# Diabetes gestacional: diagnóstico, riscos e cuidados

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 03/10/2026.

> Diabetes gestacional é a glicose alta que aparece pela primeira vez na gravidez. No Brasil, o rastreamento começa com a glicemia de jejum na primeira consulta de pré-natal: valores de 92 a 125 mg/dL já indicam o diagnóstico. Quem tem resultado normal faz a curva glicêmica com 75 g de glicose entre 24 e 28 semanas. O tratamento começa com alimentação e atividade física, e a insulina é o remédio de primeira escolha quando necessário.

O diabetes gestacional é a elevação da glicose que surge durante a gravidez em mulheres sem diagnóstico anterior de diabetes. É uma alteração frequente: segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), cerca de 16% dos nascidos vivos vêm de gestações com alguma forma de glicose alta. O consenso brasileiro de 2016 estima a prevalência de diabetes gestacional no SUS em torno de 18%, com os critérios atuais.

O diagnóstico depende de exames simples do pré-natal, e o tratamento reduz as complicações para a mãe e para o bebê. O cuidado também continua depois do parto, porque o risco de diabetes no futuro aumenta.

## Como é feito o rastreamento do diabetes gestacional?

No Brasil, o rastreamento segue o consenso da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), da Febrasgo, da SBD e do Ministério da Saúde, publicado em 2016 e adotado pela diretriz atual da SBD. Ele acontece em dois momentos.

### Na primeira consulta de pré-natal

Todas as gestantes fazem glicemia de jejum. Segundo a SBD:

- **abaixo de 92 mg/dL**: normal; a gestante faz a curva glicêmica entre 24 e 28 semanas;
- **de 92 a 125 mg/dL**: diabetes gestacional, com início do tratamento;
- **126 mg/dL ou mais** (ou glicemia ao acaso de 200 mg/dL ou mais): diabetes diagnosticado na gestação, também com início do tratamento.

A SBD considera que a hemoglobina glicada também pode ser pedida nessa primeira consulta. Valores de 6,5% ou mais indicam diabetes.

### Entre 24 e 28 semanas

A gestante faz o teste oral de tolerância à glicose (TOTG), conhecido como curva glicêmica. Ela colhe sangue em jejum, toma 75 g de glicose e colhe de novo depois de 1 e 2 horas. Segundo a SBD, basta um valor alterado para o diagnóstico:

| Momento da coleta | Valor que indica diabetes gestacional |
|---|---|
| Jejum | De 92 a 125 mg/dL |
| 1 hora | 180 mg/dL ou mais |
| 2 horas | De 153 a 199 mg/dL |

Se o jejum der 126 mg/dL ou mais ou o valor de 2 horas der 200 mg/dL ou mais, a SBD e o consenso brasileiro orientam considerar diabetes diagnosticado na gestação, e não diabetes gestacional.

Onde a curva não está disponível, o consenso de 2016 prevê repetir a glicemia de jejum entre 24 e 28 semanas. O documento estima que essa estratégia detecta 86% dos casos.

## Quais são os riscos para a mãe e o bebê?

O estudo HAPO, descrito no consenso brasileiro, mostrou que quanto maior a glicose da mãe, maior a frequência de:

- pré-eclâmpsia (pressão alta com lesão de órgãos na gravidez);
- parto cesáreo;
- macrossomia (bebê grande para a idade gestacional);
- hipoglicemia no recém-nascido.

A Associação Americana de Diabetes (ADA) acrescenta que a exposição à glicose alta no útero aumenta o risco de obesidade, pressão alta e diabetes tipo 2 no filho ao longo da vida.

Tratar faz diferença. A SBD cita um estudo randomizado com gestantes com diabetes gestacional leve em que o tratamento reduziu os bebês macrossômicos de 14,3% para 5,9%, a distocia de ombro (quando o ombro do bebê fica preso no parto) de 4,0% para 1,5% e as cesáreas de 33,8% para 26,9%.

## Como é o tratamento do diabetes gestacional?

### Alimentação e atividade física

Segundo a ADA, o tratamento começa com orientação nutricional, atividade física e controle do ganho de peso. Com essas medidas, de 70% a 85% das gestantes com diabetes gestacional atingem o controle, dependendo do critério de diagnóstico usado. Para gestantes saudáveis, a ADA recomenda pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, distribuídos ao longo da semana.

### Monitorização da glicose

A gestante mede a glicose em casa, em jejum e depois das refeições. As metas da SBD são:

- antes das refeições: entre 65 e 95 mg/dL;
- 1 hora depois de comer: abaixo de 140 mg/dL;
- ou 2 horas depois de comer: abaixo de 120 mg/dL.

