Hemoglobina glicada: o que é e quais os valores de referência

A hemoglobina glicada (HbA1c) mostra a média da glicose no sangue dos últimos 2 a 3 meses. Pela diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, abaixo de 5,7% é normal, de 5,7% a 6,4% indica pré-diabetes e 6,5% ou mais indica diabetes, com confirmação por um segundo exame. Para a maioria dos adultos com diabetes, a meta de tratamento é ficar abaixo de 7%.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

A hemoglobina glicada aparece em quase todo pedido de exame de quem investiga ou trata diabetes. Ela é conhecida pela sigla HbA1c ou, em alguns laboratórios, como A1C. Diferente da glicemia, que mostra a glicose de um momento só, ela dá uma ideia de como a glicose se comportou nos meses anteriores à coleta.

Por isso o mesmo exame serve para duas coisas: ajudar no diagnóstico de pré-diabetes e diabetes e acompanhar o tratamento de quem já tem a doença. A seguir, você vê o que ele mede, como ler o resultado e quando ele pode enganar.

O que a hemoglobina glicada mede?

A hemoglobina é a proteína das hemácias (glóbulos vermelhos) que transporta oxigênio. A glicose que circula no sangue se liga a ela de forma permanente, num processo chamado glicação. Quanto mais glicose no sangue, maior a parte da hemoglobina que fica "açucarada".

Segundo a diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), essa ligação acontece durante a vida da hemácia, de 3 a 4 meses. O peso de cada mês não é igual: cerca de 50% do resultado corresponde ao mês anterior ao exame, 25% ao mês antes desse e 25% ao terceiro e quarto meses. Na prática, a SBD descreve a HbA1c como reflexo da glicemia média de 2 a 3 meses.

Duas consequências práticas:

Quais são os valores de referência da hemoglobina glicada?

Para adultos fora da gestação, a diretriz da SBD usa estes pontos de corte:

Resultado da HbA1c Interpretação (SBD)
Abaixo de 5,7% Normal
De 5,7% a 6,4% Pré-diabetes
6,5% ou mais Diabetes

Um valor alterado isolado não fecha o diagnóstico. A SBD recomenda repetir o exame para confirmar quando só um teste está alterado. A exceção é quando a glicemia de jejum dá 126 mg/dL ou mais e a HbA1c dá 6,5% ou mais na mesma amostra de sangue: nesse caso, a diretriz considera o diagnóstico de diabetes estabelecido.

A SBD também orienta que os laboratórios usem métodos certificados pelo NGSP, programa internacional que padroniza a dosagem. Isso permite comparar resultados de laboratórios diferentes.

Por que o médico pede HbA1c e glicemia juntas?

Os dois exames se complementam. A diretriz da SBD recomenda a glicemia de jejum e a HbA1c como primeiros testes de rastreamento do diabetes tipo 2, indicado para todas as pessoas a partir de 35 anos e para adultos mais jovens com excesso de peso e outro fator de risco.

A HbA1c é muito específica, mas deixa passar alguns casos. Segundo a SBD, o ponto de corte de 6,5% tem sensibilidade de 47% a 67% em relação à curva glicêmica de 2 horas. Ou seja, uma HbA1c normal não afasta o diabetes em todas as pessoas.

Qual é a meta de hemoglobina glicada no tratamento?

Para quem já tem diabetes, a HbA1c é o principal termômetro do controle. A diretriz de metas da SBD recomenda HbA1c abaixo de 7% para adultos com diabetes, para prevenir complicações nos pequenos vasos (olhos, rins e nervos) e nos grandes vasos, desde que isso não cause hipoglicemias graves ou frequentes.

A meta muda conforme a pessoa. Na tabela da SBD:

Para ter uma noção do que o número representa, a SBD traz esta correspondência, baseada no estudo ADAG:

HbA1c Glicemia média estimada
6% 126 mg/dL
7% 154 mg/dL
8% 183 mg/dL
9% 212 mg/dL

A própria SBD lembra um limite: a HbA1c não mostra a variação da glicose ao longo do dia. Duas pessoas com o mesmo resultado podem ter glicemias estáveis ou oscilações grandes. Por isso a diretriz sugere combinar o exame com glicemia capilar ou sensor de glicose.

