Osteopenia: o que é e como evitar a osteoporose

Osteopenia é a massa óssea abaixo do esperado, mas ainda acima do limite da osteoporose: na densitometria, T-score entre -1 e -2,5, pela classificação da OMS. Não é uma doença por si só, e sim um sinal de risco. O que define o cuidado é o risco de fratura, calculado com ferramentas como o FRAX. Exercício, cálcio, vitamina D e prevenção de quedas são a base, e o remédio entra quando o risco é alto.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

Receber um laudo de densitometria com a palavra “osteopenia” costuma assustar. Muita gente sai do exame achando que já tem osteoporose ou que vai fraturar um osso a qualquer momento. Nenhuma das duas ideias está correta.

A osteopenia indica que a massa óssea está mais baixa do que a de um adulto jovem, mas ainda não no nível da osteoporose. O que realmente importa é o risco de fratura, e esse risco depende de muito mais do que o número do exame.

O que é osteopenia?

A densitometria óssea mede a densidade mineral dos ossos, em geral na coluna lombar e no quadril. O resultado principal é o T-score, que compara a sua densidade com a de um adulto jovem saudável e mostra quantos desvios-padrão ela está abaixo ou acima dessa média.

Em 1994, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu as categorias abaixo, reproduzidas no texto explicativo do FRAX Modelo Brasil:

Categoria T-score
Normal -1 ou mais
Osteopenia (baixa massa óssea) Entre -1 e -2,5
Osteoporose -2,5 ou menos
Osteoporose estabelecida -2,5 ou menos, com fratura

Essas categorias valem principalmente para mulheres após a menopausa e homens a partir dos 50 anos, segundo o protocolo do Ministério da Saúde.

Osteopenia é uma doença?

Não por si só. A osteopenia é uma faixa de resultado da densitometria, e não um diagnóstico que exige tratamento automático. O protocolo do Ministério da Saúde explica que o T-score indica um risco relativo, e não um risco absoluto de fratura.

Os limites da classificação mostram isso. O texto do FRAX Modelo Brasil dá dois exemplos:

Há um dado que ajuda a entender por que a osteopenia merece atenção: segundo o protocolo do Ministério da Saúde, a maior parte das fraturas acontece em pessoas com osteopenia, simplesmente porque a maioria da população está nessa faixa.

Como saber o risco de fratura?

A ferramenta mais usada é o FRAX, criada pelo Centro Colaborador da OMS para doenças osteometabólicas. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, ela calcula a probabilidade de ter, em 10 anos, uma fratura osteoporótica maior (coluna, braço, punho ou quadril) ou uma fratura de quadril, em pessoas de 40 a 90 anos.

O cálculo usa dados como:

O modelo brasileiro está disponível desde maio de 2013, segundo o texto explicativo publicado em 2019, e pode ser acessado no site da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO), como informa o protocolo do Ministério da Saúde. Em 2023, o modelo foi atualizado com dados mais recentes de fratura de quadril no Brasil, que mostraram probabilidades menores do que as do modelo original. Segundo os autores da atualização, a ordem de risco entre as pessoas praticamente não mudou. O resultado é comparado a um limiar de intervenção, que varia com a idade. Quem fica acima dele tem risco alto de fratura.

Quem deve fazer densitometria?

O protocolo do Ministério da Saúde não recomenda rastrear toda a população. O exame é indicado para mulheres a partir de 65 anos, homens a partir de 70 anos e pessoas com fatores de risco, como baixo peso, fratura prévia, uso de remédios ou doenças que afetam a saúde óssea.

Como evitar que a osteopenia vire osteoporose?

As medidas sem remédio valem para todos e são recomendadas pelo protocolo do Ministério da Saúde:

A investigação de causas secundárias também faz parte. O mesmo protocolo lista exames como cálcio, fósforo, creatinina, PTH, TSH, vitamina D e cálcio na urina de 24 horas, para identificar causas secundárias. Segundo o protocolo, essas causas respondem por cerca de 30% dos casos de osteoporose em mulheres após a menopausa.

Quando a osteopenia precisa de remédio?

Pelo protocolo do Ministério da Saúde, a osteopenia passa a ter indicação de tratamento com medicamento quando vem acompanhada de:

Quem já teve fratura por fragilidade (no quadril, na coluna, no punho ou no úmero, com trauma pequeno, como uma queda da própria altura) tem osteoporose pelo critério clínico. Nesse caso, o protocolo indica tratamento mesmo com T-score na faixa da osteopenia. O protocolo também traz regras próprias para quem vai usar corticoide acima de 5 mg de prednisona por dia por 3 meses ou mais: nesses casos, o remédio para os ossos é indicado com T-score de -2,0 ou menos, fratura prévia ou FRAX acima do limiar.

Os medicamentos disponíveis incluem bisfosfonatos, como o alendronato e o risedronato, entre outras classes. A escolha depende do risco, das doenças associadas e da tolerância, e é feita em consulta.

Quando procurar um endocrinologista?

Consulte um endocrinologista se a densitometria mostrou osteopenia, se você já teve uma fratura com trauma pequeno, usa corticoide por tempo prolongado ou entrou na menopausa antes dos 40 anos. A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674) e atende no Instituto Essência, em Teresina, e por teleconsulta. Se quiser avaliar seu caso, veja como funciona o tratamento de osteoporose e a consulta.

Perguntas frequentes

Osteopenia vira osteoporose?

Não necessariamente. O protocolo do Ministério da Saúde lembra que o T-score indica um risco relativo, e não a certeza de uma fratura ou de piora. O acompanhamento, com densitometria e cálculo do risco pelo FRAX, é definido caso a caso.

Osteopenia precisa de remédio?

Nem sempre. Pelo protocolo do Ministério da Saúde, o remédio é indicado quando a osteopenia vem com risco de fratura acima do limiar do FRAX, ou em pessoas frágeis com risco aumentado de queda. Fora dessas situações, a base são as medidas de prevenção.

O que é o FRAX?

É uma ferramenta do Centro Colaborador da OMS que calcula a chance de fratura em 10 anos, para pessoas de 40 a 90 anos. A versão brasileira existe desde 2013, foi atualizada em 2023 e está disponível no site da ABRASSO.

Quem deve fazer densitometria?

O protocolo do Ministério da Saúde indica o exame para mulheres a partir de 65 anos, homens a partir de 70 anos e pessoas com fatores de risco, como baixo peso, fratura prévia, uso de remédios ou doenças que afetam os ossos.

Que tipo de exercício ajuda os ossos?

O protocolo do Ministério da Saúde destaca os exercícios com ação da gravidade, em que o corpo sustenta o próprio peso, por ajudarem a aumentar e preservar a massa óssea. A atividade regular também melhora equilíbrio e força, o que ajuda a prevenir quedas.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. Ministério da Saúde (Conitec). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 22/2025) (2025).
  2. Diagnóstico & Tratamento (APM), via BVS. FRAX Modelo Brasil: um texto clínico explicativo sobre limiares para intervenção terapêutica (2019).
  3. Archives of Osteoporosis (Albergaria et al.). A new FRAX model for Brazil (2023).