Metformina: para que serve, como age e efeitos colaterais

A metformina é um dos remédios mais usados no diabetes tipo 2 e, pela diretriz da SBD, faz parte do tratamento inicial na maioria dos casos. Ela reduz a produção de glicose pelo fígado e melhora a ação da insulina, sem causar hipoglicemia quando usada sozinha. Os efeitos colaterais mais comuns são diarreia, náusea e desconforto na barriga. O uso prolongado pede checagem da vitamina B12, e a função dos rins define se ela pode ser usada.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

A metformina é um comprimido usado para controlar a glicose no diabetes tipo 2. Ela também aparece em outras situações, como a prevenção do diabetes em pessoas de alto risco e a síndrome dos ovários policísticos, sempre com indicação médica.

Por ser tão receitada, a metformina junta muitas dúvidas: se emagrece, se faz mal aos rins, por que dá diarreia. A seguir, o que as diretrizes dizem sobre cada ponto.

Para que serve a metformina?

Diabetes tipo 2

Na diretriz de 2026 da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a metformina é o tratamento inicial para quem acabou de receber o diagnóstico de diabetes tipo 2, não tem doença do coração ou dos rins, tem risco cardiovascular baixo ou intermediário e hemoglobina glicada entre 6,5% e 7,5%. Acima desse valor, a SBD recomenda começar com a metformina associada a um segundo remédio. Em pessoas de alto risco cardiovascular, a mesma diretriz indica classes com benefício cardiovascular comprovado (inibidores de SGLT2 e agonistas de GLP-1), independentemente da glicada.

Segundo a SBD, a metformina reduz a glicemia de jejum em 60 a 70 mg/dL e a hemoglobina glicada em 1,5 a 2 pontos percentuais. No estudo UKPDS 34, citado pela mesma diretriz, quem usou metformina teve redução de 32% nos desfechos ligados ao diabetes em comparação com a dieta isolada. A Associação Americana de Diabetes (ADA) resume assim: é um remédio eficaz, seguro, barato e que reduz o risco de complicações nos pequenos vasos, de eventos cardiovasculares e de morte. A SBD é mais cautelosa nesse ponto e considera que o papel da metformina na redução de eventos cardiovasculares ainda não está claro.

Pré-diabetes, em casos selecionados

Para todas as pessoas com pré-diabetes, a primeira recomendação da SBD é mudar o estilo de vida, com perda de peso, alimentação saudável e atividade física. A metformina deve ser considerada junto com essas medidas em situações específicas:

No estudo DPP, descrito pela SBD, a mudança intensiva de estilo de vida reduziu o risco de diabetes em 58%, e a metformina, em 31%, em comparação com placebo. A ADA traz critérios parecidos na sua seção sobre prevenção.

Síndrome dos ovários policísticos (SOP)

A diretriz internacional de SOP publicada em 2023 recomenda considerar a metformina em mulheres adultas com SOP e IMC a partir de 25 kg/m², para melhorar medidas corporais, resistência à insulina, glicose e gorduras no sangue. Abaixo desse IMC, o uso pode ser considerado, com evidência mais limitada. O mesmo documento informa que a metformina e a mudança ativa de estilo de vida têm eficácia parecida, e que o anticoncepcional combinado pode ser preferido à metformina quando o objetivo é tratar excesso de pelos com ciclos irregulares.

Como a metformina age?

Segundo a SBD, a metformina aumenta a sensibilidade do fígado à insulina. Com isso, o fígado produz menos glicose. Ela também aumenta a captação de glicose pelos músculos.

A metformina não força o pâncreas a produzir mais insulina. Por isso, usada sozinha, tem baixo risco de hipoglicemia (glicose baixa), como apontam a SBD e a ADA. Ela é eliminada pelos rins, e é daí que vem o cuidado com a função renal.

Quais são os efeitos colaterais da metformina?

Os efeitos mais comuns são no intestino. De acordo com a SBD, diarreia, náusea e vômitos atingem mais de 10% de quem usa a formulação de liberação imediata e menos de 10% com a de liberação prolongada (XR). A lista da SBD inclui ainda dor abdominal, prisão de ventre, estufamento, azia, gases, tontura, dor de cabeça e alteração do paladar.

Como diminuir o desconforto

A ADA e a diretriz de SOP apontam três estratégias, que o médico adapta a cada caso:

A diretriz de SOP descreve esses efeitos como geralmente leves, ligados à dose e passageiros. Se o desconforto persistir, converse com o médico antes de parar por conta própria. A dose e a forma de uso são decisões individuais, feitas em consulta.

Metformina e vitamina B12: por que checar?

