A prolactina é um hormônio produzido pela hipófise, uma glândula pequena na base do cérebro. A função mais conhecida dela é estimular a produção de leite depois do parto. Fora da gravidez e da amamentação, um resultado alto no exame costuma assustar, mas nem sempre indica doença.
O primeiro passo é entender de onde vem o aumento. Segundo o posicionamento conjunto da Febrasgo e da SBEM, de 2024, os valores normais variam conforme o método do laboratório e, nas mulheres, ficam em geral abaixo de 25 ng/mL. O número isolado, porém, diz pouco sem a história clínica.
Quais são as causas da prolactina alta?
As causas se dividem em três grupos, e a macroprolactina aparece como um caso à parte.
| Grupo | Exemplos |
|---|---|
| Fisiológicas | Gravidez, amamentação, relação sexual, exercício, estresse |
| Medicamentos | Antipsicóticos, alguns antidepressivos, metoclopramida, domperidona, verapamil, metildopa, estrogênios, opioides |
| Doenças | Prolactinoma, hipotireoidismo, doença renal avançada, cirrose, compressão da haste da hipófise |
| Laboratorial | Macroprolactina |
A tabela resume o posicionamento da Febrasgo e da SBEM de 2024.
Causas fisiológicas
Na gravidez e na amamentação, a prolactina pode passar de 200 ng/mL, segundo o mesmo documento. As outras causas fisiológicas costumam elevar pouco o hormônio e raramente causam sintomas.
Medicamentos
Os antipsicóticos, principalmente os de primeira geração, são os remédios mais associados à prolactina alta, segundo a Febrasgo e a SBEM. Em uma revisão do Departamento de Neuroendocrinologia da SBEM, de 2018, antidepressivos e neurolépticos (outro nome dos antipsicóticos) responderam por 82,2% dos casos causados por medicamentos.
Doenças
O prolactinoma é um adenoma, um tumor benigno da hipófise que produz prolactina. Em um estudo brasileiro com 1.234 pessoas com prolactina alta, citado pela Febrasgo e pela SBEM, o prolactinoma respondeu por 56,2% dos casos. O hipotireoidismo primário e a doença renal também entram na lista e são descartados com exames simples.
Macroprolactina
É a prolactina presa a anticorpos, o que forma uma molécula grande e com pouca ação no corpo. O posicionamento da SBEM e da SBPC/ML, de 2025, aponta uma frequência média de 18,9% entre pessoas com prolactina alta. Cerca de 60% delas não têm nenhum sinal de excesso do hormônio.
Quais os sintomas da prolactina alta?
A prolactina em excesso interfere nos hormônios que controlam ovários e testículos. Por isso os sintomas são diferentes em mulheres e homens.
Em mulheres
Segundo a Febrasgo e a SBEM, os sintomas mais relatados são:
- menstruação irregular ou ausente;
- saída de leite pelas mamas fora da amamentação (galactorreia);
- dificuldade para engravidar;
- diminuição da libido;
- secura vaginal e dor na relação;
- ondas de calor;
- perda de massa óssea.
Em homens
A revisão da SBEM de 2018 descreve disfunção sexual, infertilidade, perda de massa óssea e queda da libido, que pode acontecer mesmo com testosterona normal. Saída de leite pelas mamas em homem é muito sugestiva de prolactinoma. Os homens costumam ser diagnosticados mais tarde e com tumores maiores, porque a disfunção erétil e a infertilidade muitas vezes são atribuídas a outras causas.
Quando o tumor é grande
Tumores maiores podem comprimir estruturas vizinhas. A Febrasgo e a SBEM citam dor de cabeça, redução do campo visual e queda de outros hormônios da hipófise.
Uma complicação rara é a apoplexia hipofisária, um sangramento ou infarto repentino dentro do tumor. Ela pode causar dor de cabeça forte, piora da visão, visão dupla e sonolência ou confusão. Segundo a Febrasgo e a SBEM, dor de cabeça nova ou que piora durante o tratamento de um prolactinoma pede avaliação de urgência.
Como é feita a investigação?
A investigação segue uma ordem lógica, baseada nos posicionamentos brasileiros:
- Confirmar o resultado. A coleta costuma ser feita pela manhã, com 2 a 3 horas de jejum. Uma amostra bem colhida geralmente basta, mas elevações leves podem ser reavaliadas com coletas seriadas.
- Descartar gravidez e revisar os remédios em uso. Isso inclui antidepressivos, antipsicóticos e remédios para enjoo e refluxo.
- Pedir exames para causas secundárias. A revisão da SBEM recomenda TSH, T4 livre e creatinina, para avaliar tireoide e rins.
- Pesquisar macroprolactina. Segundo a Febrasgo e a SBEM, uma elevação leve a moderada em quem não tem sintomas deve levar à pesquisa de macroprolactina, o que evita exames e tratamentos desnecessários.
- Fazer ressonância da hipófise, quando indicada. Ela entra depois que as outras causas foram descartadas. Em tumores grandes, o laboratório pode diluir a amostra para evitar o “efeito gancho”, uma falha do exame que faz a prolactina parecer mais baixa do que é.
Como é o tratamento da prolactina alta?
Nem toda prolactina alta precisa de remédio. Com macroprolactina e sem sintomas, a SBEM e a SBPC/ML consideram a investigação e o tratamento desnecessários. Em um microprolactinoma (prolactinoma pequeno) sem sintomas, o posicionamento da Febrasgo e da SBEM admite apenas acompanhar.
Quando há indicação, o objetivo é controlar os sintomas, recuperar a menstruação e a fertilidade e reduzir o tumor. As opções incluem:
- Agonistas dopaminérgicos. São os remédios de primeira linha e funcionam em 80% a 90% dos casos, segundo a Febrasgo e a SBEM. A cabergolina é a preferida: normaliza a prolactina em 95% dos casos, contra 80% com a bromocriptina.
- Ajuste de medicamentos. Quando a causa é um remédio, pode-se trocá-lo, usar reposição hormonal ou, com cautela, associar um agonista dopaminérgico. Um antipsicótico nunca deve ser suspenso sem falar com quem o prescreveu.
- Anticoncepcional combinado. Em microprolactinomas, pode ser uma alternativa para tratar a falta de menstruação sem agonista dopaminérgico.
- Cirurgia. Fica para quem não tolera ou não responde aos agonistas dopaminérgicos.
Depois que a prolactina normaliza e o tumor está controlado, o tratamento dura pelo menos 2 anos antes de qualquer redução ou suspensão, segundo a Febrasgo e a SBEM. Remédio, dose e tempo de uso são decisões individuais, feitas em consulta.
Quando procurar um endocrinologista?
Procure um endocrinologista se o exame veio alto, se a menstruação falhou sem gravidez, se há saída de leite pelas mamas ou queda da libido, e também se você usa remédios que elevam a prolactina e tem sintomas. A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674) e atende no Instituto Essência, em Teresina, e por teleconsulta. Se quiser avaliar seu caso, veja como funciona a consulta e conheça a Dra. Natália Brito.