### Quando a insulina entra

A SBD recomenda a insulina como primeira escolha de remédio para o diabetes gestacional. O início pode ser considerado quando duas ou mais medidas ficam acima da meta após 7 a 14 dias de dieta e atividade física. O crescimento do bebê no ultrassom também pode pesar na decisão.

A ADA lembra que a metformina e a glibenclamida atravessam a placenta e não devem ser a primeira opção. A SBD admite a metformina como alternativa quando a insulina não é viável, desde que não haja contraindicação. Tipo de remédio e dose são decisões individuais da equipe que acompanha a gestação.

## O que muda depois do parto?

O diabetes gestacional pode esconder um pré-diabetes ou diabetes que já existia, segundo a ADA. Por isso, a reavaliação depois do parto é parte do tratamento.

O consenso brasileiro recomenda refazer a curva glicêmica com 75 g cerca de 6 semanas após o parto:

| Resultado | Classificação |
|---|---|
| Jejum abaixo de 100 mg/dL e 2 horas abaixo de 140 mg/dL | Normal |
| Jejum de 100 a 125 mg/dL | Glicemia de jejum alterada |
| 2 horas de 140 a 199 mg/dL | Intolerância à glicose |
| Jejum de 126 mg/dL ou mais, ou 2 horas de 200 mg/dL ou mais | Diabetes |

Glicemia de jejum alterada e intolerância à glicose são as duas formas de pré-diabetes. A ADA indica a mesma curva entre 4 e 12 semanas após o parto. O consenso orienta não usar a hemoglobina glicada nessa fase, porque ela não é validada para o diagnóstico no pós-parto. Se o resultado for normal, a avaliação passa a ser anual. A ADA recomenda acompanhamento por toda a vida, a cada 1 a 3 anos.

O cuidado se justifica pelos números. Segundo a ADA, o risco de diabetes tipo 2 após o diabetes gestacional cresce ao longo da vida e chega a cerca de 20% em 10 anos e 60% em 50 anos. A mesma entidade informa que a amamentação reduz esse risco.

## Quando procurar um endocrinologista?

Vale buscar um endocrinologista se você teve diabetes gestacional e não refez os exames depois do parto, se planeja uma nova gravidez ou se o controle da glicose está difícil durante a gestação, sempre em conjunto com o obstetra. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende presencialmente e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o [tratamento de diabetes](/diabetes/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### Diabetes gestacional passa depois do parto?

O diagnóstico é revisto depois do parto, mas o risco não desaparece. Segundo a ADA, quem teve diabetes gestacional tem risco cerca de 10 vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2. Por isso, o consenso brasileiro recomenda refazer a curva glicêmica cerca de 6 semanas após o parto e manter avaliações anuais.

### Quem tem diabetes gestacional precisa usar insulina?

Nem sempre. Segundo a ADA, de 70% a 85% das gestantes conseguem controlar a glicose só com alimentação e atividade física, dependendo do critério de diagnóstico usado. Quando as metas não são atingidas, a SBD recomenda a insulina como primeira escolha de remédio.

### Diabetes gestacional faz mal ao bebê?

A glicose alta na gravidez se associa a bebê grande, cesárea, hipoglicemia no recém-nascido e pré-eclâmpsia, segundo o estudo HAPO descrito no consenso brasileiro. O tratamento reduz esses riscos. A SBD cita um estudo em que os bebês macrossômicos caíram de 14,3% para 5,9% com o tratamento.

### Posso usar metformina em vez de insulina na gravidez?

A SBD e a ADA colocam a insulina como primeira escolha. A metformina atravessa a placenta e, segundo a SBD, é uma alternativa quando a insulina não é viável e não há contraindicação. Qualquer decisão sobre remédios na gestação é tomada pela equipe que acompanha o pré-natal.

## Referências

1. Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026). https://diretriz.diabetes.org.br/rastreamento-e-diagnostico-da-hiperglicemia-na-gestacao/
2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Tratamento farmacológico do diabetes na gestação. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026). https://diretriz.diabetes.org.br/tratamento-farmacologico-do-diabetes-na-gestacao/
3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Planejamento, metas e monitorização do diabetes durante a gestação. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026 (2026). https://diretriz.diabetes.org.br/planejamento-metas-e-monitorizacao-do-diabetes-durante-a-gestacao/
4. OPAS, Febrasgo, Sociedade Brasileira de Diabetes e Ministério da Saúde. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil (2016). https://iris.paho.org/handle/10665.2/34278
5. American Diabetes Association (Diabetes Care). 15. Management of Diabetes in Pregnancy: Standards of Care in Diabetes 2026 (2026). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12690181/

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-10-03
