# Andropausa existe? O que é testosterona baixa no homem

Por equipe editorial do consultório. Publicado em 01/10/2026.

> Não existe no homem uma parada hormonal como a menopausa. A testosterona cai devagar com a idade, e só uma parte dos homens desenvolve hipogonadismo, que exige sintomas compatíveis e testosterona baixa confirmada em duas coletas feitas pela manhã, em jejum. A reposição é indicada apenas nesses casos, quando não há contraindicação, e não serve para ganho muscular, emagrecimento ou antienvelhecimento.

Cansaço, pouca vontade de sexo, barriga maior e menos disposição depois dos 40 anos. Para muitos homens, essa combinação ganhou um nome popular: andropausa. A palavra sugere uma versão masculina da menopausa, com uma queda hormonal inevitável que pediria reposição.

A realidade é diferente. Entender o que a ciência chama de hipogonadismo ajuda a evitar dois erros: deixar de tratar quem precisa e usar testosterona sem necessidade.

## Por que o termo andropausa é controverso?

Na menopausa, os ovários param de funcionar em um momento definido, e a menstruação acaba. No homem, isso não acontece. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) descreve uma diminuição lenta e gradual da testosterona durante o envelhecimento, que não determina o fim da fertilidade.

Por esse motivo, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) afirma que o termo andropausa não deve ser usado, já que não há uma pausa hormonal, e sim um déficit gradativo. A SBU prefere o nome deficiência androgênica do envelhecimento masculino (DAEM), e os estudos internacionais costumam falar em hipogonadismo de início tardio.

Os números mostram o tamanho da queda. Segundo o consenso brasileiro sobre hipogonadismo masculino, publicado em 2026 pela SBEM, pela SBU e pela Associação Brasileira para o Estudo da Medicina Sexual e Saúde (ABEMSS), a testosterona total cai em média 1,6% ao ano com o envelhecimento, enquanto a SHBG, proteína que transporta o hormônio no sangue, sobe 1,3% ao ano.

Essa queda nem sempre vira doença. Segundo revisão publicada em 2010 na Nature Reviews Endocrinology, no Estudo Europeu do Envelhecimento Masculino (EMAS), com 3.369 homens de 40 a 79 anos, o hipogonadismo de início tardio, definido por três sintomas sexuais e testosterona baixa, apareceu em cerca de 3% dos homens de 60 a 69 anos e em 5% dos de 70 a 79 anos. Ao mesmo tempo, mais de 25% dos homens com testosterona normal tinham sintomas sexuais.

## O que é hipogonadismo masculino?

Hipogonadismo é a produção insuficiente de testosterona pelos testículos. O consenso brasileiro separa três grupos:

- **primário:** o problema está nos testículos;
- **secundário:** o problema está no hipotálamo ou na hipófise, que comandam os testículos;
- **funcional:** não há lesão no eixo hormonal, e a queda está ligada a obesidade, diabetes, doenças crônicas ou medicamentos. Pode ser reversível quando a causa é tratada.

### Quais são os sintomas?

A SBEM e o consenso brasileiro listam sinais que podem sugerir falta de testosterona:

- redução do desejo sexual e menos ereções espontâneas, como as matinais;
- dificuldade de ereção e de ejaculação;
- aumento das mamas (ginecomastia) e perda de pelos;
- redução da massa óssea e fraturas com pequenos traumas;
- cansaço, humor deprimido, irritabilidade e dificuldade de concentração;
- sono ruim, perda de força muscular e aumento da gordura corporal.

A SBEM ressalta que esses sintomas são inespecíficos e podem aparecer em outras condições. Por isso, o consenso brasileiro não recomenda rastrear testosterona em todos os homens, e sim investigar quando há sinais compatíveis.

