Tireoidite de Hashimoto: sintomas, diagnóstico e tratamento

A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune em que anticorpos atacam a tireoide. É mais comum em mulheres e é a principal causa de hipotireoidismo. O diagnóstico usa TSH, T4 livre e o anticorpo anti-TPO; o ultrassom entra em casos selecionados. A levotiroxina só é indicada quando a função da tireoide cai. Com exames normais, o caminho é acompanhar.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

A tireoidite de Hashimoto é uma inflamação crônica da tireoide provocada pelo próprio sistema imunológico. Anticorpos passam a atacar a glândula e, ao longo dos anos, podem destruir parte das células que produzem os hormônios tireoidianos. Segundo o Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ela é a causa mais frequente de hipotireoidismo, que é a queda na produção desses hormônios.

Ter Hashimoto não é sinônimo de tomar remédio: o que decide o tratamento é como a tireoide está funcionando.

Quem tem mais risco de ter Hashimoto?

A causa exata não é conhecida. O Departamento de Tireoide da SBEM descreve uma combinação de predisposição genética com fatores do ambiente, como o excesso de iodo. Alguns grupos têm mais risco:

Quais são os sintomas da tireoidite de Hashimoto?

No começo, a maioria das pessoas não sente nada. A SBEM explica que a tireoide tem muita reserva e continua suprindo o organismo mesmo sob ataque. Segundo a diretriz latino-americana, a glândula costuma estar aumentada na tireoidite autoimune, e às vezes esse aumento aparece como um volume no pescoço, o bócio.

Quando a produção de hormônio cai e surge o hipotireoidismo, podem aparecer:

A diretriz latino-americana, que lista esses sinais, alerta que eles são pouco específicos, principalmente em idosos. Quem confirma o diagnóstico são os exames.

Como é feito o diagnóstico de Hashimoto?

Os exames mais usados são estes:

Exame Para que serve
TSH Hormônio da hipófise que sobe quando a tireoide produz pouco; é o exame mais sensível para detectar hipotireoidismo
T4 livre Mostra se o hormônio da tireoide já caiu ou se ainda está normal
Anti-TPO Anticorpo contra a tireoperoxidase, enzima da tireoide; indica autoimunidade
Ultrassom Mostra alterações na textura da glândula; não é pedido de rotina

O anti-TPO é considerado a marca registrada da doença. Segundo a diretriz latino-americana, ele aparece em quase todos os pacientes com Hashimoto, com sensibilidade de 91,9%. O anticorpo também aparece em quem não tem doença: no estudo americano NHANES III, citado na diretriz, 12,6% das pessoas sem problema de tireoide conhecido tinham anti-TPO positivo. Sozinho, ele indica risco, e não uma doença que precise de remédio.

A faixa normal do TSH depende do método de cada laboratório; o consenso da SBEM sobre hipotireoidismo subclínico usa 0,4 a 4,5 mU/L para adultos. Acima do limite, com T4 livre normal, fala-se em hipotireoidismo subclínico. O consenso recomenda repetir o TSH em cerca de três meses antes de concluir, porque parte dessas elevações é passageira.

No ultrassom, a tireoidite costuma deixar a glândula heterogênea e mais escura na imagem (hipoecogênica). A diretriz latino-americana não recomenda o exame de rotina no hipotireoidismo; ele ajuda quando os anticorpos são negativos ou para estimar o risco de progressão. A SBEM lembra que o ultrassom é muito sensível para nódulos e, sem indicação, pode gerar confusão.

Hashimoto sempre vira hipotireoidismo?

Não. Segundo o Departamento de Tireoide da SBEM, apenas cerca de 3% a 5% das pessoas com anticorpos positivos desenvolvem hipotireoidismo a cada ano, e o processo costuma levar anos.

O consenso da SBEM aponta o que aumenta a chance de progressão: sexo feminino, TSH mais alto, anticorpos positivos e excesso de iodo.

Quando o tratamento é necessário?

O tratamento é a reposição do hormônio com levotiroxina, que é o próprio T4 feito em laboratório. O Departamento de Tireoide da SBEM explica que não se trata a inflamação em si, e sim a consequência dela: a falta de hormônio.

As diretrizes seguem, em linhas gerais, esta lógica:

Segundo a SBEM, a dose varia conforme sexo, idade e peso, e é definida em consulta.

Quem tem Hashimoto pode engravidar?

