Triglicerídeos altos: causas, riscos e tratamento

Triglicerídeos altos são valores acima de 150 mg/dL em jejum ou de 175 mg/dL sem jejum, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. As causas mais comuns são excesso de peso, álcool, açúcar e farinhas refinadas, diabetes descompensado, alguns remédios e fatores genéticos. A partir de 500 mg/dL, cresce o risco de pancreatite. O tratamento começa por alimentação, perda de peso e corte do álcool, e os remédios dependem do nível e do risco cardiovascular.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

Triglicerídeos são a principal forma de gordura que o corpo usa como reserva de energia. Eles circulam no sangue e sobem depois das refeições, por isso são o item do perfil lipídico que mais muda quando o exame é feito sem jejum, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Valores discretamente altos entram na conta do risco cardiovascular. Valores muito altos são outra história: podem inflamar o pâncreas e pedem tratamento específico.

Quais são os valores de referência dos triglicerídeos?

Pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025, da SBC, o valor desejável é:

Para classificar a gravidade, a diretriz da Endocrine Society, sociedade internacional de endocrinologia, usa faixas medidas em jejum:

Triglicerídeos em jejum Classificação
Abaixo de 150 mg/dL Normal
De 150 a 199 mg/dL Hipertrigliceridemia leve
De 200 a 999 mg/dL Moderada
De 1.000 a 1.999 mg/dL Grave
2.000 mg/dL ou mais Muito grave

A SBC adota um corte mais baixo para o que chama de hipertrigliceridemia grave: 500 mg/dL ou mais (ou 885 mg/dL, segundo alguns autores), faixa associada a risco de pancreatite aguda.

O que causa triglicerídeos altos?

Com frequência, o aumento vem da soma de predisposição genética com outros fatores, segundo a Endocrine Society. As causas mais comuns são:

Por isso, a Endocrine Society e a ADA recomendam procurar causas secundárias em quem tem triglicerídeos altos e tratá-las.

Por que triglicerídeos muito altos são perigosos?

Risco de pancreatite

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que causa dor abdominal intensa e pode ser grave. A SBC associa esse risco a valores a partir de 500 mg/dL. A Endocrine Society considera como risco de pancreatite os valores acima de 1.000 mg/dL, e a ADA fala em 500 mg/dL e, principalmente, acima de 1.000 mg/dL.

Nas formas genéticas graves, a SBC descreve dor abdominal recorrente, pancreatite repetida, xantomas eruptivos (pequenos caroços amarelados na pele) e alteração no aspecto dos vasos da retina.

Risco cardiovascular

Nas faixas leve e moderada, os triglicerídeos podem ser fator de risco para doença cardiovascular, segundo a Endocrine Society. A SBC trata o colesterol não-HDL (colesterol total menos o HDL) como meta de tratamento junto com o LDL, principalmente em quem tem triglicerídeos altos.

Como é o tratamento dos triglicerídeos altos?

Mudanças de estilo de vida

É a base em qualquer faixa. As diretrizes convergem em alguns pontos:

Na hipertrigliceridemia grave, a SBD e a Endocrine Society acrescentam a redução da gordura na alimentação, junto com a de carboidratos simples, para diminuir o risco de pancreatite.

Remédios

A escolha depende do valor dos triglicerídeos e do risco cardiovascular:

Remédio, combinação e dose são decisões individuais, feitas em consulta com base nos exames e no risco de cada pessoa.

Quando procurar um endocrinologista?

Procure um endocrinologista se os seus triglicerídeos estão altos e você tem diabetes, excesso de peso ou alteração da tireoide, se o valor passou de 500 mg/dL, se você já teve pancreatite ou se há casos de triglicerídeos muito altos na família. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende presencialmente e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o tratamento de diabetes e a consulta.

Perguntas frequentes

Triglicerídeos altos dão sintomas?

Na maioria das vezes, não. Nas formas genéticas graves, com valores muito altos, a SBC descreve dor abdominal recorrente, crises de pancreatite, xantomas eruptivos (pequenos caroços amarelados na pele) e alteração na retina. Por isso, o diagnóstico costuma vir do exame de sangue.

Bebida alcoólica aumenta os triglicerídeos?

Sim. O consumo excessivo de álcool está entre as causas listadas pela Endocrine Society e pela SBC. A ADA inclui a abstinência de álcool no tratamento dos triglicerídeos altos, e a SBC recomenda contra beber com a intenção de proteger o coração.

Ômega-3 ajuda a baixar os triglicerídeos?

O óleo de peixe reduz os triglicerídeos, segundo a SBC, mas o benefício para o coração depende da formulação. A diretriz de 2025 recomenda contra suplementos de EPA com DHA para prevenir eventos cardiovasculares em quem tem triglicerídeos entre 150 e 499 mg/dL e doença cardiovascular ou risco alto. O uso deve ser discutido com o médico.

Precisa de jejum para medir triglicerídeos?

Não necessariamente. A SBC aceita a dosagem sem jejum, com referência abaixo de 175 mg/dL, contra 150 mg/dL em jejum. Os triglicerídeos são o exame que mais varia com a refeição, e álcool ou comida muito gordurosa na véspera podem alterar o resultado.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia (Arquivos Brasileiros de Cardiologia). Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2025 (2025).
  2. Endocrine Society (The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism). Evaluation and Treatment of Hypertriglyceridemia: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline (2012).
  3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Manejo do risco cardiovascular: dislipidemia. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026).
  4. American Diabetes Association (Diabetes Care). 10. Cardiovascular Disease and Risk Management: Standards of Care in Diabetes 2026 (2026).