# Triglicerídeos altos: causas, riscos e tratamento

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 02/10/2026.

> Triglicerídeos altos são valores acima de 150 mg/dL em jejum ou de 175 mg/dL sem jejum, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. As causas mais comuns são excesso de peso, álcool, açúcar e farinhas refinadas, diabetes descompensado, alguns remédios e fatores genéticos. A partir de 500 mg/dL, cresce o risco de pancreatite. O tratamento começa por alimentação, perda de peso e corte do álcool, e os remédios dependem do nível e do risco cardiovascular.

Triglicerídeos são a principal forma de gordura que o corpo usa como reserva de energia. Eles circulam no sangue e sobem depois das refeições, por isso são o item do perfil lipídico que mais muda quando o exame é feito sem jejum, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Valores discretamente altos entram na conta do risco cardiovascular. Valores muito altos são outra história: podem inflamar o pâncreas e pedem tratamento específico.

## Quais são os valores de referência dos triglicerídeos?

Pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025, da SBC, o valor desejável é:

- **abaixo de 150 mg/dL**, com jejum de 12 horas;
- **abaixo de 175 mg/dL**, sem jejum.

Para classificar a gravidade, a diretriz da Endocrine Society, sociedade internacional de endocrinologia, usa faixas medidas em jejum:

| Triglicerídeos em jejum | Classificação |
|---|---|
| Abaixo de 150 mg/dL | Normal |
| De 150 a 199 mg/dL | Hipertrigliceridemia leve |
| De 200 a 999 mg/dL | Moderada |
| De 1.000 a 1.999 mg/dL | Grave |
| 2.000 mg/dL ou mais | Muito grave |

A SBC adota um corte mais baixo para o que chama de hipertrigliceridemia grave: 500 mg/dL ou mais (ou 885 mg/dL, segundo alguns autores), faixa associada a risco de pancreatite aguda.

## O que causa triglicerídeos altos?

Com frequência, o aumento vem da soma de predisposição genética com outros fatores, segundo a Endocrine Society. As causas mais comuns são:

- **Excesso de peso e sedentarismo.** A Endocrine Society cita os dois entre os principais fatores.
- **Álcool.** O consumo excessivo aparece como causa secundária na Endocrine Society e na SBC.
- **Açúcar e carboidratos refinados.** A SBC explica que trocar gordura saturada por carboidratos refinados aumenta os triglicerídeos e reduz o HDL.
- **Diabetes, principalmente descompensado.** Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), triglicerídeos altos com HDL baixo são a alteração de gorduras mais frequente no diabetes tipo 2. A Endocrine Society lista o diabetes sem tratamento entre as causas secundárias.
- **Outras doenças.** Hipotireoidismo, doença renal crônica, doença do fígado e síndrome nefrótica são citados pela Associação Americana de Diabetes (ADA). A gestação também eleva os triglicerídeos, segundo a Endocrine Society.
- **Medicamentos.** A Endocrine Society lista diuréticos tiazídicos, betabloqueadores, estrogênios, isotretinoína, corticoides, alguns antirretrovirais, imunossupressores e antipsicóticos, entre outros.
- **Genética.** Há formas hereditárias, como a hipertrigliceridemia familiar e a hiperlipidemia familiar combinada. A síndrome da quilomicronemia familiar, que causa valores extremos, é rara: afeta de 1 a 10 pessoas por milhão, segundo a SBC.

Por isso, a Endocrine Society e a ADA recomendam procurar causas secundárias em quem tem triglicerídeos altos e tratá-las.

## Por que triglicerídeos muito altos são perigosos?

### Risco de pancreatite

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que causa dor abdominal intensa e pode ser grave. A SBC associa esse risco a valores a partir de 500 mg/dL. A Endocrine Society considera como risco de pancreatite os valores acima de 1.000 mg/dL, e a ADA fala em 500 mg/dL e, principalmente, acima de 1.000 mg/dL.

Nas formas genéticas graves, a SBC descreve dor abdominal recorrente, pancreatite repetida, xantomas eruptivos (pequenos caroços amarelados na pele) e alteração no aspecto dos vasos da retina.

### Risco cardiovascular

Nas faixas leve e moderada, os triglicerídeos podem ser fator de risco para doença cardiovascular, segundo a Endocrine Society. A SBC trata o colesterol não-HDL (colesterol total menos o HDL) como meta de tratamento junto com o LDL, principalmente em quem tem triglicerídeos altos.