Que situações podem alterar o resultado?

Como o exame depende das hemácias, tudo que muda a vida dessas células ou a própria hemoglobina pode distorcer o número. A diretriz da SBD lista estas situações:

O NIDDK acrescenta que perda de sangue recente e hemodiálise podem mudar a HbA1c e que a deficiência de ferro pode elevar o resultado de forma falsa. A SBD registra ainda que pessoas afrodescendentes podem ter HbA1c mais alta do que o esperado para a glicose, com risco de diagnóstico falso-positivo. Quando a HbA1c e as glicemias não combinam, vale investigar interferência antes de tirar conclusões.

E na gestação?

Na gravidez, a renovação das hemácias muda e a HbA1c perde precisão. Segundo a diretriz de gestação da SBD, a sensibilidade da HbA1c para diabetes gestacional fica entre 14,5% e 21%, baixa demais para rastreamento. Ela pode ser considerada na primeira consulta de pré-natal para identificar diabetes em gestantes que ainda não sabiam ter a doença (6,5% ou mais). O diagnóstico de diabetes gestacional é feito pela glicemia de jejum no início do pré-natal (de 92 a 125 mg/dL) e pela curva glicêmica com 75 g entre a 24ª e a 28ª semana.

Quando procurar um endocrinologista?

Vale procurar avaliação se a sua HbA1c veio na faixa de pré-diabetes ou de diabetes, se o resultado não combina com as suas glicemias ou se você já trata diabetes e não atinge a meta combinada. A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674) e atende no Instituto Essência, no bairro Jóquei, em Teresina, e por teleconsulta. Se quiser avaliar seu caso, veja como funciona o acompanhamento de diabetes e a consulta.

Perguntas frequentes

Precisa estar em jejum para fazer a hemoglobina glicada?

Não. Segundo o NIDDK, instituto de saúde do governo dos Estados Unidos, a HbA1c não exige jejum e pode ser colhida em qualquer horário. Quando o pedido inclui também a glicemia de jejum, o jejum de 8 a 12 horas continua valendo por causa da glicemia, como define a diretriz da SBD.

Hemoglobina glicada de 6% é diabetes?

Não. Pela diretriz da SBD, 6% está na faixa de pré-diabetes, que vai de 5,7% a 6,4%. O resultado indica risco maior de diabetes tipo 2 e pede acompanhamento: a SBD recomenda reavaliar pessoas com pré-diabetes em 12 meses.

Anemia pode alterar a hemoglobina glicada?

Pode. A SBD lista anemias, hemoglobinopatias, gestação, transfusões e doença renal crônica entre as situações em que a HbA1c pode não refletir a glicose real. Segundo o NIDDK, a falta de ferro pode elevar o resultado de forma falsa. Nesses casos, o médico se apoia também em exames de glicose.

Quem tem diabetes deve repetir o exame com que frequência?

O NIDDK informa que especialistas recomendam pelo menos duas dosagens por ano para quem tem diabetes, com intervalos menores quando a meta ainda não foi atingida. A frequência de cada pessoa é definida em consulta, conforme o tratamento e o controle.

Qual glicemia média corresponde a uma HbA1c de 7%?

Pela tabela da diretriz da SBD, baseada no estudo ADAG, uma HbA1c de 7% corresponde a uma glicemia média estimada de 154 mg/dL. Uma HbA1c de 6% corresponde a cerca de 126 mg/dL, e uma de 8%, a cerca de 183 mg/dL.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diagnóstico de diabetes mellitus (Diretriz da SBD) (2024).
  2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Metas de controle glicêmico (Diretriz da SBD) (2026).
  3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação (Diretriz da SBD) (2022).
  4. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIH). The A1C Test & Diabetes (2018).