# Nódulo na tireoide e TI-RADS: como entender o laudo do ultrassom

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 03/10/2026.

> Nódulo na tireoide é comum e, na maioria das vezes, benigno: segundo a Associação Americana de Tireoide, o câncer aparece em 7% a 15% dos casos. O TI-RADS, do Colégio Americano de Radiologia, soma pontos pelo aspecto do nódulo no ultrassom e o classifica de TR1 a TR5. A categoria e o tamanho indicam se basta acompanhar ou se a punção é necessária.

Receber um laudo de ultrassom com a palavra “nódulo” e uma sigla como TR3 ou TR4 costuma assustar. A sigla vem do TI-RADS, sistema criado pelo Colégio Americano de Radiologia (ACR) para padronizar a descrição dos nódulos e ajudar a decidir quais precisam de punção.

Entender a lógica do laudo ajuda a chegar à consulta com as perguntas certas. A classificação indica um grau de suspeita, e não um diagnóstico.

## Nódulo na tireoide é comum?

Muito. Segundo a diretriz da Associação Americana de Tireoide (ATA), os nódulos que dá para sentir ao apalpar o pescoço aparecem em cerca de 5% das mulheres e 1% dos homens. Com o ultrassom de alta resolução, eles são encontrados em 19% a 68% das pessoas examinadas ao acaso, com frequência maior em mulheres e idosos.

A maior parte é benigna. A mesma diretriz estima que o câncer aparece em 7% a 15% dos nódulos, conforme idade, sexo, exposição a radiação e histórico familiar. O Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) também lembra que a maioria dos nódulos é benigna e não precisa ser retirada.

A ATA orienta que, em geral, só nódulos maiores que 1 cm sejam investigados, porque têm mais chance de representar um câncer com importância clínica. Nódulos menores entram na investigação quando há sintomas ou linfonodos suspeitos no pescoço.

## Que exames o médico pede quando encontra um nódulo?

A ATA recomenda dois passos iniciais:

- **TSH no sangue:** se estiver baixo, a diretriz indica a cintilografia, que mostra se o nódulo produz hormônio em excesso (nódulo “quente”). Segundo a ATA, esses nódulos raramente são malignos e dispensam punção. Se o TSH estiver normal ou alto, a cintilografia não é o primeiro exame.
- **Ultrassom da tireoide e do pescoço:** recomendado para todos com nódulo conhecido ou suspeito, incluindo a avaliação dos linfonodos.

## Como funciona a classificação TI-RADS?

O ultrassonografista avalia cinco características do nódulo e dá pontos a cada uma. A soma define a categoria, e o tamanho define a conduta. A explicação está no ensaio sobre o TI-RADS publicado na revista Radiologia Brasileira e na tabela oficial do ACR:

- **Composição:** cístico (cheio de líquido) ou espongiforme vale 0 ponto; misto, com parte líquida e parte sólida, vale 1; sólido vale 2.
- **Ecogenicidade:** quanto mais escuro o nódulo na imagem (hipoecoico), mais pontos, até 3 para o muito hipoecoico.
- **Forma:** nódulo “mais alto do que largo” soma 3 pontos.
- **Margem:** bordas lobuladas ou irregulares somam 2; sinais de que o nódulo ultrapassa a tireoide somam 3.
- **Focos ecogênicos:** pontinhos brilhantes (focos puntiformes) somam 3; calcificações na borda do nódulo, 2; calcificações grandes, 1.

Com a soma, o nódulo recebe uma categoria:

| Categoria | Pontos | Significado | Punção indicada | Acompanhar com ultrassom |
|---|---|---|---|---|
| TR1 | 0 | Benigno | Não | Não se aplica |
| TR2 | 2 | Não suspeito | Não | Não se aplica |
| TR3 | 3 | Levemente suspeito | A partir de 2,5 cm | A partir de 1,5 cm |
| TR4 | 4 a 6 | Moderadamente suspeito | A partir de 1,5 cm | A partir de 1 cm |
| TR5 | 7 ou mais | Altamente suspeito | A partir de 1 cm | A partir de 0,5 cm |

*Fonte: tabela ACR TI-RADS, do Colégio Americano de Radiologia.*

Alguns pontos ajudam a ler o laudo sem sustos:

- O TI-RADS mede suspeita. O ensaio da Radiologia Brasileira lembra que o diagnóstico de câncer depende da punção ou da cirurgia.
- Em tireoides com muitos nódulos parecidos, como no bócio multinodular, o mesmo ensaio aponta que a pontuação perde utilidade prática.
- Alguns laudos usam a classificação da própria ATA, que divide os nódulos em padrões de suspeita alta, intermediária, baixa e muito baixa.

## Quando a punção é indicada?

A punção aspirativa por agulha fina, ou PAAF, retira células do nódulo com uma agulha fina, muitas vezes guiada por ultrassom. A ATA a considera o exame de escolha para investigar nódulos quando há indicação.

A decisão junta três informações: a categoria TI-RADS, o tamanho do nódulo, conforme a tabela acima, e a história clínica. A ATA cita idade, sexo, exposição anterior a radiação e casos de câncer de tireoide na família como fatores que mudam o risco.

