# Menopausa precoce: causas, riscos e tratamento

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 02/10/2026.

> Quando os ovários param de funcionar antes dos 40 anos, fala-se em insuficiência ovariana prematura; entre 40 e 45 anos, em menopausa precoce. As causas incluem alterações genéticas, doenças autoimunes e tratamentos como quimioterapia, mas muitas vezes a origem não é encontrada. A falta de estrogênio afeta ossos, coração e cognição, e as diretrizes recomendam terapia hormonal até a idade habitual da menopausa na insuficiência ovariana prematura, salvo contraindicação.

A maioria das mulheres chega à menopausa entre 45 e 55 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Quando os ovários param de funcionar antes disso, a questão vai além do fim das menstruações: o corpo passa a viver sem estrogênio por mais anos do que o habitual, com efeitos sobre ossos, coração, cérebro e fertilidade.

Os termos costumam confundir. Há diferença entre insuficiência ovariana prematura e menopausa precoce, e essa diferença muda a conversa sobre diagnóstico e tratamento.

## Qual a diferença entre menopausa precoce e insuficiência ovariana prematura?

A diretriz internacional de 2024 da ESHRE (Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia), elaborada com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), a Sociedade Internacional de Menopausa (IMS) e um centro de pesquisa australiano, usa estas definições:

| Situação | Idade em que os ovários param | Observação |
|---|---|---|
| Insuficiência ovariana prematura (IOP) | Antes dos 40 anos | A função dos ovários pode voltar de forma intermitente |
| Menopausa precoce | De 40 a 44 anos | O NICE usa a mesma faixa |
| Menopausa na idade habitual | Entre 45 e 55 anos | Faixa descrita pela OMS |

A IOP não é rara. Segundo a ESHRE, estudos recentes estimam que ela atinge cerca de 3,5% das mulheres, sem contar os casos causados por tratamentos médicos. Somando IOP e menopausa precoce, a estimativa chega a 12,2%.

## O que causa a menopausa precoce?

As causas se dividem em alguns grupos, segundo a Febrasgo, a ESHRE e a OMS:

- **Genéticas e cromossômicas:** alterações nos cromossomos, como as disgenesias gonadais, e a pré-mutação do gene FMR1, ligado à síndrome do X frágil. Segundo a Febrasgo, essa pré-mutação aparece em 2% a 3% dos casos esporádicos, sem outras mulheres afetadas na família.
- **Autoimunes:** o sistema de defesa ataca os ovários, às vezes junto com outras glândulas, como tireoide e adrenais.
- **Tratamentos médicos:** quimioterapia, radioterapia e cirurgias que retiram os ovários.
- **Causa desconhecida:** segundo a Febrasgo, é a situação mais frequente.

Irmãs e filhas de mulheres com IOP não causada por tratamento médico têm risco maior de desenvolver o problema, e a ESHRE recomenda orientá-las sobre os sinais.

## Como é feito o diagnóstico?

O primeiro sinal costuma ser a menstruação que falha ou fica irregular, às vezes com fogachos, suor noturno e secura vaginal. A ESHRE recomenda estes critérios:

- ciclos irregulares ou ausência de menstruação por pelo menos 4 meses;
- FSH (hormônio folículo-estimulante) acima de 25 UI/L.

As diretrizes diferem em um detalhe. A ESHRE aceita uma dosagem elevada de FSH e pede repetição após 4 a 6 semanas quando há dúvida. O NICE pede duas dosagens com intervalo de 4 a 6 semanas e orienta não fechar o diagnóstico com um único exame; a Febrasgo também pede duas, com pelo menos 4 semanas entre elas. Antes de tudo, é preciso descartar gravidez, e o uso de anticoncepcionais pode mascarar o quadro.

Confirmada a IOP que não foi causada por tratamento médico, a ESHRE recomenda investigar a origem com:

- cariótipo (análise dos cromossomos);
- pesquisa da pré-mutação do FMR1;
- dosagem de TSH, para avaliar a tireoide;
- anticorpos contra a enzima 21-hidroxilase, ligados à autoimunidade das adrenais, quando a causa não aparece.

A diretriz também recomenda densitometria óssea (DXA) no momento do diagnóstico.

## Quais são os riscos para a saúde?

A falta de estrogênio por muitos anos traz consequências descritas pela ESHRE:

- **Ossos:** a IOP se associa a alterações na estrutura do osso e a menor densidade mineral óssea, com possível aumento do risco de osteoporose e fraturas mais tarde.
- **Coração:** sem terapia hormonal, a IOP se associa a menor expectativa de vida, principalmente por doença cardiovascular.
- **Cognição:** há maior risco de comprometimento cognitivo e demência.
- **Emoções e qualidade de vida:** o diagnóstico pode ter impacto importante no bem-estar psicológico. O NICE recomenda oferecer apoio psicológico a quem fica abalada com o diagnóstico de IOP ou de menopausa precoce.

## Por que a terapia hormonal é recomendada até a idade da menopausa?

Na IOP, a terapia hormonal tem um papel diferente do que tem na menopausa na idade habitual. O objetivo não é só aliviar sintomas, e sim repor hormônios que o corpo ainda produziria por vários anos.

