOP vai mudar de nome?

Existe uma proposta. Em maio de 2026, um consenso global publicado na revista The Lancet, com participação da SBEM, propôs chamar a condição de síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP), para mostrar que ela envolve vários hormônios e o metabolismo, e não só os ovários. Segundo a SBEM, a troca deve acontecer aos poucos, ao longo de cerca de três anos, com atualização de diretrizes, prontuários e classificações de doenças. Na prática, o diagnóstico não muda: os critérios continuam os mesmos, e o que muda é a forma de nomear e comunicar a síndrome. Por isso, neste texto, seguimos usando SOP, o nome que você ainda vai encontrar em laudos e receitas.

Quais são os sintomas da SOP?

Os sinais mais comuns, segundo o protocolo do Ministério da Saúde, são:

Quando o excesso de pelos conta como sintoma?

Hirsutismo é o crescimento de pelos grossos e escuros em locais como buço, queixo, peito, abdome e costas. A diretriz de 2023 recomenda avaliá-lo por uma escala de pontos chamada Ferriman-Gallwey modificada, com corte entre 4 e 6 conforme a etnia. A mesma diretriz lembra que acne ou queda de cabelo isoladas, sem hirsutismo, são indicadores fracos de excesso de androgênios no sangue.

Como é feito o diagnóstico da SOP?

O diagnóstico segue os critérios de Rotterdam, de 2003, mantidos pela diretriz internacional de 2023. É preciso ter pelo menos dois dos três achados abaixo:

Critério O que a diretriz de 2023 considera
Ciclos irregulares Em adultas, ciclos com menos de 21 ou mais de 35 dias, ou menos de 8 ciclos por ano
Excesso de androgênios Sinais clínicos (hirsutismo) ou testosterona total e livre elevadas no exame
Ovários policísticos 20 ou mais folículos em pelo menos um ovário no ultrassom, ou hormônio antimülleriano (AMH) alto em adultas

A diretriz de 2023 trouxe mudanças práticas:

A SOP é um diagnóstico de exclusão. O protocolo do Ministério da Saúde lista condições que precisam ser descartadas antes, como alterações da tireoide, prolactina alta, síndrome de Cushing, hiperplasia adrenal congênita, tumores produtores de androgênios e uso de medicamentos que causam hirsutismo.

Qual a relação entre SOP, insulina e peso?

A resistência à insulina acontece quando o corpo precisa de mais insulina para manter a glicose normal. Segundo a SBEM, ela atinge de 50% a 70% das mulheres com SOP, independentemente do peso. O protocolo do Ministério da Saúde explica que resistência à insulina e obesidade não fazem parte dos critérios de diagnóstico, mas são achados frequentes e intensificam as manifestações da síndrome.

A diretriz de 2023 reconhece que muitas mulheres com SOP têm mecanismos que favorecem o ganho de peso ao longo dos anos. Ela também recomenda não pedir dosagem de insulina na rotina, porque os testes disponíveis têm pouca utilidade clínica. Em vez disso, orienta avaliar a glicemia de todas as mulheres no diagnóstico e repetir a cada 1 a 3 anos, conforme o risco. A curva glicêmica (teste oral de tolerância à glicose com 75 g) é apontada como o exame mais preciso.

Como é o tratamento da SOP?

Mudanças no estilo de vida, com alimentação saudável e atividade física, são recomendadas para todas as mulheres com SOP pela diretriz de 2023. O protocolo do Ministério da Saúde acrescenta que, em quem está acima do peso, perder de 5% a 10% do peso corporal está associado a melhora da gordura abdominal, do excesso de androgênios e das taxas de ovulação.

O restante do tratamento depende do objetivo principal:

Regular o ciclo e proteger o endométrio

O anticoncepcional hormonal combinado é uma opção para ciclos irregulares, segundo a diretriz de 2023. O protocolo do Ministério da Saúde inclui a proteção do endométrio (a camada interna do útero) entre os objetivos do tratamento, já que a SOP está associada a risco maior de hiperplasia e câncer de endométrio, segundo a diretriz de 2023.

Cuidar da pele e dos pelos

O anticoncepcional combinado também ajuda no hirsutismo. Os antiandrogênios, como a espironolactona, podem ser associados, sempre com um método contraceptivo eficaz, segundo a diretriz de 2023. Laser e luz pulsada podem ser considerados para reduzir pelos no rosto.

Engravidar

A diretriz de 2023 recomenda o letrozol como primeira opção de medicamento para induzir a ovulação em mulheres com SOP que não ovulam.

Cuidar do metabolismo

A metformina deve ser considerada em adultas com SOP e índice de massa corporal (IMC) a partir de 25 kg/m², segundo a diretriz de 2023. Medicamentos para obesidade podem ser considerados junto com as mudanças de estilo de vida. Qualquer escolha de remédio e dose é individual e feita em consulta.

Quais riscos a SOP traz a longo prazo?

A diretriz internacional de 2023 aponta que mulheres com SOP têm risco maior de:

A saúde emocional também entra na conta. A mesma diretriz recomenda rastrear depressão em adultas e adolescentes com SOP e ansiedade em adultas. Por isso o acompanhamento não termina quando o ciclo regulariza.

Quando procurar um endocrinologista?

Vale procurar avaliação se você tem ciclos irregulares, excesso de pelos, acne persistente ou dificuldade para engravidar, e também se já tem o diagnóstico de SOP e nunca avaliou glicemia, colesterol e pressão. A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674) e atende no Instituto Essência, em Teresina, e por teleconsulta. Se quiser avaliar seu caso, veja como funciona a consulta e conheça a Dra. Natália Brito.

Perguntas frequentes

SOP tem cura?

Segundo a SBEM, ainda não se conhece uma cura para a SOP. Os sintomas podem ser controlados e os riscos associados podem ser reduzidos com acompanhamento. O plano costuma mudar ao longo da vida, conforme o objetivo de cada fase.

Toda mulher com SOP tem cistos no ovário?

Não. O que o ultrassom mostra são folículos que pararam de crescer, e não cistos de verdade. Pela diretriz internacional de 2023, quem tem ciclos irregulares e sinais de excesso de hormônios masculinos já pode ter o diagnóstico sem o ultrassom.

Mulher magra pode ter SOP?

Pode. Segundo a SBEM, a resistência à insulina atinge de 50% a 70% das mulheres com SOP, independentemente do peso. Por isso a avaliação metabólica também vale para quem não está acima do peso.

Quem tem SOP consegue engravidar?

A dificuldade para engravidar é uma das manifestações da SOP, mas há tratamento. Para quem não ovula, a diretriz internacional de 2023 aponta o letrozol como primeira opção de remédio para induzir a ovulação. A escolha é individual e feita em consulta.

O anticoncepcional trata a SOP?

Ele controla sintomas, não a causa. A diretriz de 2023 considera o anticoncepcional combinado uma opção para ciclos irregulares e excesso de pelos. A indicação depende de contraindicações, do desejo de gravidez e da avaliação médica.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism (International PCOS Network). Recommendations From the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome (2023).
  2. Ministério da Saúde (Conitec). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Síndrome de Ovários Policísticos (2020).
  3. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). 10 coisas que você precisa saber sobre a síndrome dos ovários policísticos (2019).
  4. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Consenso global propõe novo nome para a síndrome dos ovários policísticos (2026).