Efeito sanfona: por que o peso volta e o que ajuda a manter o peso perdido

O efeito sanfona acontece porque, depois de emagrecer, o corpo gasta menos energia e sente mais fome, com queda de hormônios como a leptina. Revisões estimam que cerca de metade do peso perdido volta em até dois anos. Atividade física regular, acompanhamento contínuo, automonitoramento e sono adequado estão entre as estratégias com evidência para manter o resultado.

Por equipe editorial do consultório · Publicado em

“Efeito sanfona” é o nome popular do ciclo de perder peso e depois recuperá-lo, às vezes com alguns quilos a mais. Quem passa por isso costuma se culpar e achar que faltou força de vontade.

A ciência mostra um quadro diferente. Depois de uma perda de peso, o corpo ativa mecanismos que empurram o peso de volta ao ponto anterior. Conhecer esses mecanismos não resolve o problema sozinho, mas ajuda a escolher estratégias com respaldo em estudos e a encarar a manutenção como parte do tratamento.

Por que o peso volta depois de emagrecer?

São duas forças principais, que atuam ao mesmo tempo: o corpo passa a gastar menos energia e o apetite aumenta.

O gasto de energia cai

Um corpo menor gasta menos energia, o que é esperado. Uma revisão de Hall e Kahan, publicada em 2018, estima que, para cada quilo perdido, o gasto diário cai cerca de 20 a 30 kcal.

Em alguns casos, a queda vai além do previsto pela mudança de peso e de composição corporal, fenômeno chamado de adaptação metabólica. Um exemplo extremo vem de um estudo com 14 ex-participantes do reality show americano The Biggest Loser. Eles perderam em média 58 kg durante a competição. Seis anos depois, haviam recuperado cerca de 41 kg, e o metabolismo de repouso seguia aproximadamente 700 kcal por dia abaixo do valor inicial, cerca de 500 kcal abaixo do esperado para o corpo que tinham naquele momento.

A fome aumenta e a saciedade diminui

O segundo mecanismo pesa ainda mais. A mesma revisão calcula que o apetite aumenta cerca de 100 kcal por dia para cada quilo perdido, e os autores consideram que as mudanças no apetite provavelmente têm papel mais importante do que a desaceleração do metabolismo.

Os hormônios ajudam a explicar isso:

O resultado é uma pessoa que come o mesmo que antes, mas sente mais fome e se satisfaz menos.

Quanto peso costuma voltar?

Os números variam conforme o estudo, mas a tendência se repete. Hall e Kahan relatam que mais da metade do peso perdido costuma voltar em dois anos e que, em cinco anos, mais de 80% já foi recuperado. A revisão de 2023 fala em cerca de metade em dois anos e até 70% em cinco anos.

Esses dados vêm, em grande parte, de programas com começo e fim definidos. Hall e Kahan estimam que evitar o reganho exige um esforço persistente de cerca de 300 a 500 kcal por dia para compensar o metabolismo mais lento e a fome maior. Os autores concluem que mesmo intervenções curtas de alta qualidade dificilmente mantêm resultados sem acompanhamento e apoio contínuos.

Por que se fala em tratamento contínuo da obesidade?

A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, publicada pela ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) em 2026, define a obesidade como uma doença crônica, multifatorial e recidivante, ou seja, com tendência a voltar. A diretriz descreve a mesma dupla de mecanismos: depois da perda de peso, o metabolismo de repouso cai e o apetite aumenta. Por isso, quando o medicamento foi indicado e funcionou, ela recomenda mantê-lo a longo prazo, com reavaliações periódicas de eficácia e segurança, sempre junto com mudanças de estilo de vida.

O estudo STEP 1 ilustra esse ponto. Participantes que usaram semaglutida por 68 semanas perderam em média 17,3% do peso. Um ano depois de interromper o medicamento, haviam recuperado cerca de dois terços do que tinham perdido, e a maior parte das melhoras em pressão, glicose e colesterol voltou para perto do início. Os autores concluíram que os achados confirmam o caráter crônico da obesidade. A diretriz da ABESO cita esse e outros estudos para mostrar que a recuperação de peso é comum após a suspensão dos remédios.

Isso não significa que todo mundo precisa de remédio para sempre. Significa que o plano de manutenção deve ser pensado desde o início, com decisões individuais tomadas em consulta.

O que ajuda a manter o peso perdido?

Nenhuma estratégia isolada garante a manutenção, mas algumas têm respaldo consistente:

Pequenas recuperações acontecem. Perceber cedo o ganho de peso e conversar com a equipe ajuda a rever o plano a tempo.

Quando procurar um endocrinologista?

Converse com um endocrinologista se você já passou por vários ciclos de perda e ganho de peso, se o peso volta mesmo com esforço ou se há outras condições associadas, como pré-diabetes, pressão alta ou alterações hormonais. O especialista investiga o que está por trás do reganho e ajuda a montar um plano de manutenção realista, sempre de forma individual. Para conhecer essa abordagem, veja como funciona o tratamento de emagrecimento e obesidade e a consulta.

Perguntas frequentes

O metabolismo fica lento para sempre depois de emagrecer?

Não dá para generalizar. Há estudos em que a queda do gasto de energia e da leptina persistiu por anos, como no acompanhamento de seis anos de participantes de um reality show de emagrecimento. A intensidade varia de pessoa para pessoa e depende de quanto e de como o peso foi perdido.

Quanto exercício ajuda a manter o peso perdido?

Uma revisão publicada em 2023 aponta que níveis altos de atividade física, em torno de 200 a 300 minutos por semana de intensidade pelo menos moderada, são uma característica comum de quem mantém o peso. A quantidade ideal para cada pessoa deve ser ajustada com o médico.

Dormir pouco atrapalha o emagrecimento?

Pode atrapalhar. Em um estudo controlado, adultos em dieta que dormiram 5,5 horas por noite perderam 55% menos gordura e mais massa magra do que quando dormiram 8,5 horas, além de relatarem mais fome.

Se eu parar o remédio para obesidade, o peso volta?

O reganho é comum. No estudo STEP 1, quem interrompeu a semaglutida recuperou, em média, cerca de dois terços do peso perdido em um ano. A decisão de manter, ajustar ou suspender um medicamento é individual e feita em consulta.

Consulta com a Dra. Natália Brito

  • R$ 500, presencial ou por teleconsulta, com retorno incluso. Na consulta presencial, a bioimpedância também está inclusa.
  • Consulta de cerca de 60 minutos, particular.
  • A Dra. Natália emite recibo da consulta para o paciente solicitar reembolso ao plano de saúde. O valor devolvido depende das regras de cada contrato.
  • Instituto Essência — Edifício Prof. Carlos Daniel, Jóquei, Teresina.
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Referências

  1. Medical Clinics of North America, via PubMed Central. Maintenance of lost weight and long-term management of obesity (2018).
  2. Obesity (Silver Spring), via PubMed Central. New insights in the mechanisms of weight-loss maintenance: summary from a Pennington symposium (2023).
  3. Obesity (Silver Spring), via PubMed Central. Persistent metabolic adaptation 6 years after The Biggest Loser competition (2016).
  4. Diabetes, Obesity and Metabolism, via PubMed Central. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: the STEP 1 trial extension (2022).
  5. Annals of Internal Medicine, via PubMed Central. Insufficient sleep undermines dietary efforts to reduce adiposity (2010).
  6. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, 5ª edição (2026).