# Prolactina alta: causas, sintomas e tratamento

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 02/10/2026.

> Prolactina alta (hiperprolactinemia) é o aumento do hormônio que estimula a produção de leite. É esperada na gravidez e na amamentação, mas também aparece com alguns remédios, hipotireoidismo, doença renal, macroprolactina (uma forma pouco ativa do hormônio) e prolactinoma, um tumor benigno da hipófise. Antes de tratar, o médico confirma o resultado e procura a causa, porque o tratamento depende dela.

A prolactina é um hormônio produzido pela hipófise, uma glândula pequena na base do cérebro. A função mais conhecida dela é estimular a produção de leite depois do parto. Fora da gravidez e da amamentação, um resultado alto no exame costuma assustar, mas nem sempre indica doença.

O primeiro passo é entender de onde vem o aumento. Segundo o posicionamento conjunto da Febrasgo e da SBEM, de 2024, os valores normais variam conforme o método do laboratório e, nas mulheres, ficam em geral abaixo de 25 ng/mL. O número isolado, porém, diz pouco sem a história clínica.

## Quais são as causas da prolactina alta?

As causas se dividem em três grupos, e a macroprolactina aparece como um caso à parte.

| Grupo | Exemplos |
|---|---|
| Fisiológicas | Gravidez, amamentação, relação sexual, exercício, estresse |
| Medicamentos | Antipsicóticos, alguns antidepressivos, metoclopramida, domperidona, verapamil, metildopa, estrogênios, opioides |
| Doenças | Prolactinoma, hipotireoidismo, doença renal avançada, cirrose, compressão da haste da hipófise |
| Laboratorial | Macroprolactina |

A tabela resume o posicionamento da Febrasgo e da SBEM de 2024.

### Causas fisiológicas

Na gravidez e na amamentação, a prolactina pode passar de 200 ng/mL, segundo o mesmo documento. As outras causas fisiológicas costumam elevar pouco o hormônio e raramente causam sintomas.

### Medicamentos

Os antipsicóticos, principalmente os de primeira geração, são os remédios mais associados à prolactina alta, segundo a Febrasgo e a SBEM. Em uma revisão do Departamento de Neuroendocrinologia da SBEM, de 2018, antidepressivos e neurolépticos (outro nome dos antipsicóticos) responderam por 82,2% dos casos causados por medicamentos.

### Doenças

O prolactinoma é um adenoma, um tumor benigno da hipófise que produz prolactina. Em um estudo brasileiro com 1.234 pessoas com prolactina alta, citado pela Febrasgo e pela SBEM, o prolactinoma respondeu por 56,2% dos casos. O hipotireoidismo primário e a doença renal também entram na lista e são descartados com exames simples.

### Macroprolactina

É a prolactina presa a anticorpos, o que forma uma molécula grande e com pouca ação no corpo. O posicionamento da SBEM e da SBPC/ML, de 2025, aponta uma frequência média de 18,9% entre pessoas com prolactina alta. Cerca de 60% delas não têm nenhum sinal de excesso do hormônio.

## Quais os sintomas da prolactina alta?

A prolactina em excesso interfere nos hormônios que controlam ovários e testículos. Por isso os sintomas são diferentes em mulheres e homens.

### Em mulheres

Segundo a Febrasgo e a SBEM, os sintomas mais relatados são:

- menstruação irregular ou ausente;
- saída de leite pelas mamas fora da amamentação (galactorreia);
- dificuldade para engravidar;
- diminuição da libido;
- secura vaginal e dor na relação;
- ondas de calor;
- perda de massa óssea.

### Em homens

A revisão da SBEM de 2018 descreve disfunção sexual, infertilidade, perda de massa óssea e queda da libido, que pode acontecer mesmo com testosterona normal. Saída de leite pelas mamas em homem é muito sugestiva de prolactinoma. Os homens costumam ser diagnosticados mais tarde e com tumores maiores, porque a disfunção erétil e a infertilidade muitas vezes são atribuídas a outras causas.

### Quando o tumor é grande

Tumores maiores podem comprimir estruturas vizinhas. A Febrasgo e a SBEM citam dor de cabeça, redução do campo visual e queda de outros hormônios da hipófise.

Uma complicação rara é a apoplexia hipofisária, um sangramento ou infarto repentino dentro do tumor. Ela pode causar dor de cabeça forte, piora da visão, visão dupla e sonolência ou confusão. Segundo a Febrasgo e a SBEM, dor de cabeça nova ou que piora durante o tratamento de um prolactinoma pede avaliação de urgência.

