Pré-diabetes: o que é e como evitar o diabetes tipo 2

Pré-diabetes é quando a glicose está acima do normal, mas abaixo do critério de diabetes: glicemia de jejum de 100 a 125 mg/dL, hemoglobina glicada de 5,7% a 6,4% ou curva glicêmica alterada, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. No estudo DPP, mudanças no estilo de vida, com perda de 7% do peso e 150 minutos de atividade física por semana, reduziram em 58% o risco de diabetes tipo 2.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

Receber um exame com a palavra "pré-diabetes" costuma gerar duas reações opostas: susto ou descaso. Nenhuma das duas ajuda. O pré-diabetes não é diabetes, mas mostra que o controle da glicose já saiu da faixa normal e que o risco de diabetes tipo 2 aumentou.

A prevenção nessa fase já foi testada em grandes estudos, que acompanharam milhares de pessoas e mediram o efeito de mudar hábitos e de usar medicamento.

Quais são os critérios de pré-diabetes?

A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) define pré-diabetes pelos exames de sangue abaixo. Basta um deles na faixa para caracterizar a condição:

Exame Faixa de pré-diabetes (SBD)
Glicemia de jejum 100 a 125 mg/dL
Hemoglobina glicada (HbA1c) 5,7% a 6,4%
Curva glicêmica, 1 hora 155 a 208 mg/dL
Curva glicêmica, 2 horas 140 a 199 mg/dL

Segundo o NIDDK, instituto de diabetes e doenças renais do governo dos Estados Unidos, o pré-diabetes costuma não dar sintomas. Por isso ele é descoberto em exames de rotina. A SBD recomenda o rastreamento para todas as pessoas a partir de 35 anos e para adultos mais jovens com sobrepeso ou obesidade e pelo menos um fator de risco adicional, como:

Qual o risco de o pré-diabetes virar diabetes?

O risco existe, mas o destino não está traçado. A diretriz de tratamento do pré-diabetes da SBD resume assim a evolução em 3 a 5 anos de observação: cerca de 25% das pessoas progridem para diabetes tipo 2, 50% permanecem como estão e 25% voltam à glicose normal.

O grupo não é homogêneo. Segundo a SBD, quem tem valores mais próximos do limite de diabetes tem maior chance de progredir. A diretriz cita o estudo americano ARIC, em que pessoas com HbA1c de 6% a menos de 6,5% tiveram risco de diabetes 4,48 vezes maior que as que tinham HbA1c de 5% a menos de 5,5%.

O que os estudos mostram sobre a prevenção do diabetes tipo 2?

O estudo DPP

O Diabetes Prevention Program (DPP) é o estudo mais citado sobre o tema. Segundo o NIDDK, ele incluiu 3.234 pessoas com alto risco de diabetes em 27 centros dos Estados Unidos, entre 1996 e 2001. O grupo de mudança de estilo de vida tinha como metas perder 7% do peso e fazer 150 minutos de exercício por semana.

Os resultados, após cerca de 3 anos, comparados ao placebo:

O acompanhamento de longo prazo (DPPOS) mostrou que o efeito se manteve em parte. Após 15 anos, o diabetes continuava 27% menos frequente no grupo de estilo de vida e 18% menos frequente no grupo metformina, segundo o NIDDK e a SBD.

O estudo finlandês

A SBD cita também o Finnish Diabetes Prevention Study, com 522 participantes. Em 4 anos, o diabetes apareceu em 11% do grupo que recebeu orientação de estilo de vida e em 23% do grupo controle, uma redução de risco de 58%.

Na prática, o que ajuda a evitar o diabetes tipo 2?

A diretriz da SBD recomenda mudança de estilo de vida, com perda de peso, alimentação saudável e mais atividade física, para todas as pessoas com pré-diabetes. A diretriz de atividade física detalha as metas:

O NIDDK inclui dormir o suficiente entre os hábitos que ajudam e aponta o tabagismo como um fator de risco que pode ser mudado. Você não precisa fazer tudo de uma vez: o próprio NIDDK sugere começar por mudanças pequenas.

