# IMC: como calcular e por que ele não conta toda a história

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 01/10/2026.

> O IMC é o peso em quilos dividido pela altura em metros ao quadrado. Pela classificação da OMS, de 18,5 a 24,9 kg/m² é a faixa normal, de 25 a 29,9 é sobrepeso e a partir de 30 é obesidade. Ele funciona como triagem, mas não separa gordura de músculo nem mostra onde a gordura está. Por isso a medida da cintura e a composição corporal completam a avaliação.

O índice de massa corporal (IMC) é a conta mais usada para classificar o peso de adultos. É rápido, não custa nada e aparece em consultas, check-ups e aplicativos de celular. A Organização Mundial da Saúde (OMS) usa o índice para acompanhar a obesidade no mundo: segundo a entidade, em 2022 havia 2,5 bilhões de adultos com excesso de peso, e 890 milhões deles viviam com obesidade.

Só que um número calculado com duas medidas diz pouco sobre o que existe dentro do corpo. Entender o que o IMC mede, e o que ele deixa de fora, ajuda a ler o resultado sem susto e sem falsa tranquilidade.

## Como calcular o IMC?

A fórmula é o peso em quilos dividido pela altura em metros elevada ao quadrado (kg/m²). Na prática:

1. Multiplique a sua altura por ela mesma.
2. Divida o seu peso pelo resultado.

O relatório técnico da OMS sobre obesidade traz um exemplo: uma pessoa com 70 kg e 1,75 m faz 1,75 × 1,75 = 3,06. Depois, 70 ÷ 3,06 = 22,9 kg/m².

Essa conta vale para adultos. Em crianças e adolescentes, o IMC varia com a idade e o sexo, e a avaliação usa curvas específicas por idade, como explicam as Diretrizes Brasileiras de Obesidade da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

## Qual é a tabela de classificação do IMC da OMS?

A classificação abaixo é a da OMS, publicada no relatório técnico de 2000 e adotada pela ABESO para a população brasileira:

| IMC (kg/m²) | Classificação | Risco de outras doenças |
|---|---|---|
| Abaixo de 18,5 | Baixo peso | Baixo, mas com risco maior de outros problemas clínicos |
| 18,5 a 24,9 | Faixa normal | Médio |
| 25 a 29,9 | Sobrepeso (pré-obesidade) | Aumentado |
| 30 a 34,9 | Obesidade grau I | Moderado |
| 35 a 39,9 | Obesidade grau II | Grave |
| 40 ou mais | Obesidade grau III | Muito grave |

A OMS ressalta dois pontos na própria tabela. Os valores são iguais para homens e mulheres. E o risco não muda de uma hora para outra: ele cresce de forma contínua a partir de 25.

## Por que o IMC não conta toda a história?

A própria OMS reconhece que o IMC não distingue o peso que vem do músculo do peso que vem da gordura. A ABESO lista as situações em que isso mais pesa na interpretação.

### Massa muscular

Quem treina força e tem muita massa magra pode aparecer com sobrepeso sem ter excesso de gordura. A ABESO descreve que o índice tende a superestimar a gordura em pessoas musculosas.

### Idade

Segundo a OMS, a porcentagem de gordura corporal aumenta com a idade até por volta dos 60 a 65 anos, em ambos os sexos. Em idosos, a perda de massa muscular e a redução da estatura por curvatura da coluna (cifose) deixam o índice menos preciso. Por isso, o Ministério da Saúde adota para quem tem 60 anos ou mais uma faixa normal diferente, de acima de 22 a abaixo de 27 kg/m², conforme a ABESO.

### Sexo

Com o mesmo IMC, mulheres costumam ter mais gordura corporal do que homens, de acordo com o relatório da OMS.

### Etnia

Um mesmo IMC não corresponde ao mesmo grau de gordura em populações diferentes, em parte pelas proporções do corpo, diz a OMS. Para pessoas de origem asiática, a ABESO sugere pontos de corte mais baixos: risco aumentado a partir de 23 kg/m² e alto risco acima de 27,5 kg/m².

### Onde a gordura está

O IMC não mostra a distribuição da gordura. A gordura visceral, que fica dentro do abdome, em volta dos órgãos, é um fator de risco independente da gordura total, e duas pessoas com o mesmo IMC podem ter quantidades bem diferentes dela, segundo a ABESO. Inchaço (edema) também altera o peso e distorce o cálculo.

Em 2025, uma comissão internacional publicada na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology foi além. O grupo recomendou usar o IMC como marcador de risco em populações e como triagem, e não como medida de saúde de uma pessoa. Para confirmar o excesso de gordura, sugere somar pelo menos uma medida corporal (cintura, relação cintura-quadril ou cintura-altura) ou uma medida direta da gordura. A exceção são valores acima de 40 kg/m², em que o excesso de gordura pode ser presumido.