## Como é feito o diagnóstico de testosterona baixa?

O diagnóstico depende de sintomas compatíveis e de exames bem feitos. A testosterona varia ao longo do dia, com pico pela manhã, e sofre influência da alimentação. O consenso brasileiro orienta:

- coletar o sangue pela manhã, entre 7 e 10 horas, após jejum noturno;
- confirmar um valor baixo com uma segunda coleta nas mesmas condições, de preferência com 4 semanas de intervalo;
- não coletar durante doença aguda ou piora de uma doença crônica.

A SBEM, com base na diretriz da Endocrine Society, também recomenda a dosagem pela manhã, em jejum, em dois dias diferentes.

Os pontos de corte variam entre as sociedades. O consenso brasileiro adota esta leitura para a testosterona total:

| Testosterona total (manhã, em jejum) | Interpretação no consenso brasileiro |
|---|---|
| Abaixo de 264 ng/dL | Apoia o diagnóstico (corte usado pela Endocrine Society) |
| Entre 264 e 350 ng/dL | Zona intermediária: pede SHBG e cálculo da testosterona livre |
| Acima de 350 ng/dL | Em geral afasta o diagnóstico |

A Associação Americana de Urologia usa 300 ng/dL como corte. Depois de confirmar a testosterona baixa, a dosagem de LH e FSH ajuda a saber se a causa está nos testículos ou na hipófise. O consenso também recomenda revisar remédios que reduzem a testosterona, como corticoides, opioides e anabolizantes.

## Quando a reposição de testosterona é indicada?

Segundo o consenso brasileiro, a reposição deve começar apenas em homens com sintomas persistentes e testosterona inequivocamente baixa, depois de afastadas as contraindicações. Em homens com sobrepeso ou obesidade e hipogonadismo funcional, mudança de hábitos e perda de peso são a primeira linha, porque o emagrecimento pode ajudar a recuperar a testosterona.

No Brasil, as opções aprovadas incluem injeções intramusculares e gel aplicado na pele. O consenso não recomenda implantes subcutâneos de testosterona manipulados, por falta de estudos robustos e pela alta frequência de policitemia (excesso de glóbulos vermelhos). Durante o tratamento, testosterona e hematócrito são medidos aos 3, 6 e 12 meses e depois uma vez por ano, e o PSA e o toque retal são feitos aos 3 e aos 12 meses. A escolha da formulação e da dose é individual e feita em consulta.

### Quem não deve fazer reposição?

O consenso brasileiro lista situações em que a testosterona é contraindicada ou exige cautela:

- câncer de próstata ou de mama;
- desejo de ter filhos em breve, porque a testosterona reduz a produção de espermatozoides;
- hematócrito acima de 48% antes de começar ou acima de 54% durante o acompanhamento;
- apneia do sono grave sem tratamento;
- insuficiência cardíaca descompensada;
- infarto ou AVC recente, casos em que o início deve esperar pelo menos 6 meses;
- PSA elevado ou alteração no toque retal, que precisam ser investigados antes.

## Quais os riscos de usar testosterona sem indicação?

A Resolução CFM 2.333/2023 proíbe usar qualquer formulação de testosterona sem comprovação diagnóstica da deficiência e veda o uso de anabolizantes ou hormônios androgênicos com fins estéticos ou de desempenho esportivo. O consenso brasileiro reforça que a reposição não deve ser prescrita para a queda natural da idade nem apenas para perder peso, controlar a glicose ou reduzir risco cardiovascular.

Os riscos crescem com o abuso. Segundo o posicionamento da SBEM de 2022, quem usa anabolizantes para estética costuma aplicar doses de 5 a 15 vezes maiores que as terapêuticas. Os efeitos descritos incluem:

- supressão dos testículos, infertilidade e ginecomastia;
- acne, calvície e lesão no fígado;
- alterações psiquiátricas, como agressividade e depressão, e dependência;
- pressão alta, arritmias e morte súbita.

A SBEM aponta que o uso prévio de anabolizantes é a causa mais frequente de hipogonadismo em homens jovens, responsável por 43% dos casos. Em homens com hipogonadismo e alto risco cardiovascular, o consenso brasileiro cita que o estudo TRAVERSE não mostrou aumento significativo de eventos cardiovasculares graves com a reposição, o que reforça a diferença entre tratar uma deficiência e usar hormônio sem necessidade.