Quando se considera a metformina?

A metformina é um medicamento usado no tratamento do diabetes tipo 2. Na diretriz da SBD, o uso dela no pré-diabetes, sempre junto com a mudança de estilo de vida, deve ser considerado em adultos com:

A SBD recomenda dosar a vitamina B12 periodicamente em quem usa metformina, pelo risco de deficiência. A diretriz também menciona outros remédios que reduziram o risco em estudos, como acarbose, liraglutida, pioglitazona e orlistate, mas com recomendação mais fraca. A indicação de qualquer medicamento é individual e feita em consulta.

Como é o acompanhamento de quem tem pré-diabetes?

Segundo a SBD, quem tem pré-diabetes deve repetir os exames em 12 meses, ou entre 6 e 12 meses quando os valores estão muito perto do limite de diabetes. Para adultos com pré-diabetes identificado pela glicemia de jejum e pela HbA1c, a diretriz recomenda também a curva glicêmica de 1 hora, que pode revelar diabetes ainda não detectado. O NIDDK lembra que o colesterol e os triglicerídeos podem subir nessa fase, e o médico pode pedir exames para avaliá-los.

Quando procurar um endocrinologista?

Vale buscar avaliação se você recebeu o diagnóstico de pré-diabetes, se os seus valores estão perto do limite de diabetes ou se tem vários fatores de risco, como excesso de peso, diabetes gestacional prévio ou síndrome dos ovários policísticos. A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende no Instituto Essência, no bairro Jóquei, em Teresina, e por teleconsulta. Se quiser avaliar seu caso, veja como funciona o acompanhamento de diabetes e a consulta.

Perguntas frequentes

Pré-diabetes pode voltar ao normal?

Pode. Segundo a diretriz da SBD, em 3 a 5 anos de observação, cerca de 25% das pessoas com pré-diabetes voltam à glicose normal, 50% continuam como estão e 25% evoluem para diabetes tipo 2. O NIDDK, instituto de saúde dos Estados Unidos, afirma que hábitos saudáveis podem ajudar a prevenir ou reverter o quadro.

Pré-diabetes dá sintomas?

Em geral, não. O NIDDK informa que pessoas com pré-diabetes costumam não ter sintomas. Por isso a SBD recomenda rastrear com exames de sangue todas as pessoas a partir de 35 anos e adultos mais jovens com excesso de peso e mais um fator de risco.

Quem tem pré-diabetes precisa tomar metformina?

Nem sempre. A SBD recomenda mudança de estilo de vida para todos e diz que a metformina deve ser considerada em situações específicas, como idade abaixo de 60 anos, IMC acima de 35, diabetes gestacional prévio ou glicemia de jejum acima de 110 mg/dL. A decisão é individual e feita em consulta.

Quanto peso é preciso perder para reduzir o risco?

A diretriz da SBD recomenda redução mínima de 7% do peso, seguida de manutenção, junto com pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada. O NIDDK cita perda de 5% a 7% do peso inicial como a faixa que reduziu o risco no estudo DPP.

De quanto em quanto tempo devo repetir os exames?

A SBD recomenda reavaliar pessoas com pré-diabetes em 12 meses. Quando os valores estão muito próximos do limite de diabetes, a diretriz admite reavaliação mais cedo, entre 6 e 12 meses.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diagnóstico de diabetes mellitus (Diretriz da SBD) (2024).
  2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Tratamento farmacológico do pré-diabetes (Diretriz da SBD) (2022).
  3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Atividade física e exercício no pré-diabetes e DM2 (Diretriz da SBD) (2022).
  4. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIH). Diabetes Prevention Program (DPP) (2021).
  5. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIH). Insulin Resistance & Prediabetes (2025).