## Como medir a circunferência abdominal?

Segundo a ABESO, a medida da cintura reflete a gordura visceral melhor do que a relação cintura-quadril, e é simples de fazer. A diretriz descreve duas formas aceitas: no ponto médio entre a última costela e o osso do quadril (crista ilíaca) ou no maior perímetro entre esses dois pontos, com a leitura feita ao final da expiração.

Os pontos de corte variam conforme a referência usada:

- **Federação Internacional de Diabetes (IDF):** 94 cm ou mais em homens e 80 cm ou mais em mulheres para populações de origem europeia. Para pessoas das Américas do Sul e Central, a IDF orienta usar as referências sul-asiáticas: 90 cm ou mais em homens e 80 cm ou mais em mulheres.
- **NCEP-ATP III (programa americano de colesterol):** acima de 102 cm em homens e de 88 cm em mulheres.
- **Relação cintura-estatura:** a cintura deve ser menor que a metade da altura, ou seja, uma relação abaixo de 0,5. A ABESO cita análises com mais de 300 mil adultos em que essa relação superou o IMC na detecção de risco cardiometabólico. Para quem tem 1,70 m, por exemplo, isso corresponde a uma cintura abaixo de 85 cm.

## O que a composição corporal acrescenta?

A composição corporal separa o peso em gordura, massa magra e água. Existem vários métodos, como a absorciometria por raios X (DEXA), a ultrassonografia e a bioimpedância.

Na bioimpedância, uma corrente elétrica de baixa intensidade atravessa o corpo. Como o músculo, rico em água, conduz bem a corrente e a gordura oferece resistência, o aparelho estima a massa gorda, a massa livre de gordura e a água corporal. A ABESO considera o método prático, mas sensível a comida, bebida, exercício, temperatura e ciclo menstrual. Por isso orienta jejum de pelo menos 4 horas, 12 horas sem atividade física e 24 horas sem álcool antes do exame. Aparelhos octopolares multifrequenciais dependem menos da hidratação e são mais precisos em idosos, segundo a mesma diretriz.

Esse tipo de avaliação ajuda a acompanhar o que muda durante um tratamento, porque a balança não mostra se o peso perdido veio da gordura ou do músculo. Veja como funciona a [bioimpedância](/bioimpedancia/).

## Quando procurar um endocrinologista?

Uma consulta com endocrinologista ajuda se o seu IMC está na faixa de sobrepeso ou obesidade, se a cintura passou dos pontos de corte mesmo com IMC normal ou se o peso vem subindo sem explicação. O especialista junta o IMC, as medidas corporais, os exames e a sua história para entender o risco real e discutir opções, que são sempre individuais e definidas em consulta. Se quiser avaliar o seu caso, veja como funciona o [tratamento de emagrecimento e obesidade](/emagrecimento-e-obesidade/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### O IMC vale para crianças e adolescentes?

Não da mesma forma. Nessa fase o IMC muda com a idade e o sexo, então a avaliação usa curvas de IMC para a idade, como as da OMS adotadas no Brasil, e não a tabela de adultos, segundo as Diretrizes Brasileiras de Obesidade da ABESO.

### Qual IMC é considerado adequado para idosos?

O Ministério da Saúde considera normal, a partir dos 60 anos, o IMC acima de 22 e abaixo de 27 kg/m², de acordo com a ABESO. A faixa é diferente porque, com a idade, há perda de massa muscular e maior risco de sarcopenia.

### Quem tem muito músculo pode aparecer com sobrepeso no IMC?

Pode. O IMC não diferencia o peso do músculo do peso da gordura, e a ABESO lembra que ele tende a superestimar a gordura em pessoas musculosas. Nesses casos, cintura e composição corporal ajudam a esclarecer o resultado.

### IMC normal significa que está tudo bem?

Não necessariamente. A ABESO considera que pessoas com IMC normal e circunferência abdominal aumentada têm obesidade visceral, a gordura acumulada dentro do abdome, que se associa a maior risco cardiovascular e de diabetes tipo 2.

## Referências

1. Organização Mundial da Saúde. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO consultation (Technical Report Series 894) (2000). https://iris.who.int/handle/10665/42330
2. Organização Mundial da Saúde. Obesity and overweight (fact sheet) (2025). https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight
3. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretrizes Brasileiras de Obesidade 2016, 4ª edição (2016). https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2019/12/Diretrizes-Download-Diretrizes-Brasileiras-de-Obesidade-2016.pdf
4. The Lancet Diabetes & Endocrinology, via PubMed Central. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity (Lancet Diabetes & Endocrinology Commission) (2025). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11870235/

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-10-01
