# Tirzepatida (Mounjaro): como funciona, para quem é indicada e riscos

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 30/09/2026.

> A tirzepatida é um remédio injetável semanal que imita dois hormônios do intestino, o GIP e o GLP-1, aumenta a saciedade e melhora a ação da insulina. No Brasil, a Anvisa aprovou o uso no diabetes tipo 2 e no controle crônico do peso em adultos com IMC a partir de 30, ou a partir de 27 com doença associada. Exige receita e acompanhamento, e o peso tende a voltar quando o tratamento é interrompido.

A tirzepatida chegou às farmácias brasileiras como tratamento do diabetes tipo 2 e, em 2025, ganhou também indicação para o controle do peso. Desde então, virou assunto frequente em consultórios, redes sociais e conversas de família, nem sempre com informação correta.

Este texto explica como o remédio age, para quem foi aprovado, o que os estudos mostraram, quais são os efeitos colaterais e o que acontece quando o tratamento é interrompido.

## Como a tirzepatida funciona?

Depois de uma refeição, o intestino libera hormônios que avisam o corpo de que há comida chegando. Dois deles são o GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose) e o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Segundo o posicionamento da ABESO e da SBEM, o GIP é produzido por células do duodeno e do jejuno, as primeiras partes do intestino delgado, em resposta aos nutrientes.

A tirzepatida ativa os receptores desses dois hormônios ao mesmo tempo. De acordo com a Anvisa, ela aumenta a sensibilidade à insulina, deixa o esvaziamento do estômago mais lento e reduz a ingestão de alimentos, o que traz sensação de saciedade.

O remédio é aplicado por injeção sob a pele uma vez por semana. Segundo a Anvisa, a dose é aumentada de forma gradual. A dose de cada pessoa e o ritmo desse aumento são definidos em consulta.

## Para quem a tirzepatida é indicada no Brasil?

A Anvisa aprovou a tirzepatida primeiro para diabetes e depois para controle do peso:

| Indicação | Quando foi aprovada | Para quem |
|---|---|---|
| Diabetes tipo 2 | Setembro de 2023 | Pessoas com diabetes tipo 2, para ajudar no controle da glicose |
| Controle crônico do peso | Junho de 2025 | Adultos com IMC a partir de 30, ou a partir de 27 com pelo menos uma doença ligada ao peso |

O IMC (índice de massa corporal) é o peso em quilos dividido pela altura em metros ao quadrado. Na indicação para peso, as doenças associadas aceitas são hipertensão, dislipidemia (colesterol ou triglicerídeos alterados), apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes e diabetes tipo 2. A indicação prevê o uso junto com dieta de baixa caloria e aumento da atividade física. A Anvisa informa que a segurança não foi estabelecida em menores de 18 anos para esse uso.

A diretriz da ABESO de 2026 também recomenda considerar a tirzepatida para pessoas com IMC a partir de 30 e apneia obstrutiva do sono moderada a grave.

## Quanto peso se perdeu nos estudos com tirzepatida?

O principal estudo em pessoas com obesidade sem diabetes foi o SURMOUNT-1, com 2.537 adultos acompanhados por 72 semanas. Segundo a diretriz da ABESO, a perda média de peso, já descontado o efeito do placebo, ficou entre 11,9% e 17,8%, conforme a dose.

Esses números são médias, e a resposta varia bastante. Mesmo na dose mais alta, cerca de 1 em cada 10 participantes não chegou a perder 5% do peso, segundo a mesma diretriz, enquanto outros perderam bem mais do que a média. O resultado de cada pessoa não pode ser previsto pelos números do estudo. A ABESO observa que quem já emagreceu antes e está abaixo do seu peso máximo tende a ter perdas adicionais menores.

Nos estudos, o remédio foi usado junto com orientação de alimentação e atividade física. A diretriz recomenda que o tratamento com medicamentos seja sempre acompanhado dessas mudanças, porque a combinação pode potencializar a perda de peso e a melhora de marcadores do coração e do metabolismo.

## Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Os efeitos mais frequentes são gastrointestinais: náusea, diarreia e prisão de ventre, segundo a diretriz da ABESO. No SURMOUNT-1, a náusea foi o mais comum, relatada por um quarto a quase um terço dos participantes, principalmente na fase de aumento da dose, segundo o posicionamento ABESO/SBEM de 2024.

A maioria desses efeitos foi leve ou moderada. Eles levaram à interrupção do remédio em 4,3% a 7,1% dos participantes, conforme a dose, contra 2,6% no grupo placebo, segundo a ABESO. A colecistite (inflamação da vesícula biliar) apareceu com mais frequência entre quem usou tirzepatida, embora tenha sido rara.

Na aprovação para controle do peso, a Anvisa citou maior ocorrência de problemas gastrointestinais, distúrbios da vesícula, reações alérgicas e reações no local da injeção. A agência também listou queda de cabelo, tontura, pressão baixa, anafilaxia (reação alérgica grave) e angioedema (inchaço rápido de pele e mucosas) entre os eventos identificados. Nos dados de uso após a chegada ao mercado, citados pela Anvisa, as notificações mais frequentes, ainda que com baixa incidência, foram pancreatite, vômitos, diarreia, náusea, desidratação e insuficiência renal aguda.

Dor abdominal forte e persistente, vômitos que não param, inchaço no rosto ou na garganta e falta de ar durante o uso pedem atendimento de urgência.

