# Tireoidite de Hashimoto: sintomas, diagnóstico e tratamento

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 01/10/2026.

> A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune em que anticorpos atacam a tireoide. É mais comum em mulheres e é a principal causa de hipotireoidismo. O diagnóstico usa TSH, T4 livre e o anticorpo anti-TPO; o ultrassom entra em casos selecionados. A levotiroxina só é indicada quando a função da tireoide cai. Com exames normais, o caminho é acompanhar.

A tireoidite de Hashimoto é uma inflamação crônica da tireoide provocada pelo próprio sistema imunológico. Anticorpos passam a atacar a glândula e, ao longo dos anos, podem destruir parte das células que produzem os hormônios tireoidianos. Segundo o Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ela é a causa mais frequente de hipotireoidismo, que é a queda na produção desses hormônios.

Ter Hashimoto não é sinônimo de tomar remédio: o que decide o tratamento é como a tireoide está funcionando.

## Quem tem mais risco de ter Hashimoto?

A causa exata não é conhecida. O Departamento de Tireoide da SBEM descreve uma combinação de predisposição genética com fatores do ambiente, como o excesso de iodo. Alguns grupos têm mais risco:

- **Mulheres:** a doença é de cinco a oito vezes mais comum nelas do que nos homens, segundo a SBEM.
- **Pessoas mais velhas:** a chance aumenta com a idade, embora crianças também possam ter a doença.
- **Quem tem parentes com doença autoimune da tireoide.**
- **Quem tem outras doenças autoimunes ou certas síndromes genéticas:** a diretriz latino-americana de hipotireoidismo, publicada nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, cita diabetes tipo 1, lúpus, artrite reumatoide, síndrome de Sjögren, vitiligo e as síndromes de Down e de Turner entre os grupos que merecem investigação.

## Quais são os sintomas da tireoidite de Hashimoto?

No começo, a maioria das pessoas não sente nada. A SBEM explica que a tireoide tem muita reserva e continua suprindo o organismo mesmo sob ataque. Segundo a diretriz latino-americana, a glândula costuma estar aumentada na tireoidite autoimune, e às vezes esse aumento aparece como um volume no pescoço, o bócio.

Quando a produção de hormônio cai e surge o hipotireoidismo, podem aparecer:

- cansaço, fraqueza e lentidão;
- sensação de frio;
- intestino preso;
- pele seca e queda de cabelo;
- falhas de memória;
- inchaço nas pálpebras e no rosto;
- ganho de peso.

A diretriz latino-americana, que lista esses sinais, alerta que eles são pouco específicos, principalmente em idosos. Quem confirma o diagnóstico são os exames.

## Como é feito o diagnóstico de Hashimoto?

Os exames mais usados são estes:

| Exame | Para que serve |
|---|---|
| TSH | Hormônio da hipófise que sobe quando a tireoide produz pouco; é o exame mais sensível para detectar hipotireoidismo |
| T4 livre | Mostra se o hormônio da tireoide já caiu ou se ainda está normal |
| Anti-TPO | Anticorpo contra a tireoperoxidase, enzima da tireoide; indica autoimunidade |
| Ultrassom | Mostra alterações na textura da glândula; não é pedido de rotina |

O anti-TPO é considerado a marca registrada da doença. Segundo a diretriz latino-americana, ele aparece em quase todos os pacientes com Hashimoto, com sensibilidade de 91,9%. O anticorpo também aparece em quem não tem doença: no estudo americano NHANES III, citado na diretriz, 12,6% das pessoas sem problema de tireoide conhecido tinham anti-TPO positivo. Sozinho, ele indica risco, e não uma doença que precise de remédio.

A faixa normal do TSH depende do método de cada laboratório; o consenso da SBEM sobre hipotireoidismo subclínico usa 0,4 a 4,5 mU/L para adultos. Acima do limite, com T4 livre normal, fala-se em hipotireoidismo subclínico. O consenso recomenda repetir o TSH em cerca de três meses antes de concluir, porque parte dessas elevações é passageira.

