Perimenopausa: sintomas, duração e quando procurar ajuda

Perimenopausa é a transição que começa quando os ciclos menstruais passam a mudar e termina um ano depois da última menstruação. Os sinais mais comuns são ciclos irregulares, fogachos, suor noturno, sono ruim e mudanças de humor. Ela pode durar vários anos, ainda é possível engravidar e, a partir dos 45 anos, o diagnóstico costuma ser feito pelos sintomas, sem depender de exame de sangue.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

Ciclo que encurta, menstruação que atrasa, calor repentino no meio da reunião, noites mal dormidas. Muitas mulheres percebem essas mudanças perto dos 40 anos e ficam em dúvida se já é a menopausa. Na maior parte das vezes, trata-se da perimenopausa, a fase de transição que vem antes dela.

A menopausa, em si, é um marco: a última menstruação, reconhecida depois de 12 meses seguidos sem menstruar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria das mulheres chega a esse ponto entre 45 e 55 anos. Entender o que acontece no caminho ajuda a saber o que é esperado e o que merece avaliação.

O que é perimenopausa, segundo a OMS e o STRAW?

A OMS define a perimenopausa como o período que começa quando surgem os primeiros sinais da transição, em geral mudanças no ciclo menstrual, e termina um ano depois da última menstruação. A fase pode durar vários anos e afetar o bem-estar físico, emocional e social.

Pesquisadores usam uma classificação chamada STRAW+10 para descrever essas etapas. Ela se baseia principalmente no padrão das menstruações:

Etapa (STRAW+10) O que caracteriza
Transição inicial Diferença persistente de 7 dias ou mais entre a duração de ciclos seguidos, repetida em até 10 ciclos
Transição tardia Intervalos de 60 dias ou mais sem menstruar; dura, em média, de 1 a 3 anos
Início da pós-menopausa Os primeiros 12 meses depois da última menstruação, quando a perimenopausa termina

Quais são os sintomas da perimenopausa?

Os sintomas variam muito de uma mulher para outra. A diretriz britânica NICE lembra que eles podem ser leves ou intensos e durar pouco ou muito tempo.

Os mais conhecidos

Segundo a OMS, os sinais mais frequentes são:

Os menos lembrados

Alguns sintomas nem sempre são associados à perimenopausa. O NICE cita:

Outras condições podem causar queixas parecidas, como cansaço ou alterações menstruais. Por isso, a avaliação clínica considera o quadro completo, e não um sintoma isolado.

Quanto tempo dura a perimenopausa?

Não há um prazo único. A OMS fala em “vários anos”. Pelo STRAW+10, só a fase tardia da transição dura, em média, de 1 a 3 anos.

Os fogachos podem ir além da última menstruação. No estudo americano SWAN, publicado em 2015 no JAMA Internal Medicine, os fogachos frequentes duraram, em mediana, 7,4 anos no total e persistiram por 4,5 anos depois da última menstruação. A duração variou conforme a origem étnica: chegou a 10,1 anos entre mulheres negras. Mulheres que começaram a ter fogachos mais cedo na transição tenderam a tê-los por mais tempo.

Ainda dá para engravidar na perimenopausa?

Sim. A fertilidade cai, mas os ovários ainda podem liberar óvulos de forma irregular. A OMS recomenda manter a contracepção até completar 12 meses seguidos sem menstruação.

A Febrasgo acrescenta que a gravidez nessa fase se associa a mais complicações obstétricas e malformações fetais, o que reforça a importância de um método eficaz. Alguns métodos trazem benefícios além da contracepção, segundo a mesma publicação:

A escolha do método é individual e deve ser feita em consulta.

Exame de FSH confirma a perimenopausa?

Na maioria das vezes, não. O FSH (hormônio folículo-estimulante) é produzido pela hipófise e costuma subir quando os ovários respondem menos. O problema é que, na perimenopausa, ele oscila bastante. O STRAW+10 descreve que, na transição tardia, o FSH às vezes aparece na faixa da menopausa e às vezes na faixa da idade reprodutiva.

Por isso, o NICE recomenda:

Exames ainda podem ser úteis para investigar outras causas dos sintomas, conforme a avaliação de cada caso.

Quais são as opções de tratamento?

Nem toda mulher precisa de tratamento. Quando os sintomas atrapalham a vida, há caminhos diferentes, sempre avaliando riscos e benefícios. Em linhas gerais, o NICE descreve:

O NICE não recomenda antidepressivos nem clonidina como primeira escolha para tratar apenas os fogachos. A diretriz também orienta ajustar a conversa sobre benefícios e riscos à idade, à história de saúde e aos fatores de risco de cada mulher, e não indica terapia hormonal com o objetivo de prevenir doença cardiovascular ou demência. Para quem ainda precisa de contracepção, métodos hormonais de baixa dose podem ajudar a regular o ciclo, como descreve a Febrasgo. A indicação de qualquer tratamento é individual e feita em consulta.

Quando procurar um endocrinologista?

Uma consulta faz sentido quando os sintomas atrapalham o sono, o trabalho ou a vida sexual, quando o sangramento foge muito do seu padrão, quando as mudanças começam antes dos 45 anos ou quando há dúvida sobre terapia hormonal diante de outras condições de saúde. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende no Instituto Essência, em Teresina (PI), e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o tratamento de menopausa e reposição hormonal e a consulta.

Perguntas frequentes

Com que idade começa a perimenopausa?

Não existe uma idade fixa. A perimenopausa começa alguns anos antes da menopausa, que, segundo a OMS, acontece na maioria das mulheres entre 45 e 55 anos. O primeiro sinal costuma ser a mudança no intervalo entre as menstruações.

Posso engravidar na perimenopausa?

Sim. A fertilidade diminui, mas não chega a zero. A OMS recomenda manter a contracepção até completar 12 meses seguidos sem menstruar, e a Febrasgo lembra que a gravidez nessa fase tem mais risco de complicações.

Preciso dosar FSH para saber se estou na perimenopausa?

Na maioria das vezes, não. A partir dos 45 anos, a diretriz britânica NICE orienta identificar a perimenopausa pelos sintomas e pelas mudanças no ciclo. O FSH oscila muito nessa fase, e um resultado isolado pode confundir.

Quanto tempo duram os fogachos?

Varia bastante. No estudo americano SWAN, os fogachos frequentes duraram, em mediana, 7,4 anos no total e continuaram por cerca de 4,5 anos depois da última menstruação.

Toda mulher na perimenopausa precisa de reposição hormonal?

Não. O tratamento depende da intensidade dos sintomas, da saúde geral e das preferências de cada mulher. Existem opções hormonais e não hormonais, e a decisão é individual, feita em consulta.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Menopause (fact sheet) (2024).
  2. Menopause, via PubMed Central (NIH). Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10 (STRAW+10) (2012).
  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Menopause: identification and management (NG23) (2026).
  4. JAMA Internal Medicine, via PubMed Central (NIH). Duration of menopausal vasomotor symptoms over the menopause transition (2015).
  5. Febrasgo. Anticoncepção na perimenopausa (2017).