# Vitamina D baixa: sintomas, exames e quando suplementar

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 30/09/2026.

> Pelo posicionamento da SBEM e da SBPC/ML, vitamina D abaixo de 20 ng/mL indica deficiência. Para a população geral com menos de 65 anos, de 20 a 60 ng/mL é adequado. Em grupos de risco, como idosos, gestantes e pessoas com osteoporose, o ideal é de 30 a 60 ng/mL. Pessoas saudáveis não precisam dosar de rotina, e suplementar sem orientação pode levar a excesso.

Os pedidos de dosagem de vitamina D cresceram muito, e um resultado “baixo” costuma gerar dúvida sobre suplemento, dose e sintomas. O posicionamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), de 2020, registra esse aumento e observa que muitos desses pedidos são questionáveis.

Entender para que serve a vitamina D, quem realmente precisa dosar e como interpretar o número ajuda a evitar dois erros: ignorar uma deficiência importante e tomar suplemento sem necessidade.

## Para que serve a vitamina D?

A vitamina D ajuda o intestino a absorver cálcio e fósforo, os minerais que formam o osso. Ela também freia a produção de PTH, o hormônio das glândulas paratireoides, segundo a SBEM e a SBPC/ML. Quando falta vitamina D, o PTH tende a subir para manter o cálcio no sangue, e parte desse cálcio sai dos ossos.

A principal fonte é a pele. A radiação ultravioleta B do sol transforma um derivado do colesterol em vitamina D. A alimentação contribui menos, com peixes gordurosos, óleo de fígado de bacalhau, gema de ovo, alguns cogumelos e alimentos fortificados, segundo o mesmo posicionamento.

## Quais são os valores de referência da vitamina D?

O exame mede a 25-hidroxivitamina D, ou 25(OH)D, a forma que circula no sangue e reflete o estoque do corpo. Os valores recomendados pela SBEM e pela SBPC/ML são:

| Resultado de 25(OH)D | Interpretação |
|---|---|
| Abaixo de 20 ng/mL | Deficiência |
| De 20 a 60 ng/mL | Adequado para a população geral com menos de 65 anos |
| De 30 a 60 ng/mL | Ideal para grupos de risco |
| Acima de 100 ng/mL | Risco de intoxicação |

O mesmo documento afirma que, até agora, não há benefício evidente em manter a vitamina D acima de 60 ng/mL em nenhuma situação clínica. As sociedades brasileiras também reconhecem que algumas diretrizes internacionais adotam outros valores e que o tema ainda gera debate.

A diretriz de 2024 da Endocrine Society, dos Estados Unidos, seguiu outro caminho: ela não define um valor-alvo de vitamina D para pessoas saudáveis, porque os estudos clínicos não estabeleceram níveis ligados a benefícios claros. A versão anterior, de 2011, tratava de pessoas com risco de deficiência; a de 2024 trata da população geral saudável, como explica um comentário publicado no Journal of Bone and Mineral Research.

## Quem deve dosar a vitamina D?

O posicionamento da SBEM e da SBPC/ML recomenda a dosagem para quem tem condições de risco para deficiência. Nesses grupos, o alvo de 30 a 60 ng/mL é considerado o ideal:

- pessoas com mais de 65 anos e quem cai com frequência;
- gestantes;
- pessoas com osteoporose, osteomalacia ou fraturas por fragilidade;
- quem tem hiperparatireoidismo secundário;
- pessoas que fizeram cirurgia bariátrica ou têm má absorção intestinal, como doença celíaca e doença de Crohn;
- quem tem doença renal crônica, insuficiência do fígado, diabetes tipo 1 ou câncer;
- quem usa remédios que alteram o metabolismo da vitamina D, como alguns anticonvulsivantes, antirretrovirais e o cetoconazol.

O documento também cita fatores que reduzem a produção na pele, como pele escura, obesidade, uso de barreiras ao sol e permanência em ambientes fechados, por exemplo em pessoas acamadas.

### Quem não precisa dosar

Para pessoas saudáveis, a recomendação é outra. A diretriz de 2024 da Endocrine Society sugere não dosar a vitamina D de rotina, sem indicação específica, em adultos de 19 a 74 anos, em pessoas com 75 anos ou mais, em gestantes e em adultos com pele escura ou obesidade. Nesse ponto as orientações divergem: o posicionamento brasileiro recomenda o exame para idosos acima de 65 anos e gestantes, por exemplo. Por isso a indicação do exame é decidida caso a caso.

## Quais são os sintomas da vitamina D baixa?

Os efeitos mais bem estabelecidos aparecem quando a falta é prolongada. Segundo a SBEM e a SBPC/ML, a deficiência crônica, junto com pouca ingestão de cálcio, prejudica a mineralização do osso e leva ao raquitismo em crianças e à osteomalacia em adultos. A osteomalacia é o amolecimento dos ossos. O MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, descreve como sintomas:

- dor óssea espalhada, principalmente nos quadris;
- fraqueza muscular;
- fraturas com traumas pequenos.