## Quem não deve usar tirzepatida?

O posicionamento ABESO/SBEM lista como contraindicações:

- gravidez;
- história pessoal de pancreatite crônica, que é a inflamação persistente do pâncreas;
- história pessoal ou familiar de câncer medular de tireoide, um tipo raro de câncer dessa glândula;
- neoplasia endócrina múltipla tipo 2A ou 2B, síndrome genética que aumenta o risco de tumores em glândulas.

A diretriz da ABESO orienta interromper os remédios para obesidade quando há gestação planejada ou confirmada e durante a amamentação.

## Por que não usar tirzepatida sem acompanhamento?

O acompanhamento serve para confirmar a indicação, checar as contraindicações e ajustar a dose conforme a tolerância. A ABESO recomenda, por exemplo, avaliar a presença de sarcopenia (perda de massa e força muscular) em pessoas com mais de 60 anos que vão usar remédios para obesidade.

Há também o risco do produto. Desde 2025, a Anvisa exige a retenção da receita na farmácia para os agonistas de GLP-1, grupo em que a tirzepatida está incluída. Em 2026, a agência anunciou medidas contra o crescimento irregular da manipulação de canetas com semaglutida, tirzepatida e liraglutida, citando problemas de esterilização, falhas no controle de qualidade e insumos sem origem identificada. A diretriz da ABESO não recomenda fórmulas manipuladas para tratar obesidade.

## O que acontece quando a tirzepatida é interrompida?

O estudo SURMOUNT-4 testou exatamente isso. Todos os participantes usaram tirzepatida por 36 semanas e perderam, em média, 20,9% do peso. Depois, parte continuou com o remédio e parte passou a receber placebo, sem saber qual dos dois estava usando.

Nas 52 semanas seguintes, quem continuou perdeu mais 5,5% do peso, e quem passou para o placebo recuperou 14%. No fim do estudo, 89,5% do grupo que manteve o remédio conservava pelo menos 80% da perda inicial, contra 16,6% do grupo placebo.

Segundo a diretriz da ABESO, depois do emagrecimento o corpo reduz o gasto de energia em repouso e aumenta o apetite, o que favorece o reganho. Por isso, a diretriz recomenda manter o tratamento com remédio para sustentar o peso perdido em longo prazo, com reavaliações periódicas de eficácia e segurança. Manter, reduzir ou suspender a medicação são decisões individuais, tomadas em consulta.

## Quando procurar um endocrinologista?

Uma consulta com endocrinologista é indicada se você tem IMC a partir de 30, ou a partir de 27 com pressão alta, pré-diabetes, diabetes, colesterol alterado ou apneia do sono, e também se pensa em começar ou parar a tirzepatida. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende no Instituto Essência, em Teresina, e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o [tratamento de emagrecimento e obesidade](/emagrecimento-e-obesidade/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### Tirzepatida é a mesma coisa que semaglutida?

Não. As duas imitam hormônios do intestino, mas a semaglutida age só no receptor do GLP-1, enquanto a tirzepatida age também no receptor do GIP. Na comparação feita pela diretriz da ABESO de 2026, a tirzepatida aparece com perda média de peso um pouco maior. A escolha entre elas depende do perfil de cada pessoa.

### Quem tem diabetes tipo 2 pode usar tirzepatida?

Sim. O diabetes tipo 2 foi a primeira indicação aprovada no Brasil, em setembro de 2023, para ajudar no controle da glicose. Na indicação para controle do peso, aprovada em 2025, o diabetes tipo 2 também conta como doença associada ao excesso de peso.

### Posso comprar tirzepatida sem receita?

Não. Desde 2025, a Anvisa exige a retenção da receita na farmácia para os agonistas de GLP-1, grupo que inclui a tirzepatida. Canetas vendidas fora de farmácias regulares ou manipuladas podem ter origem e qualidade desconhecidas, segundo alertas da própria agência.

### A tirzepatida pode ser usada na gravidez?

Não. O posicionamento da ABESO e da SBEM lista a gravidez entre as contraindicações. A diretriz da ABESO orienta interromper os remédios para obesidade quando há gestação planejada ou confirmada e durante a amamentação. Quem planeja engravidar deve conversar com o médico antes.

### Vou precisar usar tirzepatida para sempre?

Não existe uma duração definida para todo mundo. Como a obesidade é uma doença crônica, a diretriz da ABESO recomenda manter o tratamento para sustentar o peso perdido, com reavaliações periódicas. No estudo SURMOUNT-4, quem trocou o remédio por placebo recuperou parte importante do peso.

## Referências

1. Anvisa. Tirzepatida: nova indicação para controle crônico do peso (2025). https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao
2. Anvisa. Medicamentos agonistas GLP-1 só poderão ser vendidos com retenção da receita (2025). https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/canetas-emagrecedoras-so-poderao-ser-vendidas-com-retencao-de-receita
3. Anvisa. Anvisa anuncia novas medidas de combate a irregularidades na importação e manipulação de canetas emagrecedoras (2026). https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-anuncia-novas-medidas-de-combate-a-irregularidades-na-importacao-e-manipulacao-de-canetas-emagrecedoras
4. ABESO. Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade 2026 (2026). https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Diretrizes-ABESO_completo_20260320.pdf
5. ABESO e SBEM. Tratamento farmacológico do indivíduo adulto com obesidade e seu impacto nas comorbidades: atualização 2024 (2024). https://www.endocrino.org.br/wp-content/uploads/2024/09/Posicionamento-ABESO-SBEM_Trata-mento-Farmacologico-24JUL24.pdf
6. JAMA (via PubMed Central). Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial (2024). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10714284/

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-09-30