## Como é feita a investigação?

A investigação segue uma ordem lógica, baseada nos posicionamentos brasileiros:

1. **Confirmar o resultado.** A coleta costuma ser feita pela manhã, com 2 a 3 horas de jejum. Uma amostra bem colhida geralmente basta, mas elevações leves podem ser reavaliadas com coletas seriadas.
2. **Descartar gravidez e revisar os remédios em uso.** Isso inclui antidepressivos, antipsicóticos e remédios para enjoo e refluxo.
3. **Pedir exames para causas secundárias.** A revisão da SBEM recomenda TSH, T4 livre e creatinina, para avaliar tireoide e rins.
4. **Pesquisar macroprolactina.** Segundo a Febrasgo e a SBEM, uma elevação leve a moderada em quem não tem sintomas deve levar à pesquisa de macroprolactina, o que evita exames e tratamentos desnecessários.
5. **Fazer ressonância da hipófise, quando indicada.** Ela entra depois que as outras causas foram descartadas. Em tumores grandes, o laboratório pode diluir a amostra para evitar o “efeito gancho”, uma falha do exame que faz a prolactina parecer mais baixa do que é.

## Como é o tratamento da prolactina alta?

Nem toda prolactina alta precisa de remédio. Com macroprolactina e sem sintomas, a SBEM e a SBPC/ML consideram a investigação e o tratamento desnecessários. Em um microprolactinoma (prolactinoma pequeno) sem sintomas, o posicionamento da Febrasgo e da SBEM admite apenas acompanhar.

Quando há indicação, o objetivo é controlar os sintomas, recuperar a menstruação e a fertilidade e reduzir o tumor. As opções incluem:

- **Agonistas dopaminérgicos.** São os remédios de primeira linha e funcionam em 80% a 90% dos casos, segundo a Febrasgo e a SBEM. A cabergolina é a preferida: normaliza a prolactina em 95% dos casos, contra 80% com a bromocriptina.
- **Ajuste de medicamentos.** Quando a causa é um remédio, pode-se trocá-lo, usar reposição hormonal ou, com cautela, associar um agonista dopaminérgico. Um antipsicótico nunca deve ser suspenso sem falar com quem o prescreveu.
- **Anticoncepcional combinado.** Em microprolactinomas, pode ser uma alternativa para tratar a falta de menstruação sem agonista dopaminérgico.
- **Cirurgia.** Fica para quem não tolera ou não responde aos agonistas dopaminérgicos.

Depois que a prolactina normaliza e o tumor está controlado, o tratamento dura pelo menos 2 anos antes de qualquer redução ou suspensão, segundo a Febrasgo e a SBEM. Remédio, dose e tempo de uso são decisões individuais, feitas em consulta.

## Quando procurar um endocrinologista?

Procure um endocrinologista se o exame veio alto, se a menstruação falhou sem gravidez, se há saída de leite pelas mamas ou queda da libido, e também se você usa remédios que elevam a prolactina e tem sintomas. A Dra. Natália Brito é endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674) e atende no Instituto Essência, em Teresina, e por teleconsulta. Se quiser avaliar seu caso, veja como funciona a [consulta](/consulta/) e conheça a [Dra. Natália Brito](/dra-natalia-brito/).

## Perguntas frequentes

### Estresse aumenta a prolactina?

Pode aumentar um pouco. O posicionamento da Febrasgo e da SBEM cita estresse, exercício e relação sexual entre as causas fisiológicas, que em geral elevam pouco o hormônio e raramente causam sintomas. Um valor levemente alto costuma ser reavaliado antes de qualquer conclusão.

### Prolactina alta sempre é tumor?

Não. Remédios, hipotireoidismo, doença renal e macroprolactina também elevam o hormônio. Segundo a Febrasgo e a SBEM, a ressonância da hipófise é indicada depois que essas outras causas são descartadas.

### O que é macroprolactina?

É a prolactina ligada a anticorpos, formando uma molécula grande e pouco ativa. Segundo a SBEM e a SBPC/ML, ela está presente, em média, em 18,9% das pessoas com prolactina alta. Sem sintomas, não exige tratamento nem ressonância.

### Preciso de jejum para dosar prolactina?

A Febrasgo e a SBEM informam que a coleta costuma ser feita pela manhã, após 2 a 3 horas de jejum. Uma amostra bem colhida costuma bastar. Excepcionalmente, quando uma elevação leve não combina com os sintomas, a confirmação usa duas amostras colhidas com 15 a 20 minutos de intervalo.

### Posso parar o antipsicótico se ele aumentar a prolactina?

Não por conta própria. O posicionamento da Febrasgo e da SBEM orienta que o antipsicótico não seja suspenso sem contato prévio com quem o prescreveu. Existem alternativas, como a troca do remédio, e a decisão é tomada em conjunto.

## Referências

1. Archives of Endocrinology and Metabolism (Febrasgo e SBEM). Diagnosis of hyperprolactinemia in women: A Position Statement from the Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics Associations (Febrasgo) and the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM) (2024). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11081055/
2. Archives of Endocrinology and Metabolism (Febrasgo e SBEM). Treatment of hyperprolactinemia in women: A Position Statement from the Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics Associations (Febrasgo) and the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM) (2024). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11081053/
3. Archives of Endocrinology and Metabolism (SBEM e SBPC/ML). Position statement on macroprolactinemia from the Department of Neuroendocrinology of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM) and the Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC/ML) (2025). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12599139/
4. Archives of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Controversial issues in the management of hyperprolactinemia and prolactinomas: an overview by the Neuroendocrinology Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (2018). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10118988/

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Última atualização: 2026-10-02