## Como é o tratamento dos triglicerídeos altos?

### Mudanças de estilo de vida

É a base em qualquer faixa. As diretrizes convergem em alguns pontos:

- **perder peso**, quando há excesso: a SBC afirma que isso reduz os triglicerídeos e eleva o HDL;
- **cortar o álcool**: a ADA inclui a abstinência no tratamento, e a SBD fala em restrição;
- **reduzir açúcar adicionado e farinhas refinadas**, como recomenda a SBC, e reduzir carboidratos, como orienta a SBD;
- **fazer atividade física**: a SBC recomenda pelo menos 150 minutos por semana de intensidade moderada;
- **controlar as causas secundárias**, como diabetes e hipotireoidismo, e rever remédios que elevam os triglicerídeos.

Na hipertrigliceridemia grave, a SBD e a Endocrine Society acrescentam a redução da gordura na alimentação, junto com a de carboidratos simples, para diminuir o risco de pancreatite.

### Remédios

A escolha depende do valor dos triglicerídeos e do risco cardiovascular:

- **Estatinas.** Quando o objetivo é reduzir o risco cardiovascular em quem tem triglicerídeos a partir de 150 mg/dL, a SBC recomenda estatina como primeira escolha. A SBD faz a mesma recomendação para pessoas com diabetes e hipertrigliceridemia leve a moderada.
- **Fibratos.** Com triglicerídeos persistentemente a partir de 500 mg/dL, mesmo com mudanças de hábito, a SBC recomenda fibrato para reduzir o risco de pancreatite. O alvo é manter os valores abaixo de 500 mg/dL. Quando é preciso associar com estatina, a SBC prefere o fenofibrato, pelo menor risco para os músculos.
- **Ômega-3.** A SBC recomenda contra formulações de EPA com DHA para prevenir eventos cardiovasculares em quem tem triglicerídeos entre 150 e 499 mg/dL e doença cardiovascular ou risco cardiovascular alto. A forma purificada de EPA estudada com esse fim, a icosapenta etila, não está disponível no Brasil, segundo a diretriz.

Remédio, combinação e dose são decisões individuais, feitas em consulta com base nos exames e no risco de cada pessoa.

## Quando procurar um endocrinologista?

Procure um endocrinologista se os seus triglicerídeos estão altos e você tem diabetes, excesso de peso ou alteração da tireoide, se o valor passou de 500 mg/dL, se você já teve pancreatite ou se há casos de triglicerídeos muito altos na família. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende presencialmente e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o [tratamento de diabetes](/diabetes/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### Triglicerídeos altos dão sintomas?

Na maioria das vezes, não. Nas formas genéticas graves, com valores muito altos, a SBC descreve dor abdominal recorrente, crises de pancreatite, xantomas eruptivos (pequenos caroços amarelados na pele) e alteração na retina. Por isso, o diagnóstico costuma vir do exame de sangue.

### Bebida alcoólica aumenta os triglicerídeos?

Sim. O consumo excessivo de álcool está entre as causas listadas pela Endocrine Society e pela SBC. A ADA inclui a abstinência de álcool no tratamento dos triglicerídeos altos, e a SBC recomenda contra beber com a intenção de proteger o coração.

### Ômega-3 ajuda a baixar os triglicerídeos?

O óleo de peixe reduz os triglicerídeos, segundo a SBC, mas o benefício para o coração depende da formulação. A diretriz de 2025 recomenda contra suplementos de EPA com DHA para prevenir eventos cardiovasculares em quem tem triglicerídeos entre 150 e 499 mg/dL e doença cardiovascular ou risco alto. O uso deve ser discutido com o médico.

### Precisa de jejum para medir triglicerídeos?

Não necessariamente. A SBC aceita a dosagem sem jejum, com referência abaixo de 175 mg/dL, contra 150 mg/dL em jejum. Os triglicerídeos são o exame que mais varia com a refeição, e álcool ou comida muito gordurosa na véspera podem alterar o resultado.

## Referências

1. Sociedade Brasileira de Cardiologia (Arquivos Brasileiros de Cardiologia). Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2025 (2025). https://www.scielo.br/j/abc/a/tRJrwGzKX6C4GvMqdJpZcGk/?lang=pt
2. Endocrine Society (The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism). Evaluation and Treatment of Hypertriglyceridemia: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline (2012). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3431581/
3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Manejo do risco cardiovascular: dislipidemia. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026). https://diretriz.diabetes.org.br/manejo-do-risco-cardiovascular-dislipidemia/
4. American Diabetes Association (Diabetes Care). 10. Cardiovascular Disease and Risk Management: Standards of Care in Diabetes 2026 (2026). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12690187/

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-10-02
