# Perimenopausa: sintomas, duração e quando procurar ajuda

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 30/09/2026.

> Perimenopausa é a transição que começa quando os ciclos menstruais passam a mudar e termina um ano depois da última menstruação. Os sinais mais comuns são ciclos irregulares, fogachos, suor noturno, sono ruim e mudanças de humor. Ela pode durar vários anos, ainda é possível engravidar e, a partir dos 45 anos, o diagnóstico costuma ser feito pelos sintomas, sem depender de exame de sangue.

Ciclo que encurta, menstruação que atrasa, calor repentino no meio da reunião, noites mal dormidas. Muitas mulheres percebem essas mudanças perto dos 40 anos e ficam em dúvida se já é a menopausa. Na maior parte das vezes, trata-se da perimenopausa, a fase de transição que vem antes dela.

A menopausa, em si, é um marco: a última menstruação, reconhecida depois de 12 meses seguidos sem menstruar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria das mulheres chega a esse ponto entre 45 e 55 anos. Entender o que acontece no caminho ajuda a saber o que é esperado e o que merece avaliação.

## O que é perimenopausa, segundo a OMS e o STRAW?

A OMS define a perimenopausa como o período que começa quando surgem os primeiros sinais da transição, em geral mudanças no ciclo menstrual, e termina um ano depois da última menstruação. A fase pode durar vários anos e afetar o bem-estar físico, emocional e social.

Pesquisadores usam uma classificação chamada STRAW+10 para descrever essas etapas. Ela se baseia principalmente no padrão das menstruações:

| Etapa (STRAW+10) | O que caracteriza |
|---|---|
| Transição inicial | Diferença persistente de 7 dias ou mais entre a duração de ciclos seguidos, repetida em até 10 ciclos |
| Transição tardia | Intervalos de 60 dias ou mais sem menstruar; dura, em média, de 1 a 3 anos |
| Início da pós-menopausa | Os primeiros 12 meses depois da última menstruação, quando a perimenopausa termina |

## Quais são os sintomas da perimenopausa?

Os sintomas variam muito de uma mulher para outra. A diretriz britânica NICE lembra que eles podem ser leves ou intensos e durar pouco ou muito tempo.

### Os mais conhecidos

Segundo a OMS, os sinais mais frequentes são:

- mudanças no ciclo menstrual (intervalos mais curtos, mais longos ou falhas);
- fogachos, as ondas de calor, e suor noturno;
- dificuldade para dormir;
- mudanças de humor.

### Os menos lembrados

Alguns sintomas nem sempre são associados à perimenopausa. O NICE cita:

- dor nas articulações e nos músculos;
- secura vaginal e desconforto na relação sexual (sintomas geniturinários);
- queda do desejo sexual;
- sintomas depressivos.

Outras condições podem causar queixas parecidas, como cansaço ou alterações menstruais. Por isso, a avaliação clínica considera o quadro completo, e não um sintoma isolado.

## Quanto tempo dura a perimenopausa?

Não há um prazo único. A OMS fala em “vários anos”. Pelo STRAW+10, só a fase tardia da transição dura, em média, de 1 a 3 anos.

Os fogachos podem ir além da última menstruação. No estudo americano SWAN, publicado em 2015 no JAMA Internal Medicine, os fogachos frequentes duraram, em mediana, 7,4 anos no total e persistiram por 4,5 anos depois da última menstruação. A duração variou conforme a origem étnica: chegou a 10,1 anos entre mulheres negras. Mulheres que começaram a ter fogachos mais cedo na transição tenderam a tê-los por mais tempo.

## Ainda dá para engravidar na perimenopausa?

Sim. A fertilidade cai, mas os ovários ainda podem liberar óvulos de forma irregular. A OMS recomenda manter a contracepção até completar 12 meses seguidos sem menstruação.

A Febrasgo acrescenta que a gravidez nessa fase se associa a mais complicações obstétricas e malformações fetais, o que reforça a importância de um método eficaz. Alguns métodos trazem benefícios além da contracepção, segundo a mesma publicação:

- pílulas combinadas de baixa dose ajudam a controlar o sangramento irregular e a manter a massa óssea;
- o sistema intrauterino hormonal (DIU com levonorgestrel) oferece contracepção e controle do endométrio;
- métodos com estrogênio não são recomendados para mulheres fumantes ou hipertensas, mesmo com a pressão controlada, pelo risco cardiovascular.

A escolha do método é individual e deve ser feita em consulta.