No ultrassom, a tireoidite costuma deixar a glândula heterogênea e mais escura na imagem (hipoecogênica). A diretriz latino-americana não recomenda o exame de rotina no hipotireoidismo; ele ajuda quando os anticorpos são negativos ou para estimar o risco de progressão. A SBEM lembra que o ultrassom é muito sensível para nódulos e, sem indicação, pode gerar confusão.

## Hashimoto sempre vira hipotireoidismo?

Não. Segundo o Departamento de Tireoide da SBEM, apenas cerca de 3% a 5% das pessoas com anticorpos positivos desenvolvem hipotireoidismo a cada ano, e o processo costuma levar anos.

O consenso da SBEM aponta o que aumenta a chance de progressão: sexo feminino, TSH mais alto, anticorpos positivos e excesso de iodo.

## Quando o tratamento é necessário?

O tratamento é a reposição do hormônio com levotiroxina, que é o próprio T4 feito em laboratório. O Departamento de Tireoide da SBEM explica que não se trata a inflamação em si, e sim a consequência dela: a falta de hormônio.

As diretrizes seguem, em linhas gerais, esta lógica:

- **TSH normal com anticorpo positivo:** fora da gravidez, não há indicação de remédio, e o acompanhamento é feito com dosagens de TSH.
- **TSH persistentemente acima de 10 mU/L:** o consenso da SBEM recomenda tratar todos os pacientes.
- **TSH entre 4,5 e 10 mU/L:** o tratamento pode ser considerado em grupos específicos, como mulheres com anti-TPO positivo e TSH subindo ao longo do tempo. Acima de 65 anos, o consenso só recomenda tratar quando o TSH fica acima de 10 mU/L de forma sustentada.
- **T4 livre baixo (hipotireoidismo clínico):** há indicação de reposição hormonal.

Segundo a SBEM, a dose varia conforme sexo, idade e peso, e é definida em consulta.

## Quem tem Hashimoto pode engravidar?

Segundo a diretriz latino-americana, a necessidade de hormônio da tireoide aumenta já entre a 4ª e a 6ª semana de gravidez e continua subindo até a 16ª a 20ª semana. O posicionamento da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) com o Departamento de Tireoide da SBEM, de 2022, e a diretriz de 2026 da American Thyroid Association (ATA) concordam que o anti-TPO positivo aumenta o risco de complicações na gestação, mesmo com a tireoide funcionando bem, e que essas mulheres devem repetir o TSH durante a gravidez. Quem já usa levotiroxina costuma precisar de ajuste da dose logo no início, feito pelo médico.

Eles divergem sobre quando começar o remédio:

| TSH na gestação | Febrasgo e SBEM (2022) | ATA (2026) |
|---|---|---|
| Entre 2,5 e 4,0 mU/L | Indica levotiroxina | Não indica |
| Acima do limite e até 10 mU/L, com T4 livre normal | Indica levotiroxina | Pode ser considerada no 1º trimestre; depois dele, não indica e repete o TSH em 4 a 6 semanas |
| Acima de 10 mU/L | Indica levotiroxina | Indica levotiroxina |

As duas lembram que o anti-TPO positivo também aumenta o risco de tireoidite pós-parto.

## Dieta sem glúten e selênio funcionam?

São temas com muita promessa e pouca evidência.

- **Dieta sem glúten:** uma metanálise publicada em 2023 na revista Frontiers in Endocrinology reuniu 4 estudos, com 87 pacientes com Hashimoto sem doença celíaca. Os autores viram sinais de efeito, mas concluíram que as evidências não bastam para recomendar a dieta a todos. Segundo eles, doença celíaca e outras condições ligadas ao glúten aparecem em 2% a 9% das pessoas com Hashimoto; quem tem doença celíaca precisa retirar o glúten.
- **Selênio:** na gravidez, a ATA (2026) recomenda não oferecer o suplemento a gestantes com anti-TPO positivo e função normal, porque não há dados de que ele melhore os desfechos da gestação. Fora da gestação, converse com o médico antes de usar qualquer suplemento.