Segundo a ADA, o uso de metformina está associado a maior risco de deficiência de vitamina B12 e de piora dos sintomas de neuropatia (lesão dos nervos, que causa formigamento e dormência). O risco cresce com o tempo de uso e com doses mais altas.

A SBD recomenda avaliar a vitamina B12 uma vez por ano a partir de 4 anos de tratamento e repor quando necessário. A ADA reforça a checagem em quem tem anemia ou neuropatia periférica.

Quem não pode usar metformina?

A SBD lista como contraindicações:

Quando a filtração dos rins está entre 30 e 45 mL/min/1,73 m², a SBD orienta reduzir a dose. Abaixo de 30, o remédio deve ser suspenso.

O motivo é a acidose lática, um acúmulo de ácido no sangue. Segundo a ADA, ela é muito rara e acontece principalmente quando a filtração cai abaixo de 30. A SBD cita como sinais de alerta mal-estar, dores musculares, respiração acelerada e sonolência, que pedem atendimento médico imediato. A diretriz aponta risco maior em pessoas acima de 65 anos, com doença do fígado ou consumo excessivo de álcool. Em quem tem filtração entre 30 e 60, doença do fígado, insuficiência cardíaca ou abuso de álcool, a SBD orienta interromper a metformina quando for feito exame com contraste iodado, com retorno só após liberação médica. Por isso, avise que usa metformina ao marcar esse tipo de exame e siga a orientação do seu médico.

Gestantes, mulheres que amamentam e as que planejam engravidar devem conversar com o médico, porque o uso nessas fases segue critérios próprios.

Metformina emagrece? Mitos comuns

“Metformina é remédio para emagrecer.” Não é. A ADA descreve seu efeito sobre o peso como neutro ou de perda modesta, e a SBD o classifica como neutro. Na SOP, a diretriz de 2023 considera o uso para desfechos de peso e metabolismo, mas com evidência de qualidade muito baixa.

“Metformina faz mal aos rins.” O cuidado com os rins existe porque ela é eliminada por eles. Quando a filtração cai, o remédio pode se acumular. A ADA considera o uso seguro com filtração a partir de 30 mL/min/1,73 m².

“Quem toma metformina não precisa mudar a alimentação.” No estudo DPP, a mudança de estilo de vida reduziu mais o risco de diabetes do que a metformina: 58% contra 31%, segundo a SBD. O remédio funciona melhor como parte do tratamento, não como substituto dos hábitos.

Quando procurar um endocrinologista?

O acompanhamento com endocrinologista é indicado se você recebeu diagnóstico de diabetes ou pré-diabetes, tem efeitos colaterais que atrapalham o tratamento, usa metformina há anos sem checar a vitamina B12 ou tem alguma alteração nos rins. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende presencialmente e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o tratamento de diabetes e a consulta.

Perguntas frequentes

Metformina emagrece?

Não é um remédio para emagrecer. A ADA descreve o efeito da metformina sobre o peso como neutro ou de perda modesta, e a SBD a classifica como neutra. Ela ajuda a não ganhar peso durante o tratamento do diabetes, mas não substitui o tratamento da obesidade.

Metformina causa hipoglicemia?

Usada sozinha, não costuma causar. A ADA inclui a ausência de hipoglicemia entre as vantagens da metformina. O risco aparece quando ela é combinada com insulina ou com sulfonilureias, os remédios que mais provocam queda da glicose.

Quem tem problema nos rins pode tomar metformina?

Depende da taxa de filtração dos rins. Segundo a SBD, a dose deve ser reduzida quando a filtração está entre 30 e 45 mL/min/1,73 m² e o remédio deve ser suspenso abaixo de 30, pelo risco de acidose lática. O ajuste é individual e feito pelo médico.

Por que a metformina pode baixar a vitamina B12?

O uso prolongado está associado a níveis menores de vitamina B12, segundo a ADA. A SBD recomenda dosar a B12 uma vez por ano depois de 4 anos de tratamento e repor quando necessário. Anemia e formigamento nos pés também são motivos para checar.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. Sociedade Brasileira de Diabetes. Manejo da terapia antidiabética no DM2. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026).
  2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Tratamento farmacológico do pré-diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026).
  3. American Diabetes Association (Diabetes Care). 9. Pharmacologic Approaches to Glycemic Treatment: Standards of Care in Diabetes 2026 (2026).
  4. American Diabetes Association (Diabetes Care). 3. Prevention or Delay of Diabetes and Associated Comorbidities: Standards of Care in Diabetes 2026 (2026).
  5. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. Recommendations From the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome (2023).