## Exame de FSH confirma a perimenopausa?

Na maioria das vezes, não. O FSH (hormônio folículo-estimulante) é produzido pela hipófise e costuma subir quando os ovários respondem menos. O problema é que, na perimenopausa, ele oscila bastante. O STRAW+10 descreve que, na transição tardia, o FSH às vezes aparece na faixa da menopausa e às vezes na faixa da idade reprodutiva.

Por isso, o NICE recomenda:

- a partir dos 45 anos, identificar a perimenopausa sem exames de laboratório quando há fogachos recentes e mudanças no ciclo;
- não usar hormônio antimülleriano, inibina, estradiol, contagem de folículos ou volume ovariano para esse fim nessa faixa etária;
- considerar o FSH apenas entre 40 e 45 anos com sintomas, ou antes dos 40 quando há suspeita de menopausa;
- não usar o FSH para esse diagnóstico em quem toma anticoncepcional combinado ou progestagênio em dose alta, porque esses remédios alteram o resultado.

Exames ainda podem ser úteis para investigar outras causas dos sintomas, conforme a avaliação de cada caso.

## Quais são as opções de tratamento?

Nem toda mulher precisa de tratamento. Quando os sintomas atrapalham a vida, há caminhos diferentes, sempre avaliando riscos e benefícios. Em linhas gerais, o NICE descreve:

- **terapia hormonal:** recomendada como opção para os fogachos e o suor noturno;
- **estrogênio vaginal:** para secura e desconforto vaginal, sozinho ou com hidratantes e lubrificantes não hormonais;
- **terapia cognitivo-comportamental voltada à menopausa:** opção para fogachos e para o sono, junto com outros tratamentos ou quando a mulher não pode ou não quer usar hormônios;
- **cuidados com o corpo:** atividade física para manter massa e força muscular e orientação sobre saúde óssea.

O NICE não recomenda antidepressivos nem clonidina como primeira escolha para tratar apenas os fogachos. A diretriz também orienta ajustar a conversa sobre benefícios e riscos à idade, à história de saúde e aos fatores de risco de cada mulher, e não indica terapia hormonal com o objetivo de prevenir doença cardiovascular ou demência. Para quem ainda precisa de contracepção, métodos hormonais de baixa dose podem ajudar a regular o ciclo, como descreve a Febrasgo. A indicação de qualquer tratamento é individual e feita em consulta.

## Quando procurar um endocrinologista?

Uma consulta faz sentido quando os sintomas atrapalham o sono, o trabalho ou a vida sexual, quando o sangramento foge muito do seu padrão, quando as mudanças começam antes dos 45 anos ou quando há dúvida sobre terapia hormonal diante de outras condições de saúde. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende no Instituto Essência, em Teresina (PI), e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o [tratamento de menopausa e reposição hormonal](/menopausa-e-reposicao-hormonal/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### Com que idade começa a perimenopausa?

Não existe uma idade fixa. A perimenopausa começa alguns anos antes da menopausa, que, segundo a OMS, acontece na maioria das mulheres entre 45 e 55 anos. O primeiro sinal costuma ser a mudança no intervalo entre as menstruações.

### Posso engravidar na perimenopausa?

Sim. A fertilidade diminui, mas não chega a zero. A OMS recomenda manter a contracepção até completar 12 meses seguidos sem menstruar, e a Febrasgo lembra que a gravidez nessa fase tem mais risco de complicações.

### Preciso dosar FSH para saber se estou na perimenopausa?

Na maioria das vezes, não. A partir dos 45 anos, a diretriz britânica NICE orienta identificar a perimenopausa pelos sintomas e pelas mudanças no ciclo. O FSH oscila muito nessa fase, e um resultado isolado pode confundir.

### Quanto tempo duram os fogachos?

Varia bastante. No estudo americano SWAN, os fogachos frequentes duraram, em mediana, 7,4 anos no total e continuaram por cerca de 4,5 anos depois da última menstruação.

### Toda mulher na perimenopausa precisa de reposição hormonal?

Não. O tratamento depende da intensidade dos sintomas, da saúde geral e das preferências de cada mulher. Existem opções hormonais e não hormonais, e a decisão é individual, feita em consulta.

## Referências

1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Menopause (fact sheet) (2024). https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/menopause
2. Menopause, via PubMed Central (NIH). Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10 (STRAW+10) (2012). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3340903/
3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Menopause: identification and management (NG23) (2026). https://www.nice.org.uk/guidance/ng23/chapter/recommendations
4. JAMA Internal Medicine, via PubMed Central (NIH). Duration of menopausal vasomotor symptoms over the menopause transition (2015). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4433164/
5. Febrasgo. Anticoncepção na perimenopausa (2017). https://www.febrasgo.org.br/noticia/anticoncepcao-na-perimenopausa/

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-09-30
