Muita gente associa o endocrinologista apenas ao diabetes ou à tireoide. Esses são, de fato, motivos frequentes de consulta, mas a especialidade cuida de um sistema inteiro: as glândulas que produzem hormônios e o metabolismo, que é o conjunto de processos pelos quais o corpo usa e armazena energia.
Saber o que esse médico faz ajuda a reconhecer quando vale marcar uma consulta e a chegar mais preparado a ela.
O que a endocrinologia estuda?
Hormônios são mensageiros químicos. Eles viajam pelo sangue até tecidos e órgãos e influenciam crescimento, desenvolvimento, metabolismo, função sexual, reprodução e humor, segundo a MedlinePlus, serviço de informação da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. A mesma fonte lembra que uma quantidade muito pequena de hormônio já provoca grandes mudanças no corpo.
As principais glândulas endócrinas citadas pela MedlinePlus são:
- hipófise, na base do cérebro;
- glândula pineal;
- timo;
- tireoide, no pescoço;
- suprarrenais, sobre os rins;
- pâncreas;
- testículos e ovários, que também produzem hormônios.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) resume o trabalho do endocrinologista assim: tratar condições em que há hormônio em quantidade insuficiente ou em excesso. O nome oficial da especialidade, endocrinologia e metabologia, já indica que o metabolismo também faz parte do escopo.
Quais doenças o endocrinologista trata?
Segundo a SBEM, a especialidade vai de doenças muito frequentes, como diabetes, obesidade e distúrbios da tireoide, a outras raras, como a acromegalia (excesso de hormônio do crescimento) e a síndrome de Cushing (excesso de cortisol). Os departamentos científicos da SBEM mostram essa amplitude:
| Área da SBEM | Exemplos de temas |
|---|---|
| Diabetes mellitus | Diabetes tipo 1, tipo 2 e pré-diabetes |
| Obesidade | Diagnóstico e tratamento do excesso de peso |
| Tireoide | Hipotireoidismo, hipertireoidismo e nódulos |
| Adrenal e hipertensão | Doenças das glândulas suprarrenais |
| Dislipidemia e aterosclerose | Colesterol e triglicerídeos alterados |
| Metabolismo ósseo e mineral | Osteoporose e alterações do cálcio |
| Neuroendocrinologia | Doenças da hipófise |
| Endocrinologia feminina, andrologia e transgeneridade | Hormônios femininos e masculinos, menopausa |
| Endocrinologia pediátrica | Crescimento e puberdade |
Quais sinais justificam uma consulta com endocrinologista?
Nem todo sintoma vago é hormonal, mas alguns sinais merecem avaliação:
- Sinais de glicose alta: a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) cita como típicos urinar muito, sentir muita sede, ter fome excessiva e perder peso sem explicação. Visão turva, cansaço e infecções que se repetem também podem sugerir o problema. Se esses sinais vierem com vômitos, sonolência ou respiração acelerada, o caso é de pronto-socorro, não de consulta agendada.
- Exame de glicose alterado: a SBD recomenda rastrear diabetes tipo 2 em todas as pessoas a partir dos 35 anos e em adultos com sobrepeso ou obesidade que tenham pelo menos mais um fator de risco. Um resultado fora do normal merece acompanhamento.
- Alterações na tireoide: caroço ou aumento no pescoço, nódulo visto em ultrassom ou exame de TSH fora da faixa de referência.
- Mudança de peso sem causa aparente, para mais ou para menos.
- Alterações menstruais, excesso de pelos, dificuldade para engravidar ou sintomas da menopausa que atrapalham a rotina.
- Colesterol ou triglicerídeos altos.
- Fraturas após quedas leves ou densitometria óssea com perda de massa óssea.
- Em crianças e adolescentes, crescimento ou puberdade fora do esperado para a idade.
Como é a formação do endocrinologista?
A endocrinologia e metabologia é uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que prevê 2 anos de formação específica na Resolução nº 2.380/2024. A SBEM detalha o caminho completo, de no mínimo 10 anos:
- 6 anos de faculdade de Medicina;
- 2 anos de residência em clínica médica;
- 2 anos de residência em endocrinologia e metabologia.
O título de especialista vem da conclusão de uma residência credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica ou da aprovação no concurso anual da SBEM em convênio com a Associação Médica Brasileira, com prova teórica e prática. Depois disso, o médico registra o título no Conselho Regional de Medicina e recebe o Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
Pela Resolução CFM nº 2.336/2023, a especialidade só pode ser anunciada com o número do RQE. Quem tem apenas pós-graduação lato sensu deve se apresentar com a expressão “não especialista”. A SBEM orienta consultar o site do CFM para confirmar o RQE antes da consulta.
Como se preparar para a primeira consulta?
Uma primeira consulta com endocrinologista costuma envolver uma conversa longa sobre a sua história. Levar algumas informações organizadas ajuda bastante:
- Exames recentes: sangue, urina, ultrassom de tireoide, densitometria ou outros que você já tenha, de preferência com os anteriores para comparação.
- Lista de medicamentos e suplementos, com nome, dose e horário, incluindo anticoncepcionais e vitaminas.
- Histórico de peso: quando começou a mudar, tentativas de tratamento e o que aconteceu depois.
- Histórico familiar de diabetes, doenças da tireoide, osteoporose, colesterol alto ou infarto precoce.
- Ciclo menstrual: data da última menstruação e regularidade dos ciclos, quando se aplica.
- Registros de glicose, se você já mede em casa com glicosímetro ou sensor.
- Suas dúvidas por escrito, para não esquecer nada na hora.
Com essas informações, o médico decide se precisa de exames complementares e discute com você as opções, que são sempre individuais.
Quando procurar um endocrinologista?
Procure avaliação se você reconheceu algum dos sinais acima, se recebeu um exame alterado de glicose, tireoide ou colesterol ou se convive com uma condição hormonal que precisa de acompanhamento regular. A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674) e atende no Instituto Essência, em Teresina, e por teleconsulta, em consultas particulares de cerca de 1 hora, com retorno incluso. Saiba mais sobre a Dra. Natália Brito e sobre como funciona a consulta.