## O que significa o resultado da punção (Bethesda)?

A ATA recomenda que o resultado da punção seja descrito pelo sistema Bethesda, que tem seis categorias. Em linhas gerais, a conduta sugerida pela diretriz é esta:

1. **Não diagnóstico:** a amostra não foi suficiente. A punção deve ser repetida, guiada por ultrassom.
2. **Benigno:** não são necessários outros exames ou tratamento imediato; o nódulo segue em acompanhamento.
3. **Atipia de significado indeterminado:** pode-se repetir a punção ou fazer teste molecular antes de escolher entre acompanhamento e cirurgia diagnóstica.
4. **Neoplasia folicular:** a cirurgia diagnóstica é a conduta tradicional; o teste molecular pode complementar a avaliação.
5. **Suspeito para malignidade:** a conduta costuma ser semelhante à do resultado maligno.
6. **Maligno:** em geral a cirurgia é recomendada. Em tumores de risco muito baixo, a vigilância ativa pode ser considerada.

Segundo a ATA, em grandes séries de pacientes, de 55% a 74% das punções tiveram resultado claramente benigno e apenas 2% a 5% resultado claramente maligno.

## Como é o acompanhamento de um nódulo?

O intervalo depende do aspecto do nódulo no ultrassom. A ATA usa os próprios padrões de suspeita (alta, intermediária, baixa e muito baixa), que se aproximam das categorias TI-RADS sem coincidir com elas. As recomendações da diretriz são:

- **Nódulo sem indicação de punção e de alta suspeita:** novo ultrassom em 6 a 12 meses.
- **Nódulo sem indicação de punção e de suspeita baixa ou intermediária:** considerar novo ultrassom em 12 a 24 meses.
- **Nódulo com punção benigna e aspecto de alta suspeita:** repetir ultrassom e punção em até 12 meses.
- **Nódulo com punção benigna e suspeita baixa ou intermediária:** repetir o ultrassom em 12 a 24 meses.

Fora desses casos, o ultrassom não deve virar exame anual de rotina. O Departamento de Tireoide da SBEM considera mito a ideia de repetir o exame todo ano para detectar câncer, porque ele encontra nódulos benignos e gera preocupação desnecessária.

## Quando procurar um endocrinologista?

Procure avaliação se um ultrassom mostrou nódulo, principalmente com classificação TR3 ou acima, se você notou um caroço no pescoço, se tem TSH alterado ou se já fez punção e quer entender o resultado. O endocrinologista reúne laudo, exames de sangue e história clínica para decidir entre acompanhar, puncionar ou encaminhar para cirurgia. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende no Instituto Essência, em Teresina (PI), e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o [tratamento de tireoide](/tireoide/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### TI-RADS 3 é perigoso?

TR3 significa nódulo levemente suspeito. Pela tabela do Colégio Americano de Radiologia, a punção só é indicada a partir de 2,5 cm, e o acompanhamento com ultrassom a partir de 1,5 cm. Abaixo disso, o nódulo não exige punção nem seguimento específico por essa classificação.

### TI-RADS 5 quer dizer câncer?

Não. TR5 indica nódulo altamente suspeito, mas o diagnóstico só é confirmado pela punção ou pela cirurgia. Pela tabela do Colégio Americano de Radiologia, a punção é indicada a partir de 1 cm, e nódulos a partir de 0,5 cm devem ser acompanhados.

### Todo nódulo na tireoide precisa de punção?

Não. A indicação depende da categoria TI-RADS, do tamanho e da história clínica. A Associação Americana de Tireoide orienta que, em geral, só nódulos maiores que 1 cm sejam investigados, salvo quando há sintomas ou linfonodos suspeitos no pescoço.

### Preciso fazer ultrassom de tireoide todo ano?

Como rastreamento, não. O Departamento de Tireoide da SBEM considera mito a ideia de ultrassom anual para detectar câncer, porque o exame acha nódulos benignos e gera preocupação desnecessária. Quem já tem nódulo segue um intervalo definido pelo aspecto dele, em geral de 12 a 24 meses nos casos de baixa suspeita.

## Referências

1. American Thyroid Association (revista Thyroid). 2015 American Thyroid Association Management Guidelines for Adult Patients with Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer (2016). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4739132/
2. American College of Radiology. ACR TI-RADS: Assessment Categories (2017). https://edge.sitecorecloud.io/americancoldf5f-acrorgf92a-productioncb02-3650/media/ACR/Files/RADS/TI-RADS/TI-RADS-Assessment-Categories.pdf
3. Radiologia Brasileira (Colégio Brasileiro de Radiologia). TI-RADS-ACR 2017: ensaio iconográfico (2022). https://www.scielo.br/j/rb/a/DVbsnmWyZWpXMBZLy5TQdkS/?lang=pt
4. Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Mitos e verdades sobre os distúrbios da tireoide (2021). https://www.tireoide.org.br/para-o-publico/mitos-e-verdades-sobre-o-disturbios-da-tireoide/

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-10-03
