# Diabetes tipo 1: o que é, sintomas e tratamento

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 03/10/2026.

> O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o sistema de defesa destrói as células do pâncreas que produzem insulina. Os sinais clássicos são muita sede, muita urina, fome e perda de peso sem explicação. Sem tratamento, pode evoluir para cetoacidose, uma emergência. O tratamento é feito com insulina desde o diagnóstico, com monitorização da glicose, e pode incluir sensores e bombas de insulina.

O diabetes tipo 1 acontece quando o próprio sistema de defesa do corpo ataca as células beta do pâncreas, que produzem insulina. Sem insulina suficiente, a glicose não consegue entrar nas células e se acumula no sangue.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), é o tipo de diabetes mais comum em crianças e adolescentes, mas pode ser diagnosticado em qualquer idade. Entender como ele começa ajuda a reconhecer os sinais cedo e a evitar complicações graves logo no início.

## O que causa o diabetes tipo 1?

De acordo com o Protocolo Clínico do Ministério da Saúde, a destruição das células beta costuma ser causada por um processo autoimune, detectado no sangue pela presença de autoanticorpos. Os principais são o anti-GAD, o anti-IA2, o anti-insulina (IAA) e o anti-ilhota (ICA). Em uma parte menor dos casos a causa não é conhecida, e o quadro é chamado de diabetes tipo 1 idiopático.

A SBD descreve a doença em estágios, que podem começar anos antes dos sintomas:

| Estágio | O que acontece |
|---|---|
| 1 | Dois ou mais autoanticorpos positivos, glicose normal e nenhum sintoma |
| 2 | Dois ou mais autoanticorpos, glicose já alterada, mas ainda sem critério de diabetes e sem sintomas |
| 3 | Glicose alta o bastante para o diagnóstico de diabetes, com ou sem sintomas |

A SBD considera o diagnóstico de diabetes tipo 1 estabelecido já no estágio 1, quando há dois ou mais autoanticorpos positivos. Nos Estados Unidos, a agência reguladora de medicamentos (FDA) aprovou o teplizumabe para pessoas no estágio 2 a partir de 8 anos, com o objetivo de atrasar a chegada ao estágio 3. No Brasil, segundo a mesma diretriz, ainda não há medicação comprovadamente eficaz disponível para esse fim.

## Quais são os sintomas do diabetes tipo 1?

O Ministério da Saúde lista os sinais de glicose muito alta:

- urinar muito, inclusive à noite;
- sede intensa;
- fome aumentada;
- perda de peso sem explicação.

Segundo a SBD, o quadro clássico costuma começar de forma rápida. Em adultos, a doença pode evoluir mais devagar e com sintomas mais brandos.

### O que é cetoacidose diabética?

Quando falta insulina, o corpo passa a queimar gordura como combustível e produz corpos cetônicos, substâncias que deixam o sangue ácido. A SBD descreve a cetoacidose diabética como uma condição potencialmente grave, com aumento de corpos cetônicos, acidez no sangue, glicose alta e desequilíbrio de sais minerais.

O Ministério da Saúde cita como sinais náusea, vômitos, sonolência, torpor e coma, e alerta que o quadro pode levar à morte. A cetoacidose é mais comum na presença de infecções ou outro estresse agudo. Quem tem os sintomas clássicos e começa a vomitar ou ficar sonolento precisa de atendimento de urgência.

## Como é feito o diagnóstico?

O primeiro passo é confirmar que há diabetes. Os critérios são os mesmos dos outros tipos de diabetes, usados pela SBD e pelo Protocolo Clínico do Ministério da Saúde:

| Exame | Resultado compatível com diabetes |
|---|---|
| Glicemia ao acaso, com sintomas clássicos | 200 mg/dL ou mais |
| Glicemia de jejum de 8 horas | 126 mg/dL ou mais, em duas ocasiões |
| Hemoglobina glicada | 6,5% ou mais, em duas ocasiões |
| Glicemia 2 horas após 75 g de glicose | 200 mg/dL ou mais |

Pela SBD, glicemia de jejum e hemoglobina glicada alteradas na mesma coleta também confirmam o diagnóstico.

Depois, é preciso saber o tipo. Segundo a SBD, dois exames ajudam quando há dúvida:

- **Autoanticorpos**: mostram o ataque autoimune ao pâncreas. O anti-GAD é o mais usado em adultos.
- **Peptídeo C**: é liberado junto com a insulina e indica quanto o pâncreas ainda produz. No diabetes tipo 2 em jovens, a SBD aponta que os anticorpos são negativos e o peptídeo C é normal ou alto.

## Como é o tratamento do diabetes tipo 1?

### Insulina desde o início

Para o Ministério da Saúde, a insulina é essencial no tratamento do diabetes tipo 1, tanto para controlar a glicose quanto para prevenir cetoacidose, coma, complicações e morte. Diante de glicose muito alta ou cetoacidose, o protocolo afirma que não há dúvida de que a insulina deve ser iniciada imediatamente.

A SBD indica como estratégia de escolha a terapia basal-bolus, iniciada cedo. Ela imita o funcionamento do pâncreas:

- **Insulina basal**: de ação intermediária ou longa, cobre a necessidade do corpo ao longo do dia e da noite.
- **Bolus**: insulina de ação rápida, aplicada nas refeições e para corrigir glicose alta.