A SBEM lembra que o iodo é matéria-prima dos hormônios tireoidianos e não deve ser cortado da dieta. O que se evita é o excesso.

## Quando procurar um endocrinologista?

Consulte um endocrinologista se você recebeu um anti-TPO positivo, tem TSH alterado, notou aumento no pescoço ou planeja engravidar. O especialista interpreta os exames e decide se e quando a levotiroxina é necessária. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende no Instituto Essência, no bairro Jóquei, em Teresina (PI), e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o [tratamento de tireoide](/tireoide/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### Hashimoto tem cura?

Não existe tratamento que elimine a autoimunidade. Segundo o Departamento de Tireoide da SBEM, o que se trata é a consequência da doença, a falta de hormônio, com levotiroxina. Muitas pessoas com anticorpos positivos passam anos com a tireoide funcionando bem e precisam apenas de acompanhamento com exames.

### Anti-TPO positivo significa que preciso tomar remédio?

Não necessariamente. O anti-TPO mostra que há autoimunidade, mas quem define o tratamento é a função da tireoide, medida pelo TSH e pelo T4 livre. Com TSH normal e fora da gravidez, a conduta habitual é repetir o exame periodicamente, com a frequência definida em consulta.

### Preciso repetir o anti-TPO de tempos em tempos?

Em geral, não. A diretriz latino-americana de hipotireoidismo, publicada nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, orienta que o anti-TPO positivo não precisa ser repetido. O acompanhamento é feito com o TSH.

### Quem tem Hashimoto pode engravidar?

Pode. A necessidade de hormônio aumenta no início da gravidez. A Febrasgo com a SBEM (2022) e a ATA (2026) recomendam repetir o TSH na gestação se o anti-TPO é positivo; a ATA sugere a cada 4 a 6 semanas até a metade da gravidez. As duas divergem sobre quando iniciar levotiroxina, e vale conversar com o endocrinologista no planejamento.

### Dieta sem glúten melhora o Hashimoto?

Uma metanálise de 2023 com 87 pacientes sem doença celíaca sugeriu algum efeito, mas concluiu que as evidências não bastam para recomendar a dieta a todos. Quem também tem doença celíaca, que é mais frequente no Hashimoto, precisa retirar o glúten por causa da própria doença celíaca.

## Referências

1. Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Tireoidite de Hashimoto (2018). https://www.tireoide.org.br/tireoidite-de-hashimoto/
2. Departamento de Tireoide da SBEM (Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia). Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos (2013). https://www.scielo.br/j/abem/a/rtN69TFwHzvnYhHR7KZq6mg/?lang=pt
3. Sociedade Latino-Americana de Tireoide (Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia). Diretrizes clínicas práticas para o manejo do hipotiroidismo (2013). https://www.scielo.br/j/abem/a/RyCDtMtQqCKP5vG8hVSwpQC/?lang=pt
4. Febrasgo e Departamento de Tireoide da SBEM (revista Femina, BVS). Rastreio, diagnóstico e manejo do hipotireoidismo na gestação (Febrasgo Position Statement nº 10) (2022). https://docs.bvsalud.org/biblioref/2023/02/1414414/femina-2022-50-10-cad-cientifico-fps.pdf
5. Frontiers in Endocrinology. Effect of gluten-free diet on autoimmune thyroiditis progression in patients with no symptoms or histology of celiac disease: a meta-analysis (2023). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10405818/
6. American Thyroid Association (revista Thyroid). American Thyroid Association 2026 Guidelines for Thyroid Disease in Preconception, Pregnancy, and Postpartum (2026). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42219800/

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-10-01