Segundo a diretriz latino-americana, a necessidade de hormônio da tireoide aumenta já entre a 4ª e a 6ª semana de gravidez e continua subindo até a 16ª a 20ª semana. O posicionamento da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) com o Departamento de Tireoide da SBEM, de 2022, e a diretriz de 2026 da American Thyroid Association (ATA) concordam que o anti-TPO positivo aumenta o risco de complicações na gestação, mesmo com a tireoide funcionando bem, e que essas mulheres devem repetir o TSH durante a gravidez. Quem já usa levotiroxina costuma precisar de ajuste da dose logo no início, feito pelo médico.

Eles divergem sobre quando começar o remédio:

TSH na gestação Febrasgo e SBEM (2022) ATA (2026)
Entre 2,5 e 4,0 mU/L Indica levotiroxina Não indica
Acima do limite e até 10 mU/L, com T4 livre normal Indica levotiroxina Pode ser considerada no 1º trimestre; depois dele, não indica e repete o TSH em 4 a 6 semanas
Acima de 10 mU/L Indica levotiroxina Indica levotiroxina

As duas lembram que o anti-TPO positivo também aumenta o risco de tireoidite pós-parto.

Dieta sem glúten e selênio funcionam?

São temas com muita promessa e pouca evidência.

A SBEM lembra que o iodo é matéria-prima dos hormônios tireoidianos e não deve ser cortado da dieta. O que se evita é o excesso.

Quando procurar um endocrinologista?

Consulte um endocrinologista se você recebeu um anti-TPO positivo, tem TSH alterado, notou aumento no pescoço ou planeja engravidar. O especialista interpreta os exames e decide se e quando a levotiroxina é necessária. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende no Instituto Essência, no bairro Jóquei, em Teresina (PI), e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o tratamento de tireoide e a consulta.

Perguntas frequentes

Hashimoto tem cura?

Não existe tratamento que elimine a autoimunidade. Segundo o Departamento de Tireoide da SBEM, o que se trata é a consequência da doença, a falta de hormônio, com levotiroxina. Muitas pessoas com anticorpos positivos passam anos com a tireoide funcionando bem e precisam apenas de acompanhamento com exames.

Anti-TPO positivo significa que preciso tomar remédio?

Não necessariamente. O anti-TPO mostra que há autoimunidade, mas quem define o tratamento é a função da tireoide, medida pelo TSH e pelo T4 livre. Com TSH normal e fora da gravidez, a conduta habitual é repetir o exame periodicamente, com a frequência definida em consulta.

Preciso repetir o anti-TPO de tempos em tempos?

Em geral, não. A diretriz latino-americana de hipotireoidismo, publicada nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, orienta que o anti-TPO positivo não precisa ser repetido. O acompanhamento é feito com o TSH.

Quem tem Hashimoto pode engravidar?

Pode. A necessidade de hormônio aumenta no início da gravidez. A Febrasgo com a SBEM (2022) e a ATA (2026) recomendam repetir o TSH na gestação se o anti-TPO é positivo; a ATA sugere a cada 4 a 6 semanas até a metade da gravidez. As duas divergem sobre quando iniciar levotiroxina, e vale conversar com o endocrinologista no planejamento.

Dieta sem glúten melhora o Hashimoto?

Uma metanálise de 2023 com 87 pacientes sem doença celíaca sugeriu algum efeito, mas concluiu que as evidências não bastam para recomendar a dieta a todos. Quem também tem doença celíaca, que é mais frequente no Hashimoto, precisa retirar o glúten por causa da própria doença celíaca.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Tireoidite de Hashimoto (2018).
  2. Departamento de Tireoide da SBEM (Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia). Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos (2013).
  3. Sociedade Latino-Americana de Tireoide (Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia). Diretrizes clínicas práticas para o manejo do hipotiroidismo (2013).
  4. Febrasgo e Departamento de Tireoide da SBEM (revista Femina, BVS). Rastreio, diagnóstico e manejo do hipotireoidismo na gestação (Febrasgo Position Statement nº 10) (2022).
  5. Frontiers in Endocrinology. Effect of gluten-free diet on autoimmune thyroiditis progression in patients with no symptoms or histology of celiac disease: a meta-analysis (2023).
  6. American Thyroid Association (revista Thyroid). American Thyroid Association 2026 Guidelines for Thyroid Disease in Preconception, Pregnancy, and Postpartum (2026).