Esse esquema pode ser feito com várias aplicações diárias de caneta ou seringa, ou com bomba de infusão de insulina, segundo a SBD. O tipo de insulina e as doses são definidos individualmente em consulta.

### Educação para o autocuidado

O Ministério da Saúde inclui no tratamento a educação da pessoa e da família sobre alimentação, contagem de carboidratos, exercício, identificação e tratamento da hipoglicemia, aplicação de insulina e automonitorização da glicose. As metas de controle são definidas de forma individual, conforme a idade e a capacidade de reconhecer hipoglicemias.

### Sensores e bombas de insulina

A Associação Americana de Diabetes (ADA), na edição de 2026 do seu guia de tecnologia, recomenda:

- **Sensor de glicose (monitorização contínua)**: indicado desde o diagnóstico para crianças, adolescentes e adultos que usam insulina, usado o mais perto possível do uso diário.
- **Sistemas automatizados de insulina**: bombas conectadas ao sensor que ajustam a insulina conforme a glicose. A ADA os considera a forma preferida de aplicar insulina no diabetes tipo 1, à frente das múltiplas aplicações e das bombas comuns.

A ADA recomenda considerar essas tecnologias cedo, inclusive no diagnóstico, e não exigir dosagem de peptídeo C ou de anticorpos antes de indicar a bomba. Segundo a ADA, a escolha do aparelho depende das necessidades, das preferências e da habilidade de cada pessoa.

## Diabetes tipo 1 em adultos e LADA

A SBD afirma que hoje há mais casos novos de diabetes tipo 1 diagnosticados na vida adulta do que na infância, e que muitos desses adultos são classificados por engano como tipo 2.

Uma parte deles tem LADA, sigla em inglês para diabetes autoimune latente do adulto. Segundo a SBD, até 12% dos casos de diabetes diagnosticados na vida adulta são dessa forma lentamente progressiva, que a Organização Mundial da Saúde considera híbrida, com traços dos tipos 1 e 2. Os critérios mais aceitos, citados pela SBD, são:

1. idade acima de 30 anos no diagnóstico;
2. anticorpos positivos;
3. ausência de necessidade de insulina por pelo menos 6 meses após o diagnóstico.

A SBD também cita sinais que levantam a suspeita: diagnóstico antes dos 50 anos, sintomas agudos, IMC abaixo de 25 kg/m² e história pessoal ou familiar de doenças autoimunes. Nesses casos, o Ministério da Saúde indica dosar o peptídeo C e pelo menos um marcador de autoimunidade. Como a produção de insulina tende a cair com o tempo, o tratamento é reavaliado ao longo do acompanhamento.

## Quando procurar um endocrinologista?

Vale procurar avaliação se você tem sede e urina em excesso com perda de peso, se recebeu diagnóstico de diabetes tipo 2 com pouca resposta ao tratamento e peso normal, ou se já tem diabetes tipo 1 e quer discutir sensores e bombas. Sintomas de cetoacidose pedem pronto-socorro, não consulta agendada. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende presencialmente e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o [tratamento de diabetes](/diabetes/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### Diabetes tipo 1 só aparece em crianças?

Não. Segundo o Ministério da Saúde, o pico de diagnóstico ocorre entre 10 e 14 anos, mas a doença pode surgir em qualquer idade. A SBD afirma que hoje há mais casos novos diagnosticados na vida adulta do que na infância e que muitos adultos recebem, por engano, o diagnóstico de tipo 2.

### Qual a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?

No tipo 1, o pâncreas deixa de produzir insulina por uma agressão autoimune, e a insulina é indispensável. No tipo 2, predomina a dificuldade do corpo em usar a insulina. Quando há dúvida, a SBD indica dosar anticorpos e peptídeo C para fazer a classificação correta.

### O que é LADA?

É o diabetes autoimune latente do adulto, uma forma de progressão lenta. Pelos critérios citados pela SBD, a pessoa tem mais de 30 anos no diagnóstico, anticorpos positivos e não precisa de insulina por pelo menos 6 meses. Como a produção de insulina tende a cair, o tratamento é reavaliado com frequência.

### Quem tem diabetes tipo 1 pode tratar só com comprimidos?

Não. Segundo o Ministério da Saúde, a destruição das células que produzem insulina torna esse hormônio essencial no tratamento do diabetes tipo 1, tanto para controlar a glicose quanto para prevenir cetoacidose e complicações.

## Referências

1. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 1 (2020). https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_clinico_terapeuticas_diabete_melito.pdf
2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diagnóstico de diabetes mellitus. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026). https://diretriz.diabetes.org.br/diagnostico-de-diabetes-mellitus/
3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Classificação do diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026). https://diretriz.diabetes.org.br/classificacao-do-diabetes/
4. Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento do diabetes mellitus tipo 1 (DM1). Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026). https://diretriz.diabetes.org.br/rastreamento-do-diabetes-mellitus-tipo-1-dm1/
5. Sociedade Brasileira de Diabetes. Insulinoterapia no DM1. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026). https://diretriz.diabetes.org.br/insulinoterapia-no-diabetes-mellitus-tipo-1-dm1/
6. American Diabetes Association (Diabetes Care). 7. Diabetes Technology: Standards of Care in Diabetes 2026 (2026). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12690173/

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-10-03