A ESHRE recomenda terapia hormonal para mulheres com IOP até a idade habitual da menopausa, para reduzir o risco de doenças e de morte, mesmo quando não há sintomas. A diretriz também recomenda o tratamento para manter a densidade óssea e para reduzir o possível risco de declínio cognitivo e demência.

O NICE vai na mesma direção e orienta:

- oferecer reposição com terapia hormonal ou com anticoncepcional hormonal combinado, salvo contraindicação, como câncer sensível a hormônios;
- manter o tratamento pelo menos até a idade da menopausa natural;
- explicar que o risco de base de câncer de mama e de doença cardiovascular é muito baixo antes dos 40 anos;
- lembrar que a terapia hormonal não funciona como anticoncepcional.

Na menopausa precoce, entre 40 e 44 anos, o NICE considera que os benefícios e riscos da terapia hormonal ficam entre os da IOP e os das mulheres com 45 anos ou mais. A decisão, nesse grupo, é ainda mais individual.

Hábitos também contam. A ESHRE recomenda exercícios, não fumar e manter peso adequado para proteger os ossos, com cálcio e vitamina D quando a ingestão ou os níveis estiverem baixos. O tipo de hormônio, a via e a dose são definidos em consulta.

## Ainda é possível engravidar?

Às vezes, sim. Segundo a ESHRE, na IOP que não foi causada por cirurgia os ovários podem voltar a funcionar de forma intermitente, com chance de gravidez espontânea. Quem não deseja engravidar deve usar contracepção.

Para quem deseja ter filhos, a diretriz informa que:

- nenhum tratamento demonstrou, de forma confiável, aumentar a atividade dos ovários ou a chance de gravidez natural;
- a doação de óvulos é uma opção estabelecida, com acompanhamento obstétrico especializado, porque essas gestações são de maior risco;
- mulheres com fatores de risco, como quem vai passar por quimioterapia, devem ser orientadas antes sobre o risco de IOP e sobre a preservação da fertilidade.

O NICE também recomenda informar sobre menopausa e fertilidade antes de tratamentos que podem provocar a menopausa e também depois deles.

## Quando procurar um endocrinologista?

Procure um endocrinologista se a menstruação falha por meses antes dos 45 anos, se aparecem fogachos em idade jovem, se há casos de menopausa muito cedo na família ou se você vai passar por um tratamento que pode afetar os ovários. O diagnóstico precoce permite discutir a reposição hormonal e cuidar dos ossos e do coração a tempo. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende no Instituto Essência, em Teresina (PI), e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o [tratamento de menopausa e reposição hormonal](/menopausa-e-reposicao-hormonal/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### Menopausa precoce e insuficiência ovariana prematura são a mesma coisa?

Não exatamente. A insuficiência ovariana prematura acontece antes dos 40 anos e pode ter períodos de retorno da função dos ovários. Menopausa precoce é o termo usado quando os ovários param entre 40 e 45 anos, segundo a ESHRE e o NICE.

### Um exame de FSH alto basta para o diagnóstico?

O diagnóstico junta ciclos irregulares ou ausentes por pelo menos 4 meses e FSH acima de 25 UI/L. A ESHRE aceita uma dosagem, repetida se houver dúvida; o NICE e a Febrasgo pedem duas, com intervalo de algumas semanas. Gravidez e uso de anticoncepcional precisam ser considerados.

### Por quanto tempo se usa terapia hormonal na insuficiência ovariana prematura?

A ESHRE e o NICE recomendam manter o tratamento pelo menos até a idade habitual da menopausa, se não houver contraindicação. Depois disso, a continuidade é reavaliada caso a caso, em consulta.

### Quem tem insuficiência ovariana prematura pode engravidar?

Pode acontecer. A ESHRE informa que os ovários podem voltar a funcionar de forma intermitente, com chance de gravidez espontânea, por isso quem não deseja engravidar deve usar contracepção. Para quem deseja, a doação de óvulos é uma opção estabelecida.

### A terapia hormonal nessa idade aumenta o risco de câncer de mama?

Segundo o NICE, o risco de base de câncer de mama e de doença cardiovascular é muito baixo antes dos 40 anos e aumenta com a idade. A avaliação de cada mulher considera o histórico pessoal e familiar antes de indicar o tratamento.

## Referências

1. ESHRE, ASRM, CRE WHiRL e IMS (Human Reproduction Open), via PubMed Central (NIH). Evidence-based guideline: premature ovarian insufficiency (2024). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11631070/
2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Menopause: identification and management (NG23) (2026). https://www.nice.org.uk/guidance/ng23/chapter/recommendations
3. Febrasgo. Quando suspeitar e quando investigar a Insuficiência Ovariana Prematura (IOP) (2018). https://febrasgo.org.br/pt/noticias/item/312-quando-suspeitar-e-quando-investigar-a-insuficiencia-ovariana-prematura-iop
4. Organização Mundial da Saúde (OMS). Menopause (fact sheet) (2024). https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/menopause

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-10-02