Em idosos, o posicionamento brasileiro relaciona a falta de vitamina D a perda de força muscular, mais quedas e ossos mais frágeis. Os estudos citados mostram ganho de força com a correção, principalmente em quem tinha níveis muito baixos, abaixo de 12 ng/mL.

A deficiência também pode causar hiperparatireoidismo secundário, o aumento do PTH descrito acima, que contribui para a perda de massa óssea.

## Quando suplementar vitamina D?

A suplementação faz sentido para corrigir uma deficiência confirmada e para manter níveis adequados em quem tem risco. A escolha da forma, da dose e do tempo de uso é individual e feita em consulta, conforme a idade, o resultado do exame e as doenças associadas.

A diretriz de 2024 da Endocrine Society sugere suplementação sem exame prévio apenas para alguns grupos: crianças e adolescentes de 1 a 18 anos, adultos com mais de 75 anos, gestantes e pessoas com pré-diabetes de alto risco. Para adultos saudáveis com menos de 75 anos, ela não recomenda ir além da ingestão diária já indicada para a idade.

O jeito de tomar também importa. A SBEM e a SBPC/ML relatam que doses muito altas de uma só vez não trouxeram benefício aos ossos e, em um estudo, aumentaram as quedas em idosos. Doses diárias ou semanais são consideradas mais próximas do funcionamento natural do corpo.

## Vitamina D em excesso faz mal?

Faz. O excesso aumenta a absorção de cálcio e a retirada de cálcio dos ossos, o que eleva o cálcio no sangue (hipercalcemia). Segundo a SBEM e a SBPC/ML, isso pode causar:

- náusea e vômitos;
- fraqueza;
- falta de apetite;
- desidratação;
- insuficiência renal aguda.

O risco de intoxicação começa acima de 100 ng/mL e fica maior acima de 150 ng/mL, segundo o mesmo documento. A maioria dos casos publicados envolve doses empíricas ou muito acima do necessário, principalmente injetáveis, incluindo uma série de 16 casos com produto veterinário. As doses usuais de tratamento, prescritas e acompanhadas, não foram associadas a intoxicação.

## Quando procurar um endocrinologista?

Converse com um endocrinologista se você faz parte de um grupo de risco, tem osteoporose ou fraturas, recebeu um resultado muito baixo ou muito alto, ou está tomando suplemento por conta própria há meses. A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674) e atende no Instituto Essência, em Teresina, e por teleconsulta. Se quiser avaliar seu caso, veja como funciona o [tratamento de osteoporose](/osteoporose/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### Qual o valor normal de vitamina D?

Segundo a SBEM e a SBPC/ML, de 20 a 60 ng/mL é adequado para a população geral com menos de 65 anos. Para grupos de risco, o ideal é de 30 a 60 ng/mL. Abaixo de 20 ng/mL há deficiência, e acima de 100 ng/mL há risco de intoxicação.

### Todo mundo deveria dosar vitamina D?

Não. O posicionamento brasileiro recomenda a dosagem em pessoas com condições de risco para deficiência, como idosos acima de 65 anos e gestantes. A diretriz de 2024 da Endocrine Society vai além e sugere não fazer o exame de rotina em pessoas saudáveis, inclusive gestantes e idosos.

### Tomar sol ajuda na vitamina D?

Sim. Segundo a SBEM e a SBPC/ML, a produção na pele pela luz do sol é uma fonte bem mais importante que a alimentação. Idade avançada, pele escura, protetor solar, roupas e vidro reduzem essa produção. O quanto de sol é seguro no seu caso depende de avaliação individual.

### Vitamina D em excesso faz mal?

Faz. Segundo a SBEM e a SBPC/ML, o excesso eleva o cálcio no sangue e pode causar náusea, vômitos, fraqueza, falta de apetite, desidratação e insuficiência renal aguda. A maior parte dos casos relatados envolve doses altas sem controle, principalmente injetáveis.

### Vale a pena manter a vitamina D bem acima de 60?

Não há evidência para isso. O posicionamento da SBEM e da SBPC/ML afirma que, até agora, não há benefício claro em manter a vitamina D acima de 60 ng/mL em nenhuma situação clínica, seja para os ossos ou para outros órgãos.

## Referências

1. Archives of Endocrinology and Metabolism (SBEM e SBPC/ML). Reference values of 25-hydroxyvitamin D revisited: a position statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM) and the Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC/ML) (2020). https://www.endocrino.org.br/wp-content/uploads/2021/06/Valores-de-Referencia-Vitamina-D.pdf
2. Journal of Bone and Mineral Research. Vitamin D and disease prevention in 2024: commentary on recent Endocrine Society recommendations (2025). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12103718/
3. Endocrine Society. Vitamin D for the Prevention of Disease: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline (2024). https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/vitamin-d-for-prevention-of-disease
4. MedlinePlus (National Library of Medicine, EUA). Osteomalacia (2024). https://medlineplus.gov/ency/article/000376.htm

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-09-30