## Quando procurar um endocrinologista?

Procure um endocrinologista se você tem queda do desejo sexual, dificuldade de ereção, cansaço persistente ou aumento das mamas, se já fez exame com testosterona baixa ou se usa ou usou anabolizantes. O especialista investiga a causa, confirma ou descarta o hipogonadismo e discute se a reposição faz sentido no seu caso. A Dra. Natália Brito, endocrinologista e metabologista (CRM-PI 7855, RQE 5674), atende no Instituto Essência, em Teresina (PI), e por teleconsulta. Se você quiser avaliar seu caso, veja como funciona o acompanhamento de [reposição hormonal](/menopausa-e-reposicao-hormonal/) e a [consulta](/consulta/).

## Perguntas frequentes

### Andropausa e menopausa são a mesma coisa?

Não. Na menopausa, os ovários param de funcionar e a menstruação acaba. No homem, a testosterona cai devagar ao longo dos anos e a fertilidade não termina, segundo a SBEM. Por isso, a Sociedade Brasileira de Urologia desaconselha o termo andropausa.

### Em que horário a testosterona deve ser dosada?

Pela manhã, entre 7 e 10 horas, em jejum, segundo o consenso brasileiro de 2026. Um valor baixo precisa ser confirmado em uma segunda coleta nas mesmas condições, de preferência com cerca de 4 semanas de intervalo, fora de períodos de doença aguda.

### Testosterona ajuda a emagrecer ou ganhar massa muscular?

Não é indicada para isso. O consenso brasileiro não recomenda a reposição apenas para perder peso, controlar a glicose ou reduzir risco cardiovascular, e a Resolução CFM 2.333/2023 proíbe o uso de hormônios androgênicos com finalidade estética ou de desempenho esportivo.

### Quem quer ter filhos pode fazer reposição de testosterona?

A testosterona aplicada de fora reduz a produção de espermatozoides e pode causar infertilidade. Por isso, o desejo de ter filhos em breve é contraindicação, segundo o consenso brasileiro. Existem alternativas que preservam a fertilidade, avaliadas caso a caso em consulta.

### Implante de testosterona é recomendado?

Não. O consenso da SBEM, da SBU e da ABEMSS não recomenda implantes subcutâneos de testosterona manipulados, porque faltam estudos robustos de segurança e eficácia e há alta frequência de aumento excessivo dos glóbulos vermelhos.

## Referências

1. International Brazilian Journal of Urology, via PubMed Central (NIH). Care of Patients with Male Hypogonadism: A Joint Position Statement from SBEM, SBU and ABEMSS (2026). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13124176/
2. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). 10 Coisas Sobre Reposição Hormonal Masculina (2025). https://www.endocrino.org.br/2025/07/15/sobre-reposicao-hormonal-masculina/
3. Sociedade Brasileira de Urologia (Portal da Urologia). O envelhecimento masculino e o declínio da testosterona (2018). https://portaldaurologia.org.br/sua-saude/duvidas-frequentes/o-envelhecimento-masculino-e-o-declinio-da-testosterona
4. Nature Reviews Endocrinology, via PubMed Central (NIH). Late-onset hypogonadism: evidence for diagnostic criteria (2010). https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3686492/
5. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Posicionamento da SBEM sobre o uso de esteroides anabolizantes e similares para fins estéticos ou para ganho de desempenho esportivo (2022). https://www.endocrino.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Posicionamento-da-SBEM-Anabolizantes.docx.pdf
6. Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM nº 2.333/2023 (2023). https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2023/2333_2023.pdf

Conteúdo educativo, produzido pela equipe editorial do consultório a partir das referências citadas. Não substitui a consulta médica: exames e tratamento são decididos caso a caso. Como produzimos nosso conteúdo: https://nataliabritoendocrino.com.br/politica-editorial/

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Última atualização: 2026-10-01
